Trabalho realizado por:

 

Maria Isabel Gonçalves da Rocha

 

Prof. Valcir Rocha - Orientador

Artigo Monográfico apresentado em cumprimento as exigências para a obtenção do título de Especialista em Atividades Recreativas no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Atividades Recreativas da Pré-Escola a 3ª Idade.

FACULDADES INTEGRADAS MARIA THEREZA
Rio de Janeiro - RJ 

 

 

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ESTUDO SOBRE A POSSIBILIDADE DA UTILIZAÇÃO DE ATIVIDADES LÚDICAS AQUÁTICAS ENQUANTO ESTRATÉGIA PARA O RESGATE DA AUTO-IMAGEM EM GRUPO DE 3ª IDADE



RESUMO


As atividades lúdicas fornecem informações elementares a respeito do idoso: suas emoções, a forma como interage com outras pessoas, seu desempenho físico motor. Ou seja, se dispõe a desenvolver as faculdades expressivas do indivíduo. A atividade lúdica para idosos, como parte do atendimento interdisciplinar à velhice, tem como objetivo maior à manutenção das suas capacidades funcionais. Envelhecer mantendo todas as funções não significa problema quer para o indivíduo ou para a sociedade. O presente estudo visou demonstrar a importância da atividade lúdica aquática como estratégia para o resgate da auto-imagem na 3ª idade. Foi observado que despertar o prazer em pessoas que por sua própria condição existencial apresentam situações de depressão e luto, não só pela perda de entes queridos, mas também pelas perdas provocadas pelo processo de envelhecimento e pelas relacionadas com o lugar social que ocupavam, é dar-lhes sentido de vida, quando pela lógica estão tão próximos da morte. Percebe-se assim a responsabilidade da sociedade, subjacente ao oferecimento de oportunidades de inserção da população idosa. Há necessidade de um movimento do próprio idoso no sentido de acolher as diferentes oportunidades oferecidas, mas cabe também à sociedade desenvolvimento de programas que estimulem a população idosa o envolvimento que permita a busca da manutenção do seu nível satisfatório de funcionamento. A ludicidade deve permear a atividade aquática a fim de transformá-la num espaço de descobertas, de imaginação, de criatividade, enfim, num lugar onde as pessoas sintam prazer pelo ato de conhecer a si mesma. O jogo e a brincadeira estão presentes em todos as fazes da vida dos seres humanos, tornando especial a sua existência. De alguma forma o lúdico se faz presente e acrescenta um ingrediente indispensável no relacionamento entre as pessoas, possibilitando que a criatividade aflore.
 

Palavras-chave: atividades lúdicas aquáticas, auto-imagem, 3ª idade.

 
ABSTRACT
 
The playful activities supply elementary information regarding the aged one: its emotions, the form as it interacts with other people, its motor physical performance. Or either, if it makes use to develop the expressivas facultieses of the individual. The playful activity for aged, as part of the attendance to interdisciplinar to the oldness, has as objective greater to the maintenance of its functional capacities. To age keeping all the functions does not mean problem wants for the individual or the society. The present study age aimed at to demonstrate the importance of the aquatic playful activity as strategy for the rescue of the auto-image in 3ª. It was observed that to not only awake the pleasure in people who for its proper existencial condition present depression situations and fight, for the loss of wanted beings, but also for the losses provoked for the process of aging and the related ones with the social place that they occupied, it is to give to them sensible of life, when for the logical one they are so next to the death. The responsibility of the society, underlying is perceived thus to the oferecimento of chances of insertion of the aged population. It has necessity of a proper movement of the aged one in the direction to receive the different offered chances, but it also fits to the society development of programs that stimulate the aged population the envolvement that allows the search of the maintenance of its satisfactory level of functioning. The ludicidade must permear the aquatic activity in order to transform it into a space of discoveries, imagination, creativity, at last, in a place where the people feel pleasure for the act to know itself same. The game and the trick are gifts in all make them of the life of the human beings, becoming special its existence. Of some form the playful one if makes gift and adds an indispensable ingredient in the relationship between the people, making possible that the creativity arises.
Key word: aquatic playful activities, auto-image, 3ª age.


INTRODUÇÃO
 

No cotidiano da vida, no dia-a-dia, vemos as mais diversas formas de discriminação. O envelhecimento é talvez uma das mais concorridas. Contudo, hoje, entidades estão lutando pelos direitos dos cidadãos idosos, providenciando o cumprimento de leis existentes, e por medidas mais eficazes que inibam e coibam atitudes de maus tratos, deseducadas e a falta de urbanidade do qual o idoso é alvo frágil e fácil (ALVES, 2003).
 

A capacidade física dos idosos está limitada por alguns fatores fisiológicos: diminuição da potência muscular, fragilidade óssea, doença degenerativa e perda da elasticidade do tecido conjuntivo.
 

Os fatores que afetam o sistema nervoso central são os que, com maior freqüências, produzem incapacidades no transcurso dos anos. Variações das atividades mentais como a diminuição de atenção, perda progressiva de memória e instabilidade emocional, adicionadas às alterações da atividade neurológica como diminuição dos reflexos e dificuldade em realizar movimentos, além das alterações sensoriais decorrentes do processo do envelhecimento (ASSIS, 1998).
 

Os idosos mostram-se ansiosos quanto à sua segurança, à sua saúde, às relações familiares e cansam-se mais facilmente à medida que a idade aumenta. Não aprendem tão rapidamente nem retém as informações recebidas como as pessoas jovens, portanto nas atividades lúdicas aquáticas os objetivos devem ser direcionados para estas características peculiares dos idosos.
 

As atividades aquáticas devem ser: atraentes, diversificadas, com intensidade moderada, de baixo impacto - nas estruturas musculares, esqueléticas e articulares - realizados de forma gradual, e promover a aproximação social, sendo desenvolvidos de preferência coletivamente, respeitando as individualidades de cada um, sem estimular atividades competitivas pois tanto a ansiedade como o esforço aumentam os fatores de risco.
 

Através do estímulo ao auto-conhecimento e ao autocuidado, gerando uma melhoria na auto-estima, o idoso tem condições de lidar com seus potenciais e a partir daí construir uma maneira própria de se relacionar com o meio social, atuando nele mais autonomamente. Basicamente, procura-se que o idoso tenha um desempenho mais independente possível, enfatizando as áreas de auto-cuidado, do trabalho remunerado ou não, do lazer, da manutenção de seus direitos e papéis sociais (VIEIRA, 1996).
 

A justificativa da pesquisa é que atualmente, as pessoas que fazem parte da faixa etária da 3ª idade, têm uma maior aceitação, um maior prazer, um maior conformismo em relação a envelhecer.
 

O idoso vem conseguindo através de atividades lúdicas aquáticas receber uma vida mais saudável e ativa a um grupo de pessoas que até pouco tempo não tinha atenção que mereciam, por tudo que fizeram a sociedade.
 

Este conceito vem mostrando principalmente ao idoso, o que ele é capaz de fazer e conseguir, mesmo atingindo uma idade considerada inativa por grande parte da população.
 

Os objetivos da pesquisa são de identificar se as atividades lúdicas aquáticas levam a auto-imagem do referido grupo da 3ª idade; verificar de que forma a prática de atividade lúdica aquática pode levar a melhoria da auto-estima do grupo da 3ª idade e a constatação se há alteração do hábito de vida e rotina diária com a prática de atividades lúdicas aquática em pessoas da 3ª idade.
 

 
Relevância do Estudo
 

A relevância se dá através de atividades lúdicas aquáticas onde se é possível alcançar níveis bastante satisfatórios de desempenho físico, gerando autoconfiança, satisfação, bem-estar psicológico e interação social, Deve-se levar em conta que o equilíbrio entre as limitações e as potencialidades da pessoa idosa ajudam a lidar com as inevitáveis perdas decorrentes do envelhecimento (GOMES, 2001).
 

O estudo do tema visa aprimorar o questionamento da atuação de atividades lúdicas aquáticas na melhora da auto-imagem em pessoas da 3ª idade fazendo com que tanto a ciência quanto à sociedade, tenham um enfoque de conhecimento sobre o tema.
 


DEFINIÇÃO DE TERMOS
 

Auto-estima: Estima por si mesmo. (XIMENES, p. 98, 1999)
 

Enfermidade: Falta de saúde; doença; moléstia. (XIMENES, p. 251, 1999)
 

Esquema Corporal: Um modelo postural do próprio corpo incluindo as relações entre as partes do corpo e as relações entre o corpo e o ambiente. (XIMENES, p. 272, 1999)
 

Inexorável: Implacável; inabalável; severo, austero. (XIMENES, p. 349, 1999)
 

Lúdico: Relativo a, ou que tem caráter de jogos ou divertimentos. (XIMENES, p. 387, 1999)
 

Propriocepção: Percepção e sensação dos movimentos e posição do corpo. (XIMENES, p. 490, 1999).
 

Prótese: Substituto artificial de parte do corpo (dente, braço, etc.) retirada cirurgicamente ou perdida em acidente . (XIMENES, p. 495, 1999)
 

Tônus: Estado particular de tensão no qual se encontram os músculos durante a fase de repouso. (XIMENES, p. 579, 1999)
 


REVISÃO LITERÁRIA
 
A fase do envelhecimento
 

De acordo com Alves (2003), a velhice ou terceira idade é o período que se inicia aos 55 anos, após o indivíduo ter atingido e vivenciado as realizações pessoais na fase da maturidade.
 

De acordo com o IBGE, a população brasileira com mais de 60 anos de idade que já soma 13,5 milhões de pessoas. Este número representa 8,7% da população do país. Em países do primeiro mundo a população de idosos fica em torno de 15%.
 

Os índices apontam para um aumento significativo de idosos nos próximos anos, estando a previsão de se dobrar o número no ano de 2020, chegando a 27 milhões. Isto ocorrerá devido a queda nas taxas de fecundidade e de mortalidade observadas em nossa população. A população de idosos está aumentando e com saúde.
 

A expectativa de vida média atual do brasileiro é de 67 anos e 8 meses, sendo maior para as mulheres (71 anos e 7 meses) quando comparada com os homens (64 anos e 1 mês).
 

Na busca de uma resposta do que é a velhice encontram-se preconceitos, contradições e associações de que a idade avançada está ligada ao declínio, à inferioridade.
 

O conflito psicossocial básico da velhice é a integridade do ego (estrutura da personalidade) e o desespero. Envelhecer assusta. Mas quem consegue encarar como uma nova fase da vida, cheia de desafios a enfrentar, aproveita-a muito bem. É preciso apenas se preparar para esse período da existência humana, tanto física como espiritualmente – renovar os objetivos de vida, manter-se ativo e com a mente ocupada (NEGRINE, 2000).
 

De modo geral associa-se idoso e velhice à enfermidade. É muito cômodo e inexato concluir que a velhice representa enfermidade generalizada. Doença e redução de capacidade não são a mesma coisa, embora apresentem desvios semelhantes em relação a um estado de saúde “ideal”.
 

O hábito de se considerar a velhice como doença impede, na maioria dos casos, que a própria pessoa idosa, e às vezes até sua família, realize esforços no sentido de buscar uma boa forma.
 

Quando o indivíduo, por variados motivos, não consegue passar essa fase da vida aceitando suas transformações e seu declínio físico, fica impedido de suportar mudanças de meio, opiniões, dependências, esquivando-se a novas situações e se deixando levar pelo declínio físico e mental. É inevitável que sejam comprometidas, num maior ou menor grau, suas funções físicas e psíquicas, em velocidade desigual nos diversos aparelhos e sistemas orgânicos em diferentes pessoas. É importante que não só os idosos, como também a sociedade, passem a ver a terceira idade não como doença, mas como um período em que diminuem somente as suas potencialidades.
 

No que tange às mudanças, biologicamente pode ser considerado um período de involução.

 

Primeiramente as reservas orgânicas são diminuídas. A relação com o meio torna-se muito sensível, o corpo fica suscetível às intempéries climáticas, infecciosas, físicas e químicas, o esforço é mais difícil, as necessidades alimentares mudam (a quantidade de ingestão diminui), o ritmo do sono é alterado, a sexualidade é alterada e a prática diminuída também. Ao nível do sistema nervoso ocorre uma diminuição em peso e volume do cérebro e conseqüente deterioração intelectual, interferindo na performance e coordenação sensório-motora. O indivíduo passa a ter dificuldade de adaptação a situações novas e tanto a visão como a audição é afetada com o envelhecimento (ALVES, 2003).
 

Em relação às qualidades motoras básicas, essa deteriorização não é a mesma quando o indivíduo executou atividade física anterior e periódica. Ocorre, é claro, uma redução da capacidade de aprendizagem, tornando-se mais lenta. No aspecto motor há um agravamento de suas qualidades motoras básicas como agilidade, destreza, velocidade e força. Há menos massa muscular e diminuição do tônus, podendo emergir a atrofia muscular.
 

A postura corporal é modificada, com o curvamento gradativo do corpo para frente e o achatamento das cartilagens intervertebrais, ocasionando a redução da estatura do indivíduo. O número e o tamanho das fibras musculares vão diminuindo, embora os músculos propriamente ditos permaneçam basicamente em boas condições até uma idade bastante avançada. A flacidez aumenta, devido ao acúmulo de gordura na região subcutânea e os ossos tendem a perder cálcio e a se tornarem quebradiços.
 

As capacidades cardiovascular e respiratória ficam agravadas com o aumento do sedentarismo.

 

Durante a expiração, as pessoas idosas retêm mais ar nos pulmões e a troca gasosa fica deficitária, incidindo nessas capacidades. Os vasos sangüíneos estão menos elásticos e mais estreitos, aumentando a resistência ao fluxo sangüíneo, podendo ocasionar a hipertensão. Percebe-se que o sistema renal não funciona com a mesma eficiência, podendo essa dificuldade ser reduzida com a atividade física.
 

Contudo, dando ou não a forma e as condições para que o envelhecimento seja normal, ainda que o tempo de vida se prolongue, ainda que as pessoas idosas encontrem proteção e segurança, o ser humano fatalmente morrerá. A morte é o fecho de um ciclo que começa com a separação do indivíduo do mundo intra-uterino pelo nascimento e que termina com o retorno simbólico a um estado de paz e silêncio.
 


O idoso e sua situação social no Brasil


Agora, analisando a situação social do idoso no Brasil, percebe-se a escassez de assistência e respeito ao indivíduo da terceira idade que, ao contrário de senil, deveria ser considerado sábio, tanto por parte do governo como das próprias famílias. Atualmente, e de forma geral, a sociedade brasileira marginaliza as duas extremidades da vida: a infância e a velhice.
 

Em relação à terceira idade, num país essencialmente jovem como o nosso, o que encontramos são atividades e infra-estruturas voltadas para a juventude, deixando o idoso de lado. E isso sem considerar a dificuldade em toda a sua essência de alterações morais e tecnológicas em direção ao futuro, ou seja, desde o hambúrguer com batata frita e a correria contra o relógio das pessoas nas ruas até a comunicação pelo fax, e-mail e computador ou internet (NEGRINE, 2000).
 

Neste novo milênio que acabamos de entrar, ainda podemos encontrar idosos que no final de suas vidas vêem-se condenados ao isolamento social e cultural pela fragmentação da família, aposentadoria e por uma política insatisfatória de atendimento às necessidades. A essas condições soma-se o declínio funcional, mental e físico.
 

A velhice não precisa necessariamente ser um período de declínio e decadência e, quando saudável, é uma fase natural da existência, com possibilidade de renovações, mudanças e realizações. Com o advento de inúmeros medicamentos que permitiram maior controle e tratamento mais eficaz das doenças infecto-contagiosas e crônico-degenerativas, aliadas aos avançados métodos diagnósticos e ao desenvolvimento de técnicas cirúrgicas cada vez mais sofisticadas e eficientes, houve aumento significativo da expectativa de vida do homem moderno.
 

Segundo Vieira (1996), esse Brasil está envelhecendo, e sem nenhum preparo para isso. Enquanto a faixa etária de 0 a 15 anos cresce numa porcentagem de 0,5% ao ano, a população com mais de 65 anos aumenta 3%. O que mais nos assusta são os dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (1996) nos informando que, no ano 2000, mais de 5 milhões de pessoas terão ultrapassado a marca dos 70, com 10% dessa população acima dos 80 anos. E grande parte desses indivíduos precisando de cuidados médicos específicos. Vemos com isso que o Brasil não está equipado para enfrentar essa “carga” de anos. Desde dificuldades governamentais e financeiras, como a aposentadoria até auto-assistenciais e de moradia.
 

Essa postura precisa mudar. Há necessidade de se buscar a visão da educação permanente para a terceira idade. Entende-se como educação permanente, a capacidade ininterrupta de aperfeiçoamento educacional em direção a alguma meta atingível enquanto busca constante de uma situação melhor, divorciado da noção de resultados definitivos e voltada sempre para o alcance de uma situação ideal, que sabemos, é inatingível.
 

As evidências demonstram que o melhor modo de otimizar e promover a saúde no idoso é prevenindo seus problemas médicos mais freqüentes, para isso vários estudos tem documentado que um estilo de vida, considerado saudável, deve incluir exercícios regulares, uma nutrição sadia, ingestão moderada ou abstenção de álcool, participação em atividades significativas, tempo adequado de sono e abstenção do fumo.
 

 

Idade e Cultura


Costuma-se dizer que a idade determinante da velhice é 65 anos, quando se encerra a fase economicamente ativa da pessoa e começa a aposentadoria. Contudo a Organização Mundial da Saúde, através de estudo e levantamento estatístico mundial, elevou essa idade para 75 anos, devido ao aumento progressivo da longevidade e da expectativa de vida (FONSECA, 1999).
 

Em muitas culturas e civilizações, principalmente as orientais, o velho, o idoso é visto com respeito e veneração, representando uma fonte de experiência, do valioso saber acumulado ao longo dos anos, da prudência e da reflexão. Enquanto em outras, o idoso representa "o velho", "o ultrapassado" e "a falência múltipla do potencial do ser humano".
 

A velhice é um processo pessoal, natural, indiscutível e inevitável, para qualquer ser humano, na evolução da vida. Nessa fase sempre ocorrem mudanças biológicas, fisiológicas, psicossociais, econômicas e políticas que compõe o cotidiano das pessoas.
 

Há duas formas básicas de ocorrer essas mudanças, de maneira consciente e tranqüila ou ser sentida com grande intensidade, tudo dependerá da relação da pessoa com a velhice. Os sinais característicos dessas mudanças são nítidos por conta da ação do tempo e social. Vejamos abaixo alguma delas:
 

Mudanças Físicas: gradual e progressivas: aparecimento de rugas e progressiva perda da elasticidade e viço da pele; diminuição da força muscular, da agilidade e da mobilidade das articulações; aparição de cabelos brancos e perda dos cabelos entre os indivíduos do sexo masculino; redução da acuidade sensorial, da capacidade auditiva e visual; distúrbios do sistema respiratório, circulatório; alteração da memória e outras (FONSECA, 1999).
 

Mudanças Psicossociais: modificações afetivas e cognitivas: efeitos fisiológicos do envelhecimento; consciência da aproximação do fim da vida; suspensão da atividade profissional por aposentadoria: sensação de inutilidade; solidão; afastamento de pessoas de outras faixas etárias; segregação familiar; dificuldade econômica; declínio no prestígio social, experiências e de valores e outras.
 

Mudanças Funcionais: necessidade cotidiana de ajuda para desempenhar as atividades básicas.
 

Mudanças Sócio-econômico: acontecem quando a pessoa se aposenta.
Uma geração só vai se preocupar com o envelhecer quando sente que esta nova fase da vida está se aproximando, produzindo sensações de desconforto, ansiedade, temores e medos fantasiosos. Freqüentemente essa ansiedade gera a falta de motivação levando-o a uma depressão, repercutindo organicamente e acelerando o envelhecimento ou provocando distúrbios e dificuldades de adaptação a um novo contexto social.
 

Estudos recentes comprovam que o avanço da idade não determina a deterioração da inteligência, pois ela está associada à educação, ao padrão de vida, a vitalidade física, mental e emocional. Também é preciso perder o preconceito sobre a idade cronológica das pessoas. Pode-se afirmar que há jovens com 20, 40 ou 90 anos de idade, tudo dependerá da postura e do interesse de cada um.
 

O envelhecimento se caracteriza por algumas perdas das capacidades fisiológicas dos órgãos, dos sistemas e de adaptação a certas situações de estresse (CHAZAUD, 2001).
 

Tal fenômeno é universal, progressivo, na maioria das vezes irreversível e resultará num aumento exponencial da mortalidade com a idade, bem como mais probabilidade de doenças. No entanto, a grande disponibilidade alimentos, os conhecimentos de uma alimentação balanceada, da necessidade de exercícios físicos constantes e das vantagens de se viver em um ambiente saudável, além dos progressos da medicina, têm levado a subverter este conceito e aumentar a longevidade.
 

Mais do que em qualquer época da vida, a pessoa idosa é um todo. Os problemas somáticos podem refletir dificuldades psicológicas e vice-versa. Nada é inócuo.
 

Apesar disso, no interior de uma mesma espécie, como no ser humano, os indivíduos vão apresentar freqüentemente caminhos variáveis no momento e na progressão do seu envelhecimento. Certos fatores externos não influenciam igualmente a diferenciação do envelhecimento: o clima, a profissão, a poluição, o meio sócio-cultural, as radiações, a nutrição etc. Enquanto, no próprio organismo, o envelhecimento dos diversos sistemas fisiológicos também não é sincrônico, uma vez que suas involuções não começam ao mesmo momento, nem atingem a mesma intensidade, resultando graus diferentes de senilidade (HERMOGENES, 2003).
 

Este envelhecimento diferencial envolve preferencialmente os órgãos efetores e resulta de processos intrínsecos que se manifestam a nível dos órgãos, dos tecidos e nas células.
 

Assim, a pele, sujeita a mais intempéries, lesões e radiações, envelhecerá mais rápido e mais precocemente que o fígado, por exemplo. As complicações vasculares afetarão o sistema cardíaco principalmente, e serão prevalentes nas pessoas de mais de 65 anos, em conseqüência da arteriosclerose acumulada pela má alimentação, pelo estresse, possível contaminação bacteriana etc, mas poderão ocorrer mais cedo ou mais tarde de acordo com os hábitos prevalentes e a resistência orgânica especifica.
 

Negrine (2000) é ainda atual na sua assertiva: de que aquilo que o homem mais precisa é sentir seguro em seu amor próprio. Quando o idoso se depara com a realidade intrínseca de uma condição ignóbil, os problemas de adaptação podem se multiplicar.
 

Basicamente, o idoso caminha para as diversas gerações, distintas da sua sob todos os aspectos. Uma estrutura de condições sociais e de papéis, de costumes e regras de comportamento muitas vezes inaceitáveis pode tornar-se incompreensíveis para ele.
 

Contrariando o pressuposto que o idoso é abandonado pelos familiares, percebemos que alguns os superprotegem, limitando ainda mais o seu espaço.
 

Tão importante quanto oferecer oportunidades educacionais na infância é também, igualmente, importante oferecer condições para que pessoas da 3ª idade recuperem oportunidades perdidas e vivenciem situações de estudo e aprendizagens (MEUR e STAES, 1999).
 

Inicialmente trataremos da influência da variável demográfica, uma das mais importantes.
 

Os dados demográficos nos indicam que, a partir do ano 2000, em especial, a população brasileira de sessenta anos ou mais apresenta taxas de crescimento oito vezes superiores às taxas de crescimento da população jovem: o Brasil está cotado para ser o sexto país com maior população idosa do mundo. A previsão é que em 2010 tenhamos 18.114.300 idosos e em 2020 - 27.173.600 idosos.
 

Segundo Vieira (1996), ao contrário do que se pensa e, inclusive, é rotineiramente divulgado nos meios de comunicação, esse envelhecimento se deve, preponderantemente, à diminuição de filhos das mulheres (fecundidade) e não à diminuição da mortalidade.
 

Para Palma (2000), no Brasil e em quase todos os países em desenvolvimento, excetuando-se talvez alguns países africanos, há uma diminuição de fecundidade, geralmente rápida, paralela a uma diminuição da mortalidade, fenômeno demorado “transição demográfica” e que tem produzido transformações na pirâmide populacional no sentido de retangularização que registra o envelhecimento.
 

A Unesco, em 1972, festejou o lançamento do Relatório da Comissão Internacional sobre Desenvolvimento da Educação, Aprendendo a ser. Segundo este documento, elaborado sob a coordenação do francês Edgar Faure, o século XXI exigirá de todos nós grande capacidade de autonomia e discernimento, juntamente com o reforço da responsabilidade pessoal na realização de um destino coletivo (GEIS, 2003).
 

Chama a atenção ainda para outra exigência, a de não deixar sem explorar nenhum dos talentos que constituem como que tesouros escondidos no interior de cada ser humano: memória, raciocínio, capacidades físicas, sentido estético, facilidade de comunicação com os outros.
 

Há uma recomendação para dar oportunidades de educação ao longo de toda a vida para toda a sociedade e com isto, todos tenham como acompanhar e adaptar-se constantemente às transformações, valorizando os saberes básicos da experiência humana.
 

Em 1996 – Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre a Educação para no Século XXI, cujo tema central é Educação, um tesouro a descobrir. O conceito de educação ao longo de toda a vida, aparece como uma chave de acesso ao século XXI. Este documento sugere uma educação permanente, dirigida às necessidades das sociedades modernas, pois deve-se aprender ao longo de toda a vida.
 

Cabendo à educação contribuir para permitir às pessoas, desde a infância até ao fim da vida, obter um conhecimento dinâmico do mundo, dos outros e de si mesma, combinando os quatro pilares de educação: aprender e conhecer – cultura geral, aprender e fazer aprender a ser e aprender a viver juntos.
 

A Política Nacional do Idoso – PNI – Lei n.º 8842 visa assegurar vários direitos sociais dos idosos e na área de educação, apresenta como caminhos, dentre outros:
- Desenvolver programas educativos, especialmente nos meios de comunicação, a fim de informar a população sobre o processo de envelhecimento;
- Apoiar a criação de universidade aberta para a terceira idade, como meio universalizar o acesso às diferentes formas do saber.
 

Segundo Hathaway (2003), o envelhecimento é tratado, na maioria das vezes, como um fenômeno de declínio. Mas o curso de vida humana é muito mais que um resultado inevitável da biologia.
 

O desenvolvimento humano e conseqüentemente o envelhecimento, refletem a influência da genética e da cultura. Ao longo da vida acumula-se um conhecimento sobre a condução e o sentido da vida e, sob condições favoráveis, fica organizado de modo que pode transformar-se em algo muito especial: “ Sabedoria”.
 

Este conhecimento pode ser poderoso o bastante para compensar, ao menos em parte, as perdas biológicas. Em alguns casos, a cultura pode exceder os limites biológicos.
 

A inteligência mecânica, como um processamento básico da informação, declina com o passar da idade, já a Inteligência Pragmática, como conhecimento cultural pode manter-se até o final de nossa vida.
 

Segundo Gutierres Filho (2003), a idéia de envelhecimento bem-sucedido, ideal, uma longa velhice, sem perda do vigor físico e da agilidade mental do jovem, atrai o interesse das pessoas desde a antigüidade.
 

Desde os tempos mais remotos, os indivíduos que possuíam sabedoria, freqüentemente, assumiam posição de destaque na sociedade e tinham o respeito da comunidade. Isto porque, em tempos antigos, em culturas mais tradicionais e implicitamente em todas as civilizações orientais, o acúmulo dos anos na vida de alguns significava um acúmulo da sabedoria.
 

Na atualidade, diversos estudiosos dão ênfase à variedade de forças ligadas à longa existência, como calma, tranqüilidade, liberdade e sabedoria.
 

Para Alves (2003), “a sabedoria é uma função pertinente ao crescimento ao longo da vida, uma forma rara de especialização cognitiva, perfeição excessivamente difícil de ser atingida em sua totalidade”. Entenda-se, bem difícil mas possível de ser atingida.
 

Fonseca (1999) afirma que segundo importantes dicionários, a sabedoria foi definida como sendo uma “introspecção e um conhecimento sobre si mesmo e o mundo e parece ser uma espécie de julgamento no caso de difíceis problemas da vida”
 

Bem, a questão do envelhecimento bem-sucedido envolve aspectos que exigem das pessoas uma dose significativa de “sabedoria” para entender como agir diante de transformações tão profundas e muitas vezes difíceis de serem assimiladas.
 

É comum ouvirmos declarações de pessoas que envelheceram, de que “não sabiam o quanto era difícil envelhecer” ou mesmo de que “não se prepararam para envelhecer”.
 

O envelhecimento satisfatório compreende um equilíbrio entre as perdas e os ganhos do envelhecimento. Em termos biológicos, as perdas são muitas, pois como disse Hathaway (2003), “a biologia é inexorável”. Então o que sobra, o que nos resta ao envelhecer? Os estudos e pesquisas indicam que a sabedoria seria este ganho e talvez, ganho único, deste processo de envelhecimento.
 

Mas sabemos muito pouco ou mesmo quase nada, de como é possível incluir em nosso dia-a-dia, atitudes sábias e que venham a melhorar a nossa vida e a nossa convivência diária.
 

Porém, há um conjunto de critérios compreendido neste tão amplo conceito e que, uma vez conhecido, poderá nos permitir um envelhecimento que seja verdadeiramente considerado como satisfatório, bem-sucedido.
 


Aspectos Psicológicos e Cognitivos na Terceira Idade
 

A compreensão do estado emocional de um idoso implica na contextualização de sua história de vida, considerando que suas reações emocionais provavelmente estão diretamente relacionadas com as vivências que acumulou no transcorrer de sua existência.
 

Alguns aspectos são considerados essenciais a um envelhecimento bem-sucedido, que dependerá de equilíbrio efetivo entre a satisfação de suas necessidades pessoais e a de seus objetos de amor; maior tolerância às frustrações e controle dos impulsos agressivos, uma auto-imagem positiva e maior eficácia na avaliação da realidade (BLAZER, 2001).
 

Um envelhecimento bem-sucedido relaciona-se à maneira pela qual um idoso consegue adaptar-se às inúmeras situações de ganhos e perdas com as quais se depara. Como, por exemplo a aposentadoria, mudanças nos papéis sociais, perda de entes queridos, maior distanciamento dos filhos, perdas cognitivas e de funções orgânicas, alterações na própria auto-imagem e consciência da maior proximidade da morte.
 

Adaptação, no entanto, é diferente de resignação. Ao se adaptar, um indivíduo continua a viver utilizando-se de estratégias que o auxiliam na conservação de sua auto-estima, mantendo um equilíbrio mínimo e o estimulando a enfrentar novos desafios.
 

Os aspectos positivos relacionados a esta fase da vida dizem respeito ao acúmulo de experiência e à compreensão ampla, realista e objetiva da própria existência. Sua contribuição na construção da história viva de uma sociedade é fundamental e se relaciona à valorização de seu passado e de seus conhecimentos e vivências (DUARTE, 2000).
 

A diminuição fisiológica de algumas funções cognitivas representa um dos maiores fantasmas para os idosos por significar uma ameaça ao seu bem-estar e à sua auto-estima. As perdas neurológicas, no entanto, são as primeiras a aparecerem. Do nascimento, a partir de um total de cerca de 10 bilhões, há uma perda de 50.000 neurônios por dia. Estudos indicam que nos idosos estas perdas situam-se na faixa de 20 a 40%. Apesar desta diminuição progressiva, ela não impede o funcionamento mental e psicológico do idoso.
 

As funções intelectuais mais atingidas são a memória, o tempo de reação e a percepção, estas últimas são expressas pela redução da capacidade de receber e tratar informações provenientes do meio ambiente, prejudicando sua capacidade de interação e interferindo na sua capacidade de adaptação. Aos profissionais cabe auxiliar os idosos na adaptação frente a estas perdas, de modo que eles possam se manter alertas e em contato com o meio.
 

As mudanças físicas percebidas pelo idoso são encaradas por ponto de vista distinto. O pessimista vê a mudança como negativa e a classifica como perda; o otimista vê a mudança como positiva e a chama de ganho. Da mesma forma o cabelo branco é uma mudança normal da idade que não afeta a saúde. Se é uma perda ou um ganho, depende do ponto de vista sob o qual este fato é vivenciado .
 

O indivíduo desenvolve uma imagem de si mesmo através de um processo contínuo que é determinado pela vida individual mas que se estrutura na ação social. A auto-imagem está sempre em mudança, na medida em que o indivíduo cresce e se desenvolve, acrescentando a seu quadro pessoal de referências novas dimensões que alteram substancialmente a percepção de si mesmo e do mundo que o rodeia. Dentro dessa concepção, o indivíduo da terceira idade reflete na sua auto-imagem a história da sua vida; e o modo como ele percebe a si mesmo é conseqüência de suas experiências vitais (BLAZER, 2001).
 

A auto-estima, tem gradações e mudanças que possibilitam as diferentes imagens e que resultam das experiências estabelecidas no intercâmbio humano. É precisamente porque a inter-relação entre auto-imagem e auto-estima é tão íntima, que uma depende da outra e conseqüentemente, as próprias gradações e mudanças são simultâneas em ambas quando acontecem. Quando uma é alta em relação a algum critério adotado, ambas são altas; quando uma é baixa, ambas são baixas. A auto-estima alta surge de experiências positivas com a vida e com a afeição, enquanto a auto-estima baixa resulta de fatores negativos.
 

Os idosos praticantes de atividade física têm características de personalidade mais positivas do que idosos não praticantes. As pessoas que sempre fizeram atividade física mostram-se mais confiantes e emocionalmente mais seguras. Idosos fisicamente ativos tendem a ter melhor saúde e mais facilidade para lidar com situações de estresse e tensão e atitudes mais positivas para as atividades de vida diária, a relação entre atividade física e satisfação de vida mostram que os sentimentos positivos de auto-estima e auto-imagem são prevalecentes em tal relação (BLAZER, 2001).
 

 
Atividades lúdicas aquáticas
 

Para Gutierres Filho (2003), trabalhar com a ludicidade na água é, além de prazeiroso, altamente facilitador, pois a densidade e o peso específico da água possibilitam uma grande redução do peso corporal sobre as articulações, fazendo com que a flutuação vença a ação da gravidade. Os movimentos globais ou segmentares, mesmo sem muita força e amplitude, estimulam a proprioceptividade, contribuindo para a estruturação do esquema corporal. Esse é um dos fatores fundamentais para a aprendizagem das habilidades aquáticas em qualquer faixa etária. O comportamento aquático dependerá da integração de dados que o cérebro organizar e o corpo experimentar.
 

A todo instante o corpo recebe informações táteis, visuais, auditivas e cinestésicas que, enviadas ao cérebro passam pelo tráfego neurológico, dando respostas corporais adequadas ou inadequadas, dependendo da organização cerebral.
 

E sendo a água um elemento altamente prazeiroso, podemos utilizá-la como estratégia na aplicação de atividades lúdicas no trabalho de natação adaptada. Dentro da água desaparecem as barreiras que marginalizam os deficientes (como cadeiras de rodas, bengalas, muletas, próteses ...). Nesse ambiente, aquele que vive a dependência passa a experimentar o prazer da autonomia em seus movimentos. Sabendo que o excepcional é aquele que não consegue disfarçar, tomamos a postura, educadores físicos, de terapeutas, "cirurgiões plásticos" da emoção e da ação.
 

O objetivo visa, fundamentalmente, o bem-estar, a reestruturação da autoconfiança – muitas vezes perdida – e o prazer da realização. Os benefícios desse trabalho promovem uma melhor adequação funcional, motora e social nos elementos acometidos de diferentes comprometimentos.
 

De acordo com Bueno (1998), associar o vivido aos objetivos predeterminados é a base dessa aprendizagem, as atividades corporais e as atividades relacionais devem ser consideradas complementares, evoluindo conjuntamente para uma concreta expressão corporal.
 

Pouco a pouco, à medida que o indivíduo vai vivenciando por meio do resgate do prazer corporal a consciência de suas ações, sua relação com o mundo torna-se mais consistente e mais proveitosa. Bueno (1998) diz que “cada tomada de consciência é um ato criador”, referindo-se aqui à importância da vivência e sua relação com o ato criativo.
 

Num trabalho lúdico na água com idosos, a proposta a ser apresentada deve evoluir com a demanda do grupo. Precisa-se acreditar que todo indivíduo possui carga para o outro, sendo latente em alguns e encoberta em outros. Entretanto, a capacidade de criação não pode ser comandada (AFONSO JÚNIOR, 2005).
 

À medida que se desenvolvem as vivências, os movimentos criativos vão nascendo naturalmente, os gestos vão adquirindo significados e expressando autenticamente seus desejos e demandas. Aos poucos, pelo aprofundamento e condução das atividades, os indivíduos passam a expressar mais claramente suas emoções por meio do movimento, libertando-se pouco a pouco de seus bloqueios em atividades espontâneas e estabelecendo uma relação mais estruturada consigo mesmos, reconstruindo sua auto-imagem.
 

A proposta de trabalho nas sessões de atividades lúdicas aquática tem dupla vertente: por um lado, procura-se suscitar idéias, propor, estimular, desafiar... “enriquecer a motivação para a realidade água que, deixada a atuar, irá provocar-lhes e exigir-lhes mobilidade, curiosidade e experimentação”, a fim de que manipulem essa água, a tratem e operem nela. Por outro, os aspectos relacionais situam-se no âmbito da intervenção afetivo-emocional. Nesse sentido, a afetividade, a ternura, baseadas no toque corporal são fundamentais, pois permitir ser tocado e tocar também faz parte das relações humanas. O toque corporal é a interligação da sua segurança emocional, que se inicia e se investe no processo de familiarização, adaptação e confiança deles na água, com o mundo dos objetos e dos seres humanos que os rodeiam. O calor humano estabelecido nas ações do indivíduo, salientando a importância da qualidade do afeto nas relações corporais.
 

Simbolicamente um material regressivo (meio intra-uterino), principalmente quando é morno, favorecendo a sensualidade e a afetividade no contato corporal, podendo também ser propiciador de atividade tônica (contraste do quente e frio). Favorece a relação e o limite na piscina propriamente dita, onde um grande volume de água tem significados muito diferentes dos de pouca quantidade (BUENO, 1998).
 

São diversos os materiais utilizados no meio líquido, onde referem-se mais à utilização da coordenação motora fina, no aspecto funcional psicomotor e na elaboração de situações-problemas em cima do vivido (MOURA, 2003).
 

O espaço onde o material está inserido, o sujeito e o conteúdo do sujeito representam a coesão e estrutura do trabalho lúdico aquático.
 

As pranchas retangulares ou de outras formas mais criativas, servem para atividades de equilíbrio dinâmico e jogos em grupo.
 

Os tubos flutuantes, pranchas e colchonetes de um metro de diâmetro, favorecem jogos de equilíbrio e desequilíbrio, podendo ser transformados em casas ou túneis, propiciando atividades sensório-motoras e simbólicas.
 

Se forem de espessura pequena, bem flexíveis e coloridas, são interessantes para exploração da sensação cinestésica e pelo envolvimento com o corpo, podendo suscitar situações simbólicas importantes de envolvimento e afetividade, como também trazer lembranças de animais que tocam o corpo da pessoa na água, assemelhando-se à sua textura.
 

Os arcos na água são materiais muito usados para se entrar e sair, para “mergulhar”, para envolver, para se explorar as situações de desequilíbrio que a água propicia em função de suas características, bem como outras situações mais técnicas, como a de facilitar com pouco ponto de apoio e referência, nos remetendo sempre a um objetivo de facilitar a autoconfiança.
 

A possibilidade de utilização dos diversos materiais citados e de outros talvez esquecidos permite estruturar situações de vivência corporal objetivando atingir a plenitude dessa interrelação entre atividades aquáticas e ludicidade. A possibilidade de explorar o material livremente e a observação do outro nessa exploração propiciam naturalmente a aquisição e a exercitação dos conceitos psicomotores e sociais em relação a seu próprio corpo. A variedade de materiais deve ser incentivada para auxiliar o indivíduo iniciante, que o utiliza como objeto de reforço, quando são aplicadas duas atividades iguais modificando-se apenas o material, impedindo com isso que a dificuldade de adaptação a mudanças e ao novo se instale com tanta intensidade (LORDA, 2000).
 

No aspecto cognitivo, a utilização de materiais lúdicos e situações-problemas propiciam ao idoso descobrir outras formas de lidar com seu corpo e com isso adquirir novas referências espaciais e corporais, contribuindo para a aquisição de um adequado esquema e imagem corporal e uma conseqüente organização tônico-emocional (FERREIRA, 2002).
 

Reforçando, isso não substitui o próprio material de que dispomos, o nosso corpo, sobre o qual inúmeras progressões podem ser efetuadas conforme a intimidade do indivíduo com seu próprio corpo e com o meio líquido, de forma individual ou grupal, lúdica ou orientada.
 


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES

 

As mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais que ocorrem com o processo de envelhecimento, vão influenciar de maneira decisiva no comportamento da pessoa idosa. Com o declínio gradual das aptidões físicas, o impacto do envelhecimento e das doenças, o idoso tende a ir alterando seus hábitos de vida e rotinas diárias por atividades e formas de ocupação pouco ativas.
 

Os efeitos associados a inatividade e a má adaptabilidade são muito sérios. Pode acarretar numa redução no desempenho físico, na habilidade motora, na capacidade de concentração, de reação e de coordenação, gerando processos de auto-desvalorização, apatia, insegurança, perda da motivação, isolamento social e a solidão.
 

A promoção de saúde e a qualidade de vida são os objetivos mais importantes numa atividade física com idosos. É fundamental que o idoso aprenda a lidar com as transformações de seu corpo e tire proveito de sua condição, prevenindo e mantendo em bom nível sua plena autonomia. Para isso é necessário que se procure estilos de vida ativos, integrando atividades físicas a sua vida cotidiana. A atividade aquática através da ludicidade deve ser: atraentes, diversificados, com intensidade moderada, de baixo impacto - realizados de forma gradual, e promover a aproximação social, sendo desenvolvidos de preferência coletivamente, respeitando as individualidades de cada um, sem estimular atividades competitivas, pois o que interessa é o despertar do seu próprio corpo, a manutenção ou ganho da sua auto-estima.
 

Recomenda-se uma maior atenção as pessoas da terceira idade que estão começando a atividade aquática visando frisar mais a parte lúdica levando em conta a maior descontração. Utilizar a hidroginástica como agente auxiliar no desenvolvimento saudável do idoso para o resgate da auto-imagem
 

No decorrer deste estudo constatou-se a necessidade de preencher lacunas existentes no conhecimento da utilização de atividades lúdicas nas aulas de hidroginástica. Ter novas idéias e abrir caminhos.
 

Ao término deste estudo recomenda-se a continuidade da pesquisa científíca, por meio de pesquisa de campo, comprovando que a atividade lúdica aquática realmente promove benefícios em pessoas da 3ª idade.
 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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- Todo crédito e responsabilidade do conteúdo são de seus autores.
- Publicado em 07/2009

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