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As modalidades terapêuticas
complementares, como a acupuntura, a homeopatia, as técnicas que integram
mente e corpo e muitas outras, vêm sendo utilizadas com freqüência
crescente por pacientes com câncer.
Estudos realizados nos Estados Unidos e Europa indicam que em torno de 30%
dos pacientes procuram uma ou mais destas técnicas para complementar seu
tratamento, muitas vezes, sem o conhecimento de seus médicos.
A acupuntura é utilizada na China há milênios, tendo se difundido para
outras áreas do oriente e também do ocidente. A acupuntura é um dos
principais aspectos da medicina tradicional chinesa, que se utiliza também
de dietas e exercícios físicos para combater a doença e promover a saúde.
É importante que se tenha em mente que o conceito de doença para os
orientais é um pouco diferente do conceito ocidental.
Desta forma, a medicina chinesa em geral, e a acupuntura em particular,
analisam, não só a queixa trazida pelo paciente, mas também diversos
aspectos físicos e mentais que permitem se chegar a um diagnóstico. O
enfoque é dado a cada paciente, com suas características únicas,
tratando-se o doente e não a doença. Dois pacientes com a mesma doença
recebem, muitas vezes, tratamentos diversos. O diagnóstico, na medicina
chinesa, é feito a partir da análise de dados da história e exame físico
do paciente, que englobam os dados levantados em uma consulta médica
ocidental e outros, como a análise do pulso e da língua, o interrogatório
sobre preferências e aversões, e a avaliação do estado emocional do
paciente.
A técnica da acupuntura baseia-se na colocação de agulhas muito finas em
pontos específicos localizados na pele.
Segundo a teoria da medicina chinesa, os pontos estimulam a energia e
promovem o equilíbrio do organismo. O tratamento é feito ao longo de
sessões de 20 a 30 minutos, realizadas 1 a 2 vezes por semana.
A acupuntura vem sendo estudada em vários aspectos do tratamento do
câncer. Devido à crescente demanda de pacientes que buscam as terapias
complementares e, também, porque muitas destas modalidades são praticadas
de forma não criteriosa, órgãos envolvidos na regulamentação da área de
Oncologia resolveram patrocinar e incentivar um estudo mais detalhado de
algumas técnicas.
Assim, o "National Institutes of Health", órgão norte-americano
equivalente ao nosso Ministério da Saúde, criou uma agência especial para
estudar, de forma científica, as medicinas complementares. O próprio "National
Institutes of Health" reconheceu a validade da acupuntura no tratamento
complementar da náusea, induzida por determinados tipos de quimioterapia.
Outras possíveis indicações da acupuntura no tratamento do câncer, que
ainda estão sendo estudadas mais a fundo, incluem o controle da dor e da
fadiga e a promoção de um melhor bem-estar durante o tratamento. No
Brasil, a acupuntura adquiriu, recentemente, o status de especialidade
médica, com credenciamento e atividades normatizadas pela Associação
Médica Brasileira.
A proposta da acupuntura, no que diz respeito ao tratamento do paciente
com câncer, é de servir como um complemento ao tratamento convencional.
Idealmente, o paciente em tratamento por acupuntura deve informar seu
médico e saber se, a princípio, não haveria contra-indicações para esta
prática naquele determinado momento do seu tratamento. Espera-se que, num
futuro próximo, possamos aliar o que existe de melhor na medicina
convencional às modalidades complementares que se mostrem eficazes no
tratamento do câncer.
por:
Dra. Helena M. Campiglia
Clínica Geral
revista Hands nº 1 - outubro / novembro 2000
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