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A Organização Mundial de Saúde (WHO) estabeleceu uma rede mundial
para a vigilância de infecções causadas pelo vírus Influenza em
humanos. O objetivo principal desta rede é a rápida detecção e
caracterização de variantes virais emergentes para contribuir com a
seleção de amostras virais para o desenvolvimento de vacinas. Para
isto, o monitoramento das infecções pelo vírus Influenza em outras
espécies de mamíferos e aves é essencial para o trabalho de
vigilância epidemiológica em humanos. O entendimento da ecologia das
infecções causadas pelo vírus Influenza, relevantes para a saúde
humana e animal, e a determinação das bases moleculares que envolvem
a transmissão interespécies e disseminação viral a novos hospedeiros
são essenciais para o controle desta infecção.
A Influenza é causada por um vírus zoonótico que afeta uma grande
variedade de espécies de mamíferos e aves, incluindo o homem. O
principal reservatório para os vírus Influenza são as aves
aquáticas. Esporadicamente, vírus Influenza originários dessas aves
podem ser transmitidos a outras espécies de aves ou mamíferos.
Ao contrário da Influenza aviária, que é exótica no plantel
comercial de aves do Brasil, a Influenza é considerada uma doença
endêmica em suínos, onde estão presentes principalmente os subtipos
A/H1N1 e A/H3N2. Nestes, a infecção caracteriza-se pelo aparecimento
súbito, com alta morbidade (até 100%), principalmente em rebanhos
que não apresentam uma imunidade prévia ao agente. A principal via
de transmissão é o contato direto, através de secreções
nasofaríngeas infectadas pelo vírus. O contato próximo entre animais
(geralmente intensificado pelas práticas de manejo em uso), a
ocorrência de situações estressantes, fatores climáticos e
ambientais propiciam a disseminação do vírus Influenza em rebanhos
suínos suscetíveis. Surtos da doença podem ocorrer durante todo o
ano, mas, geralmente, no inverno, o número de casos da doença
aumentam. Em outras vezes, a infecção pelo vírus Influenza pode
passar desapercebida, com poucos animais acometidos. Mas é
importante ressaltar que as infecções pelo vírus Influenza podem ser
uma porta de entrada para outras infecções respiratórias em suínos,
como, por exemplo, as infecções causadas pelo vírus de Aujeszky,
Mycoplasma hyopneumoniae, Pasteurella multocida e Actinobacillus
pleuropneumoniae.
A espécie suína possui um papel importante na epidemiologia dos
vírus Influenza uma vez que foi identificada como sendo a única
espécie animal que pode infectar-se tanto com amostras de origem
aviária como de origem humana. Este mecanismo, conhecido como
antigenic shift é um dos responsáveis pela grande variabilidade
genética observada nestes vírus. Desta forma, o suíno funcionaria
como hospedeiro intermediário, importante para a transmissão do
vírus de aves a humanos. Uma das hipóteses levantadas para a
ocorrência de pandemias do vírus Influenza na população humana nos
últimos anos é de que o suíno serviria como 'agente de mixagem' dos
vírus de origem aviária e humana, possibilitando que os vírus de
aves infectem células de humanos. Portanto, o estabelecimento de um
sistema de monitoramento das infecções causadas pelo vírus Influenza
em suínos no Brasil é importante uma vez que o suíno funcionaria
como um sentinela para epidemias de Influenza em humanos e aves e
também como modelo para a investigação epidemiológica e molecular do
vírus Influenza. O entendimento dos mecanismos moleculares que
possibilitam que um agente infeccioso transponha a barreira
interespécies é essencial para o desenvolvimento de medidas efetivas
de controle da infecção. O monitoramento das populações suínas
visando a identificação de vírus influenza 'tipo aviário' faz parte
de um plano mundial preconizado pela WHO (World Health Organization)
e OIE (Office Internacional des Épizooties) para o combate às
infecções causadas pelo vírus Influenza em humanos e animais
domésticos.
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