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Resumo
O mecanismo do broncoespasmo está presente em grande número de
patologias, que acometem o sistema respiratório, sendo desencadeada por
vários fatores. A Fisioterapia encontra-se constantemente diante de tal
afecção, e, deste modo, torna-se de grande importância a compreensão do
mecanismo fisiológico para que a atuação do Fisioterapeuta não venha a
piorar o quadro e, possa transcorrer da melhor forma possível na
reabilitação do paciente.
Palavras Chaves: Broncoespamo;
Fisioterapia; Reabilitação
Abstract
This article has the objective to show the importance of knowledge about the
physiology of respiratory diseases and how the physiotherapy treatment can
help in the patient´s reahbilitation . The Phisiotherapist must know the
disease and all their symptoms to choose the best treatment that will be
used and make results as soon as possible to propitiate the patients became
to his own life actions.
Key words: Physiotherapy; Physiotherapist; Reahbilitation
Introdução
A Fisioterapia vem se destacando como conduta terapêutica eficaz
no tratamento das enfermidades do sistema respiratório. Afecções da caixa
torácica, condutos respiratórios, parênquima pulmonar e sistema muscular vêm
respondendo satisfatoriamente ao tratamento empregado com técnicas de
fisioterapia respiratória, cinesiológica e manuais.
O principio básico que rege a reabilitação pneumo-funcional é o de adaptar o
indivíduo a uma vida social e laborativa, compatível com seu grau de
disfunção pulmonar. A indicação da Fisioterapia como conduta de tratamento e
prevenção à complicações das enfermidades do sistema respiratório constitui
uma medida correta, garantindo desta forma uma terapêutica mais eficaz. Este
tratamento é dividido em fases, as quais possuem objetivos específicos a fim
de facilitar a progressão das técnicas empregadas e a avaliação do sucesso
da terapia. (1)
As enfermidades do sistema respiratório podem cursar com um quadro de
broncoespasmo e, a partir deste fato, é necessário, por parte da equipe
fisioterapêutica, conhecer muito bem este mecanismo, uma vez que para
implantar um programa de reabilitação pulmonar, a presença, ou mesmo, a
tendência à instalação do quadro, requer maiores cuidados e o uso de
técnicas as quais não venham a piorar a evolução do paciente. A prática de
manobras fisioterapêuticas em quadros de broncoespasmo severos pode piorar a
evolução do paciente, onde somente a oxigenoterapia constitui, em alguns
casos, a única medida a ser utilizada. A execução de exercícios para melhora
da ventilação aumenta o trabalho cardio-respiratório, e leva o doente a uma
propensão à fadiga (IRPA), indo desta forma de encontro ao objetivo
principal do tratamento: a melhora do paciente.(3)
Desenvolvimento
Análise Fisiológica e Terapêutica Farmacológica do
Broncoespasmo
A Contração da musculatura brônquica pode ocorrer como forma de defesa do
organismo a algum corpo estranho que esteja presente na árvore respiratória.
Desta forma, a diminuição da luz brônquica, resultante do bronco-espasmo e
da presença deste corpo estranho, promove queda da ventilação, desencadeando
e/ou piorando o quadro de Atelectasia. (2)
O Mecanismo protetor do bronco-espasmo ocorre através da excitação dos
mastócitos, localizados nas paredes dos brônquios, havendo proliferação
histamínica, e resultando na instalação da contração protetora da
musculatura lisa da árvore brônquica. Esta contração muscular é dependente
da elevação intracelular de cálcio ionizado livre no citosol, mais
precisamente ao nível das proteínas contráteis: actina e miosina. O aumento
da concentração de Ca++ no interior das células musculares, depende da
liberação dos reservatórios intra-celulares, destacando o retículo
sarcoplasmático. Esta liberação se dá através da ativação de receptores da
membrana do músculo liso por autacóides endógenos e neurotransmissores, os
quais podem ser liberados através de crises alergênicas, exercícios físicos
e distúrbios psicossomáticos. Como exemplo destes autacóides destacam-se a
histamina e os leucotrienos, e representando os neurotransmissores, a
acetilcolina e a noradrenalina. (4)
O processo de broncodilatação depende de fatores que reduzam esta alta
concentração de Ca++ no interior das células, ou ainda, que impeçam a
fosforilação da miosina, impedindo a formação do complexo actina-miosina.
Todavia os processos de relaxamento envolvem ativação de mecanismos ativos,
pois o cálcio terá que ser transportado do citosol para regiões de baixas
concentrações, ou para o espaço extracelular. Estes mecanismos envolvem a
participação de substâncias com a Adenosina Mono-Fosfato ( AMP ). (4)
O AMP pode ser formado pela ação do hormônio adrenérgico sobre o receptor
B2, responsável pela transformação do ATP em AMP. Este AMP possui varias
funções, e entre estas o efluxo de cálcio, ou seja, a retirada do interior
da célula dos íons Ca++. Desta forma, o AMP pode ser considerado como fator
importante e modulador do mecanismo de broncodilatação. (4)
A broncodilatação e a broncoconstrição dependem de um equilíbrio ou
desequilíbrio entre os fatores que tendem a relaxar ou contrair o músculo
liso respiratório. Entre estes fatores os sistemas adrenérgicos e
colinérgicos são importantes no controle do tono bronquiolar. Assim sendo,
os medicamentos que ativam (agonistas) ou que inibem (antagonistas) são
potencialmente importantes na terapêutica da patologia. (4)
Os receptores adrenérgicos são divididos em dois grandes grupos, alfa e
beta, com seus respectivos sub-grupos: Alfa 1 e 2, e Beta 1,2,3. Na tabela
abaixo encontram-se listadas as principais respostas observadas com a
ativação dos receptores Alfa, Beta-1, Beta-2. (4)
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Tabela VI –
Respostas da ativação dos receptores adrenérgicos |
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Receptores ALFA |
Receptores BETA-1 |
Receptores BETA-2 |
| Vasoconstrição |
Aumento da
Freqüência cardíaca |
Relaxamento
bronquiolar |
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Broncoconstrição |
Aumento do
inotropismo cardíaco |
Aumento da
secreção de fluido do trato respiratório |
| Midríase |
Aumento da
condução do potencial de ação do miocárido |
Inibição
histamínica |
| Sudorese |
Arritmias
cardíacas |
Ativação
miocárdica |
| Piloereção |
Dilatação
coronariana |
Ativação Sistema
Nervoso Central |
| Agregação
plaquetária |
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Bethlem;
Pneumologia, 4ª edição; Atheneu |
Os medicamentos adrenérgicos mais adequados no tratamento do broncoespasmo
seriam aqueles que promovessem ação principal nos receptores Beta-2, com
mínima atuação sobre os demais. Inúmeros compostos adrenérgicos possuem ação
principal nos receptores Beta-2, quando aplicados de dosagem terapêutica.
Nas dosagens altas, aparecem quadros de arritmias cardíacas graves, devido à
excitação de receptores Beta-1. (4)
Dentre os principais agonistas dos receptores adrenérgicos temos a
adrenalina, capacitada a estimular todos os receptores Alfa e Beta, e a
noradrenalina, sendo esta capaz de estimular os receptores Alfa-1, Alfa-2 e
Beta-3. A Efedrina se comporta de forma semelhante a adrenalina. Partindo
deste ponto, considera-se correto o uso da adrenalina e da efedrina somente
em casos de reversão urgente do broncoespasmo, tendo em vista o grande
número de efeitos adversos. (4)
Como principais ativadores de receptores Beta-2 temos o Sulfato de
Salbutamol, Bromidrato de Fenoterol, Sulfato de Terbutalina e o
Hidroxinaftoato de Salmeterol. Estes fármacos promovem ação broncodilatadora
quando administrados de forma terapêutica, podendo causar problemas
cardíacos em dosagens altas, como citado anteriormente. Estas afecções
cardíacas são explicadas pela excitação dos demais receptores adrenérgicos,
assim como resultado da hipocalemia acentuada. (5 )
A utilização de anticolinégicos também reduz o espasmo da musculatura
bronquial, através da excitação de receptores muscarínicos, induzindo a
broncodilatação. Destaca-se a utilização do brometo de Ipratrópio. (5 )
Conclusão
A Fisioterapia atua nas doenças pulmonares revertendo, juntamente
com a equipe médica, a doença de base e melhorando o gradiente
ventilação-perfusão do paciente. Esta melhora se dá tanto na função
pulmonar, assim como no funcionamento muscular envolvido em todo o processo
da respiração.
O Fisioterapeuta faz uso de várias técnicas desobstrutivas e incentivadoras
para melhora da respiração, e torna-se de grande importância a compreensão
do mecanismo do broncoespasmo para a escolha, por parte do fisioterapeuta,
da melhor linha de tratamento a ser utilizada.
Outro ponto a ser considerado é o conhecimento da farmacologia utilizada
para reversão do quadro de broncoespasmo, onde dependendo da medicação que
está sendo administrada ao paciente, o mesmo desenvolve alterações
cardíacas, referentes ao aumento do cronotropismo, restringindo assim a
execução de técnicas cinesiológicas na abordagem fisioterapêutica.
O conhecimento da fisiologia do broncoespasmo, assim como da terapêutica
farmacológica utilizada para reversão do quadro, representa uma importante
ferramenta para o fisioterapeuta, sendo necessário para a elaboração do
programa de reabilitação, permitindo que a afecção seja contornada de forma
eficaz, em um menor período de tempo, retornando o pacientes às suas
atividades da vida diária o mais precoce possível.
Referências Bilbiográficas
1. Rodrigues, SL. Reabilitação Pulmonar, conceitos básicos. Manole,
2003
2. Knobel. Terapia Intensiva em Pneumologia. Atheneu 2002
3. Azeredo, CAC. Fisioterapia Respiratória Moderna. 4ªed. Manole,
2002
4. Bethlem, N. Pneumologia. 4ª ed. Atheneu, 1995
5. Lotti, GA; Braschi, A. Monitorização da Mecânica respiratória.
Atheneu, 2004 |