Referência  em  FISIOTERAPIA  na  Internet

 www.fisioweb.com.br 


Trabalho realizado por:
Daniel Domenici Mozzer *
Artur Laizo **
Contato: Daniel Mozzer
E-mail: mozzerfisio@yahoo.com.br

* Fisioterapeuta, Pós Graduado em Fisioterapia Pneumo-funcional pela Universidade Castelo Branco;
 
** Médico e Professor das disciplinas de Farmacologia, Urgência e Socorros e Pneumologia da Faculdade de Fisioterapia da UNIPAC, Juiz de Fora - MG;


A Crise de Broncoespasmo: Uma análise Fisioterapêutica

 

Resumo

O mecanismo do broncoespasmo está presente em grande número de patologias, que acometem o sistema respiratório, sendo desencadeada por vários fatores. A Fisioterapia encontra-se constantemente diante de tal afecção, e, deste modo, torna-se de grande importância a compreensão do mecanismo fisiológico para que a atuação do Fisioterapeuta não venha a piorar o quadro e, possa transcorrer da melhor forma possível na reabilitação do paciente.

Palavras Chaves: Broncoespamo; Fisioterapia; Reabilitação


Abstract

This article has the objective to show the importance of knowledge about the physiology of respiratory diseases and how the physiotherapy treatment can help in the patient´s reahbilitation . The Phisiotherapist must know the disease and all their symptoms to choose the best treatment that will be used and make results as soon as possible to propitiate the patients became to his own life actions.

Key words: Physiotherapy; Physiotherapist; Reahbilitation


Introdução

A Fisioterapia vem se destacando como conduta terapêutica eficaz no tratamento das enfermidades do sistema respiratório. Afecções da caixa torácica, condutos respiratórios, parênquima pulmonar e sistema muscular vêm respondendo satisfatoriamente ao tratamento empregado com técnicas de fisioterapia respiratória, cinesiológica e manuais.

O principio básico que rege a reabilitação pneumo-funcional é o de adaptar o indivíduo a uma vida social e laborativa, compatível com seu grau de disfunção pulmonar. A indicação da Fisioterapia como conduta de tratamento e prevenção à complicações das enfermidades do sistema respiratório constitui uma medida correta, garantindo desta forma uma terapêutica mais eficaz. Este tratamento é dividido em fases, as quais possuem objetivos específicos a fim de facilitar a progressão das técnicas empregadas e a avaliação do sucesso da terapia. (1)
As enfermidades do sistema respiratório podem cursar com um quadro de broncoespasmo e, a partir deste fato, é necessário, por parte da equipe fisioterapêutica, conhecer muito bem este mecanismo, uma vez que para implantar um programa de reabilitação pulmonar, a presença, ou mesmo, a tendência à instalação do quadro, requer maiores cuidados e o uso de técnicas as quais não venham a piorar a evolução do paciente. A prática de manobras fisioterapêuticas em quadros de broncoespasmo severos pode piorar a evolução do paciente, onde somente a oxigenoterapia constitui, em alguns casos, a única medida a ser utilizada. A execução de exercícios para melhora da ventilação aumenta o trabalho cardio-respiratório, e leva o doente a uma propensão à fadiga (IRPA), indo desta forma de encontro ao objetivo principal do tratamento: a melhora do paciente.(3)



Desenvolvimento

Análise Fisiológica e Terapêutica Farmacológica do Broncoespasmo

A Contração da musculatura brônquica pode ocorrer como forma de defesa do organismo a algum corpo estranho que esteja presente na árvore respiratória. Desta forma, a diminuição da luz brônquica, resultante do bronco-espasmo e da presença deste corpo estranho, promove queda da ventilação, desencadeando e/ou piorando o quadro de Atelectasia. (2)

O Mecanismo protetor do bronco-espasmo ocorre através da excitação dos mastócitos, localizados nas paredes dos brônquios, havendo proliferação histamínica, e resultando na instalação da contração protetora da musculatura lisa da árvore brônquica. Esta contração muscular é dependente da elevação intracelular de cálcio ionizado livre no citosol, mais precisamente ao nível das proteínas contráteis: actina e miosina. O aumento da concentração de Ca++ no interior das células musculares, depende da liberação dos reservatórios intra-celulares, destacando o retículo sarcoplasmático. Esta liberação se dá através da ativação de receptores da membrana do músculo liso por autacóides endógenos e neurotransmissores, os quais podem ser liberados através de crises alergênicas, exercícios físicos e distúrbios psicossomáticos. Como exemplo destes autacóides destacam-se a histamina e os leucotrienos, e representando os neurotransmissores, a acetilcolina e a noradrenalina. (4)

O processo de broncodilatação depende de fatores que reduzam esta alta concentração de Ca++ no interior das células, ou ainda, que impeçam a fosforilação da miosina, impedindo a formação do complexo actina-miosina. Todavia os processos de relaxamento envolvem ativação de mecanismos ativos, pois o cálcio terá que ser transportado do citosol para regiões de baixas concentrações, ou para o espaço extracelular. Estes mecanismos envolvem a participação de substâncias com a Adenosina Mono-Fosfato ( AMP ). (4)

O AMP pode ser formado pela ação do hormônio adrenérgico sobre o receptor B2, responsável pela transformação do ATP em AMP. Este AMP possui varias funções, e entre estas o efluxo de cálcio, ou seja, a retirada do interior da célula dos íons Ca++. Desta forma, o AMP pode ser considerado como fator importante e modulador do mecanismo de broncodilatação. (4)

A broncodilatação e a broncoconstrição dependem de um equilíbrio ou desequilíbrio entre os fatores que tendem a relaxar ou contrair o músculo liso respiratório. Entre estes fatores os sistemas adrenérgicos e colinérgicos são importantes no controle do tono bronquiolar. Assim sendo, os medicamentos que ativam (agonistas) ou que inibem (antagonistas) são potencialmente importantes na terapêutica da patologia. (4)

Os receptores adrenérgicos são divididos em dois grandes grupos, alfa e beta, com seus respectivos sub-grupos: Alfa 1 e 2, e Beta 1,2,3. Na tabela abaixo encontram-se listadas as principais respostas observadas com a ativação dos receptores Alfa, Beta-1, Beta-2. (4)

 

Tabela VI – Respostas da ativação dos receptores adrenérgicos
Receptores ALFA Receptores BETA-1 Receptores BETA-2
Vasoconstrição Aumento da Freqüência cardíaca Relaxamento bronquiolar
Broncoconstrição Aumento do inotropismo cardíaco Aumento da secreção de fluido do trato respiratório
Midríase Aumento da condução do potencial de ação do miocárido Inibição histamínica
Sudorese Arritmias cardíacas Ativação miocárdica
Piloereção Dilatação coronariana Ativação Sistema Nervoso Central
Agregação plaquetária    

Bethlem; Pneumologia, 4ª edição; Atheneu



Os medicamentos adrenérgicos mais adequados no tratamento do broncoespasmo seriam aqueles que promovessem ação principal nos receptores Beta-2, com mínima atuação sobre os demais. Inúmeros compostos adrenérgicos possuem ação principal nos receptores Beta-2, quando aplicados de dosagem terapêutica. Nas dosagens altas, aparecem quadros de arritmias cardíacas graves, devido à excitação de receptores Beta-1. (4)

Dentre os principais agonistas dos receptores adrenérgicos temos a adrenalina, capacitada a estimular todos os receptores Alfa e Beta, e a noradrenalina, sendo esta capaz de estimular os receptores Alfa-1, Alfa-2 e Beta-3. A Efedrina se comporta de forma semelhante a adrenalina. Partindo deste ponto, considera-se correto o uso da adrenalina e da efedrina somente em casos de reversão urgente do broncoespasmo, tendo em vista o grande número de efeitos adversos. (4)

Como principais ativadores de receptores Beta-2 temos o Sulfato de Salbutamol, Bromidrato de Fenoterol, Sulfato de Terbutalina e o Hidroxinaftoato de Salmeterol. Estes fármacos promovem ação broncodilatadora quando administrados de forma terapêutica, podendo causar problemas cardíacos em dosagens altas, como citado anteriormente. Estas afecções cardíacas são explicadas pela excitação dos demais receptores adrenérgicos, assim como resultado da hipocalemia acentuada. (5 )

A utilização de anticolinégicos também reduz o espasmo da musculatura bronquial, através da excitação de receptores muscarínicos, induzindo a broncodilatação. Destaca-se a utilização do brometo de Ipratrópio. (5 )


Conclusão

A Fisioterapia atua nas doenças pulmonares revertendo, juntamente com a equipe médica, a doença de base e melhorando o gradiente ventilação-perfusão do paciente. Esta melhora se dá tanto na função pulmonar, assim como no funcionamento muscular envolvido em todo o processo da respiração.

O Fisioterapeuta faz uso de várias técnicas desobstrutivas e incentivadoras para melhora da respiração, e torna-se de grande importância a compreensão do mecanismo do broncoespasmo para a escolha, por parte do fisioterapeuta, da melhor linha de tratamento a ser utilizada.

Outro ponto a ser considerado é o conhecimento da farmacologia utilizada para reversão do quadro de broncoespasmo, onde dependendo da medicação que está sendo administrada ao paciente, o mesmo desenvolve alterações cardíacas, referentes ao aumento do cronotropismo, restringindo assim a execução de técnicas cinesiológicas na abordagem fisioterapêutica.

O conhecimento da fisiologia do broncoespasmo, assim como da terapêutica farmacológica utilizada para reversão do quadro, representa uma importante ferramenta para o fisioterapeuta, sendo necessário para a elaboração do programa de reabilitação, permitindo que a afecção seja contornada de forma eficaz, em um menor período de tempo, retornando o pacientes às suas atividades da vida diária o mais precoce possível.


Referências Bilbiográficas

1. Rodrigues, SL. Reabilitação Pulmonar, conceitos básicos. Manole, 2003

2. Knobel. Terapia Intensiva em Pneumologia. Atheneu 2002

3. Azeredo, CAC. Fisioterapia Respiratória Moderna. 4ªed. Manole, 2002

4. Bethlem, N. Pneumologia. 4ª ed. Atheneu, 1995

5. Lotti, GA; Braschi, A. Monitorização da Mecânica respiratória. Atheneu, 2004

 

Obs.:
- Todo crédito e responsabilidade do conteúdo é de seu autor.
- Publicado em 27/04/06

 


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