Referência  em  FISIOTERAPIA  na  Internet

 www.fisioweb.com.br 


Trabalho realizado por:
Jamila de Lima da Cunha Oliveira*
E-mail: limajamila@Yahoo.com.br

* Fisioterapeuta.
* Graduação pela Universidade Castelo Branco
* Pós-Graduação Latu Senso pela
Universidade Estácio de Sá em Fisioterapia em UTI


A utilização da Pressão Expiratória Positiva Oscilante
como terapia no tratamento de pacientes com Bronquiectasia


RESUMO
 
Historicamente, as bronquiectasias estiveram sempre ligadas a infecção respiratória prévias, infecções virais ou bacterianas adquiridas na infância, notadamente o sarampo, a coqueluche e a tuberculose pulmonar explicavam a maioria dos casos.

Com o advento das campanhas de imunização em massa, de novos quimioterápicos mais potentes e eficazes contra bactérias e, notadamente, contra microbactérias, houve grande redução na incidência de bronquiectasias. As péssimas condições sociais, sabidamente relacionadas com uma maior propensão à doença e um difícil acesso à saúde, continuam mantendo elevada a incidência de bronquiectasias em nosso meio.

A pressão expiratória positiva oscilante, também denominada oscilação oral de alta freqüência, é um recurso jovem, tanto no Brasil como em outros países. A sua utilidade prática até o presente momento vem sendo intensamente discutida na literatura, ainda que haja falta de divulgação, o que, sem dúvida, dificulta ainda mais as trocas de experiências clínicas pessoais.
A proposta desta revisão bibliográfica é realizar uma breve análise literária verificando a utilização da pressão expiratória positiva oscilante como um recurso fisioterapêutico em pacientes portadores de bronquiectasia.
 
Palavras-chave: bronquiectasia, pressão expiratória positiva oscilante e flutter.
 

ABSTRACT
 
Historically, the bronquiectasis the respiratory infection had been always on previous, infections capsizes or bacterial acquired in infancy, well-known the measles, pertussis and the pulmonary explained the majority of the cases.

With the advent of the mass immunization campaigns, of new more powerful and defficiente quimioterapic bacteriase, well-known, against microbacteria, had great reduction in the incidence of bronquiectasis. The terrible social conditions, well-know relatet with a bigger propensity to the illnes and a difficult access to the health, continue keeping high the incidence of bronquiectasis in our way.

The verbal oscillation of high frequency, also called rocking positive expiratory pressure oscilating, is a young resource, as much in Brazil as in other countries. Its pratical utility until the present moment comes being intensely argued in literature, still that it has spreading lack, what, without a boudt, makes it difficult the exchanges of personal clinical experiences still more.

The proposal of bibliographical revision is to carry thougt one brief literary analysis verifying the use of the verbal oscillation of high frequency as a phisioterapeutic resource in carrying patients of bronquiectasis.
 
Word-key: bronquiectasis, positive pressure expiratory oscilating e flutter.
 

INTRODUÇÃO
 

O termo bronquiectasia é definido anatomicamente caracterizada pela dilatação e distorção irreversível de um ou mais brônquios, em virtude da destruição dos componentes elásticos, cartilaginosos e musculares da parede brônquica. (SILVEIRA1, 2000).

Durante muitos anos, atribuiu-se a patogênese da bronquiectasia a fatores mecânicos, a “Teoria da Dilatação e Tração” foi concebida por LAENCE: ele atribuía as alterações brônquicas à retenção das secreções, esta teoria vigorou por muitas décadas, gerando discórdia entre autores.

WHITWELL, estudando a patogênese da bronquiectasia, descartou uma base patológica para a “Teoria da Dilatação e Tração”, associando a forma folicular da doença com infecções virais e bacterianas adquiridas na infância, apud SILVEIRA1 (2000).

Em trabalho experimental, PINNER e TANNENBERG trouxeram excelente contribuição para a compreensão da patogenia, ressaltando não somente o papel da infecção, mas também o da obstrução, que as bronquiectasias só se desenvolvem naqueles que a obstrução era acompanhada de infecção (SILVEIRA1, 2000).

Por fim, descobriu-se que as obstruções brônquicas de qualquer etiologia, bem como as lesões da parede brônquica decorrente da infecção, estão associadas aos três fatores patogênicos implicados, isoladamente ou não, no desenvolvimento das bronquiectasias, que são, o aumento da pressão endobrônquica – presente sempre que há retenção de secreção ou aumento na pressão do ar na árvore brônquica como ocorre no caso da tosse, estenose brônquica ou em pacientes submetidos à ventilação por pressão positiva, e o aumento da pressão pleural negativa – ocorre nas atelectasias, o enfraquecimento da parede brônquica – ocorre nos processos inflamatórios e doenças congênitas (GASKELE, 1998).

A partir das duas últimas décadas, novas idéias também surgiram a respeito da gênese das bronquiectasias. Merece destaque à “Teoria do Ciclo Vicioso”, proposta por COLE, em 1984.

Segundo COLE, uma lesão inicial, congênita ou adquirida, gera dificuldade nos mecanismos de defesa, favorecendo o acúmulo de secreção e a colonização bacteriana crônica. A presença das bactérias e de seus produtos enzimáticos levariam a uma reação inflamatória local. A partir daí, entram em cena os mediadores da reação inflamatória, havendo grande acúmulo de neutrófilos no sítio da inflamação. Estes neutrófilos secretam diversos produtos enzimáticos (proteases), tendo destaque a elastase e a colagenase que, no tecido brônquico, vão atuar, ao lado de outras proteases, inibindo o mecanismo mucociliar e danificando a estrutura brônquica (cartilagem, tecido elástico e músculo liso), observa-se também um aumento da secreção brônquica, rica em proteases, caracterizando a nítida desigualdade no balanço protease x antiprotease. Esta situação propicia o aumento da colonização bacteriana que, por sua vez, aumenta o estímulo inflamatório, perpetuando o ciclo de dano à estrutura brônquica. Acredita-se, atualmente, que este é o principal mecanismo responsável pelas bronquiectasias (SILVEIRA1, 2000).

As bronquiectasias acometem bem mais o pulmão esquerdo (sobretudo o lobo inferior) do que o direito, possivelmente por causa das diferenças anatômicas de drenagem. Em ambos os pulmões, as bases são mais acometidas e o segmento apical é usualmente poupado, em ordem seguem-se: a língula (do lobo superior esquerdo), lobo inferior e lobo médio (à direita), e freqüentemente (cerca de 50%) a associação de bronquiectasia da língula e do lobo inferior esquerdo, em aproximadamente, 30%, as bronquiectasias são bilaterais. A dilatação brônquica envolve, de maneira predominante, brônquios de médio calibre, porém pode estender-se até regiões mais distais, os brônquios podem ser dilatados até quatro vezes seu tamanho normal e, em geral estão cheios de secreção purulenta. (SILVEIRA2, 1992).

Segundo CARVALHO (1997), a atividade proteolítica dos leucócitos polimorfonucleares envolvendo-se no processo inflamatório onde pode destruir diretamente os tecidos, também existem evidências que as próprias secreções purulentas são ricas em proteases (elastase, colagenase, catepsina G) e podem, pelo menos parcialmente, contribuir para a clivagem da proteína tecidual mediada por enzima. A formação de tecido de granulação pode alterar o revestimento epitelial brônquico, em geral isto é descrito como um aspecto “polipóide” em que e epitélio colunar ciliado saudável é substituído por células cubóides ou por tecido fibroso, a hipertrofia e a erosão das artérias brônquicas levam ao aparecimento de estrias de sangue – hemoptóicos e a hemoptises. As vias aéreas periféricas nas regiões envolvidas estão freqüentemente obstruídas, send o que as secreções viciosas em geral lentificam ainda mais a depuração mucociliar, pode ser acompanhada de colapso maciço, onde todas as vias aéreas e os alvéolos distais ao sítio do colapsamento brônquico também estão desinsuflados, resultando em um lobo sem ar. A bronquiectasia representa destruição pulmonar permanente e precisa ser diferenciada de alterações reversíveis provocadas por certas patologias, tais como, pneumonia, bronquite crônica, atelectasia, aspiração de corpos estranhos, tuberculose e o abscesso pulmonar.

Segundo MOREIRA (1992), são muitas as situações que podem levar ao surgimento de bronquiectasias, elas podem existir isoladamente ou associadas, tais como, a aspiração de corpos estranhos (mais freqüente em crianças), tumores e, ocasionalmente, a impactação de muco, podem levar a infecção, dilatação brônquica e alterações destrutivas, no geral esses processos são focais (não difusos), a obstrução em si parece não provocar bronquiectasia, mas facilita a condição por interferir na depuração brônquica, o que promove infecção. Algumas argumentações dizem que a obstrução periférica tende a promover bronquiectasia por aumentar as pressões intra-alveolares ao redor da via aérea afetada.

As infecções broncopulmonares, tais como coqueluche, sarampo; S. aureus, Klebsiella, M. tuberculosis; adenovírus, vírus influenza, herpes simples; bronquiolite viral; histoplasmose ou Mycoplasma, sendo a infecção e, pelo menos algum grau de obstrução condições prováveis e necessários para o desenvolvimento da bronquiectasia, as alterações da bronquiectasia podem tornar-se irreversíveis caso a obstrução persista ou quando a infecção provoca inflamação, dilatação e destruição brônquicas adicionais. Os estados de imunodeficiência, tais como, a deficiência adquirida de imunoglobulina, HIV, terapia com corticóides prolongada, agamaglobulinemia congênita, doença granulomatosa crônica e outras auto-imunes. A patogenia da bronquiectasia há necessidade da presença de dois elementos: a agressão infecciosa e a deficiência na depuração das secreções brônquicas, assim quanto maior a virulência do agente agressor e quanto pior as condições de defesa locais e sistêmicas maior a possibilidade de desenvolvimento de bronquiectasias, isso, associado à resposta imune do próprio paciente, promove a perpetuação do processo inflamatório local, com posterior destruição da parede brônquica. As alterações da bronquiectasia podem tornar-se irreversíveis caso a obstrução persista ou quando a infecção provoca inflamação, dilatação e destruição brônquicas adicionais. Os defeitos hereditários, tais como, os defeitos ciliares (discinesia ciliar, síndrome de Katagener), fibrose cística, deficiência de alfa1 antitripsina, os defeitos anatômicos congênitos, tais como a broncomalácia, cistos brônquicos, deficiência de cartilagem, brônquio ectópico, fístula traqueoesofágica, terateroma endobrôquico, seqüestro pulmonar, aneurisma da artéria pulmonar, síndrome da unha amarela. Existem também outras causas, tais como, a síndrome de Young, pneumonias recorrentes por aspiração (alcoolismo, pneumonia lipóide), inalação de irritação (amônia, dióxido de nitrogênio, fumaça do tabaco, talco, silicatos, detergentes), pós-transplantes de coração-pulmão (associado à bronquiolite obliterativa). (FUJINIDO, 2001).

De acordo com BETHEM (1995), além de sua distinção em congênitas, adquiridas, parciais ou difusas, as bronquiectasias podem ser classificadas quanto à forma em três tipos básicos: cilíndrica, varicosa ou moriforme, sacular ou cística, e do ponto de vista clínico em úmidas e secas. A bronquiectasia congênita ocorre devido aos defeitos de elementos da parede brônquica, e nem sempre é possível determinar a origem congênita das bronquiectasia. Sua existência foi discutida por muito tempo, mas hoje se admite sua presença em pequeno número de pacientes. O aparecimento em fases iniciais da vida e a presença de outras malformações congênitas tornam esta patogenia possível, através de alterações anormais das estruturas brônquicas, das secreções e da atividade ciliar. A bronquiectasia adquirida é a mais comum, e constitui o maior grupo, geralmente está ligado, patogenicamente, a infecções primitivas dos brônquios, ou processos que facilitem o aparecimento destas infecções.

A bronquiectasia cilíndrica os brônquios apresentam-se como estruturas tubulares de igual diâmetro, perdendo o aspecto cônico característico. No estudo broncográfico, as paredes brônquicas são regulares, não se aproximam e tem um fim súbito, sem progressão de contraste até a periferia. A bronquiectasia varicosa ou moriforme tem como principal característica à irregularidade e tortuosidade do contorno dos brônquios, que se apresentam dilatados e não se afilam distalmente, com o aspecto de veias varicosas. A bronquiectasia sacular ou cística os brônquios apresentam-se dilatados e as formações saculares são maiores à medida que se caminha para a periferia. A metaplasia escamosa, ao contrário do que ocorre nos outros tipos de bronquiectasias, é comum nas bronquiectasias císticas. O brônquio pré-sacular, apesar de bastante inflamado, não é muito dilatado. Uma característica importante destes brônquios é a presença de pólipos, muitas vezes causando sua obstrução.A bronquiectasia úmida ursa sempre com supuração brônquica e quadro clínico rico, caracterizado por tosse, expectoração purulenta e episódios recorrentes de sangramentos que tanto podem se traduzir em escarros sangüíneos como também em hemoptises maciças. A bronquiectasia seca geralmente é atribuída a infecções passadas como tuberculose, histoplasmose, ou outras doenças granulomatosas pulmonares, localizam-se preferencialmente nos lobos superiores e clinicamente se apresentam como sangramentos repetidos (BARKER, 2002).

O espectro de apresentação clínica é muito variado, podendo ir de um paciente assintomático a quadros de hemoptise, o quadro clínico clássico compõem-se de tosse produtiva com expectoração costuma ser mais abundante no período da manhã. O odor é fétido ou nulo, devido ao acúmulo de secreções durante a noite, podendo chegar a uma quantidade de 500 ml em 24 horas nas dilatações saculares, segundo TARANTINO, 1992.

Os principais sinais e sintomas são, a tosse (por vezes paroxística, e a produção de escarro freqüentemente purulento, em geral mais intensa ao acordar são observados em 90% dos pacientes com bronquiectasia), a expectoração purulenta (no período pré-antibiótico, volumes de escarro de até 600 ml por dia podem ser observados naqueles com doença avançadas e não tratada, a halitose também pode ser comum), a dispnéia, a hipoxemia pode ocorrer na bronquiectasia grave, contudo a retenção de CO2 tende a ocorrer somente em pacientes com bronquite grave concomitante ou enfisema avançado, a hemoptise, o escarro sanguíneo, a sinusite (pode acompanhar pacientes bronquiectásico algumas vezes, em especial em pacientes com defeitos ciliares e estados de imunodeficiência), o baqueteamento digital, a sibilância, a febre e a dor torácica, a anorexia está associado a episódios múltiplos d e bronquiectasia. (SILVEIRA1, 2000).

Muitos pacientes tem sintomas respiratórios altos (congestão nasal, coriza, espirros, gotejamento) mais evidentes durante as descompensações, que geralmente são deflagradas por rolhas de secreção, bronquites bacterianas e bronquiolites virais. A evolução da doença é crônica e é intercalada por períodos de acentuação dos sintomas, com necessidade de uso freqüente de antibióticos. O exame do aparelho respiratório demonstra crepitações principalmente no início da inspiração, roncos e maciez no local da doença, o murmúrio vesicular pode estar diminuído em alguns casos, cianose, e cor pulmonale são indicativos de doença avançada e, portanto, de mau prognóstico (MOREIRA, 1992).

A pseudobronquiectasia é a dilatação brônquica que surge em decorrência de processos inflamatórios agudos, mas, no entanto, é reversível. É geralmente cilíndrica e tem sua resolução após um período que varia de três meses a um ano (BARKER, 2002).

Os exames complementares, tais como, o exame de escarro, hemograma, gasometria arterial, avaliação imunológica, teste do suor (para mucovisidose), exame de urina (proteinúria da amiloidose), biópsia brônquica, provas de função pulmonar, as provas de função pulmonar em pacientes com envolvimento difuso, revelam obstruções das vias aéreas, embora, com a progressão da doença, os efeitos obstrutivos e restritivos passam a ser observados, a capacidade vital forçada (CVF), o volume expiratório forçado em um segundo (VEF 1), VEF 1/CVF, e o volume expiratório forçado (VEF 25-75%) estão todos diminuídos, sendo que o volume residual está aumentado (SILVEIRA1, 2000).
 

MATERIAIS E MÉTODOS
 

Foi realizada uma revisão literária atualizada na Biblioteca de Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz – RJ – pelo sistema Bireme, Medline e Lilacs, livros e revistas científicas utilizados na biblioteca da Universidade Castelo Branco – RJ, e na biblioteca da Universidade Gama Filho – RJ.

Foram selecionados artigos científicos para este estudo na língua portuguesa e na língua inglesa. O levantamento bibliográfico foi realizado com referência as publicações entre os anos de 1992 até 2002.

Sendo utilizado as palavras-chave: bronquiectasia, pressão expiratória positiva oscilante e flutter.
 

DISCUSSÃO
 
O número de pacientes com bronquiectasias nos países em desenvolvimento ainda é significativo, em concordância com a alta prevalência das infecções respiratórias graves que continuam ocorrendo em crianças nessas localidades.

As terapias clínicas são para evitar a progressão da patologia e controlar seus sintomas, visto que é uma destruição anatômica permanente, os tratamentos mais importantes consistem em fisioterapia respiratória, hidratação, interrupção imediata do tabagismo (se for tabagista), broncodilatadores, oxigenoterapia e tratamento da sinusite.

A fisioterapia respiratória tem um papel primordial, atuando na prevenção das crises e durante estas, promovendo a desobstrução brônquica e a reexpansão pulmonar otimizando assim a função pulmonar.

O Flutter é um dispositivo que combina os efeitos de Oscilação Oral de Alta Freqüência (OOAF) e de Pressão Positiva Expiratória (PEP) através de oscilações/vibrações de fluxo e pressão transmitidas às vias aéreas. Sua ampla utilização em âmbito ambulatorial e hospitalar tem demonstrado sua eficácia como terapia desobstrutiva em pacientes ventilando espontaneamente (CEGLA, 1993).

Com base nos estudos de GEORGE citados por AZEREDO1, 2000 os quais por diversos experimentos verificaram um aumento no transporte mucociliar em indivíduos durante a aplicação periódica da oscilação oral de alta freqüência.

A oscilação oral de alta freqüência ou pressão expiratória positiva oscilante pode ser definida como a aplicação terapêutica periódica ou intermitente de resistor de limiar pressórico ao paciente, a aplicação deste resistor permite a frenagem do fluxo expiratório pela produção de curtas e sucessivas interrupções à sua passagem, permitindo, assim, uma repercussão oscilatória de alta freqüência, a qual é transmitida à região traqueal e à árvore brônquica, fazendo que com isto ocorra o descolamento e o deslocamento das secreções traqueobrônquicas (CEGLA, 1993).

A realização da terapia com a pressão expiratória positiva oscilante depende exclusivamente, de aparelhos, sejam eles eletromecânicos ou portáteis. Os aparelhos portáteis conhecidos como “hand held”, pela praticidade e custos, foram os que possibilitaram à oscilação oral de alta freqüência, crescimento e popularidade mais intensos, estes aparelhos portáteis apresentam uma forma básica, lembrando um cachimbo. Em seu interior existe um canal, onde consta uma pequena esfera de aço. Esta esfera de aço, na realidade, é um resistor de limiar gravitacional (Weight Ball ou Fixed Weight – peso por bola ou peso fixado), que permite a frenagem do fluxo expiratório por produzir curtas e sucessivas interrupções à passagem do fluxo, estas curtas e sucessivas interrupções permitem uma repercussão oscilatória produzida pelo resistor do aparelho, que é transmitida à árvore brônquica (AZEREDO1, 2000).

A resistência produzida pela bola de aço durante a expiração produz um nível de pressão positiva nas vias aéreas (EPAP) ou pressão positiva expiratória (PEP), podendo atingir até 20 cm H2O, e uma oscilação intratraqueal em torno de 6 a 20 Hz, durante a fase expiratória, a posição da bola de aço depende do equilíbrio entre a pressão do ar expirado, da força da ação da gravidade sobre a bola e o ângulo de contato com o canal cônico do aparelho, o ar pode, então, escapar após o aumento da pressão dentro do canal cônico pelas aberturas em forma de pequenos ou grandes furos na extremidade superior do aparelho, à medida que a bola metálica cai, ela retorna à posição inicial de repouso, bloqueando o canal cônico (AZEREDO2, 2000).

De acordo co AZEREDO1 (2000), o aparelho mais conhecido hoje para aplicação da oscilação oral de alta freqüência é o “Flutter modelo VRP 1”, popularmente utilizado na Europa, porém utilizado de forma contida, ainda, nos Estados Unidos, onde a preferência terapêutica é pelo uso da percussão torácica eletromecânica. A posição adotada para realização da oscilação oral de alta freqüência é a sentada, com inclinação anterior do corpo em 30 graus, e, em casos de pacientes no leito, a posição inicial é a de Fowler, sendo que a inclinação anterior deverá ser analisada de acordo com o estado clínico e condições gerais do paciente. O tempo de aplicação da terapia com a oscilação oral de alta freqüência vem sendo delimitado entre 10 e 15 minutos diários, conforme protocolo europeu. Na prática diária, a técnica deverá ser indicada com um período inicial de 3 minutos, evoluindo-se gradativamente, atingindo-se um limite máximo de 15 a 35 minutos, ficando claro que cada terapeuta desenvolverá da melhor maneira o seu tempo de terapia, de acordo com sua prévia avaliação das potencialidades de seu paciente e sua resposta clínica. Estudos realizados apresentaram poucas conclusões, sobretudo quanto a esclarecer a quantificação, em Hertz, de quais freqüências ressonantes seriam efetivamente as melhores marcas para uma efetiva mobilização de secreções, tanto em adultos quanto em crianças, existem hipóteses, não confirmadas, de que altos níveis de oscilação que ultrapassem 30 Hz, além de não serem efetivos para a mobilização das secreções, causariam, a longo prazo, danos à microvasculatura e trauma muscular das pequenas vias aéreas. Como a oscilação oral de alta freqüência é considerada uma técn ica experimental, com o decorrer dos anos, e com maiores aplicações na prática clínica diária dos pacientes, afirmações mais conclusivas poderão ser feitas sobre o seu real valor e papel como recurso de tratamento.

A terapia inalatória deve ser, sempre que possível, realizada em conjunção com a oscilação oral de alta freqüência, com o objetivo de fluidificação prévia das secreções e broncodilatação das vias aéreas.

As principais indicações para a técnica de oscilação oral de alta freqüência são os casos de secreção produtiva persistente e tosse não produtiva, bronquite aguda ou bronquite crônica, bronquiectasia, asma associada à obstrução brônquica, instabilidades traqueais ou traqueobrônquicas, enfisema pulmonar, fibrose cística, pré e pós-operatório em geral, pós-operatório de tórax em pacientes com adequada reserva cardíaca, pacientes hipersecretivos sem DPOC prévia e obstruções agudas das vias aéreas. Os efeitos fisiológicos alcançados pela oscilação oral de alta freqüência permitem, principalmente, sua ação sobre as secreções traqueobrônquicas, a partir da oscilação, os brônquios são dilatados acima do nível dos brônquios periféricos distais, o que implica eliminação do muco brônquico, alguns autores afirmam que a oscilação permite o descolamento e deslo camento das secreções, o que facilitará sobremaneira uma próxima etapa da tosse e a eliminação de muco, alguns outros estudos referem-se à inibição do colapso precoce das vias aéreas, pelo nível de pressão positiva oscilatória, favorecendo a remoção das secreções. Tendo como contra indicações qualquer paciente adulto ou criança, que não consiga gerar fluxo expiratório suficiente para produzir níveis ideais de oscilação, broncoespasmo, doença cardíaca descompensada, fraturas faciais instáveis e erosões por queimaduras, fraturas de arcos costais, grandes queimaduras, pacientes hemodinâmicamente instáveis, alterações renais graves, alterações gastrintestinais graves, DPOC descompensada, traumatismo torácico grave, tuberculose pulmonar em atividade, pneumotórax sem drenagem prévia, hemotórax sem drenagem prévia e derrame pleural sem drenagem prévia. As contra indicações absolutas para pacientes portadores de DPOC descompensados estão relac ionados com VEF 1 menor que 50% do previsto, relação VEF 1/CVF menor que 60% do previsto e dispnéia severa (MILLER,1993).

Estudos mais recentes realizados em laboratórios demonstram que alguns dispositivos manuais de aplicações de oscilação oral de alta freqüência podem gerar níveis de auto-PEEP, esta confirmação pode vir a favorecer, principalmente, aqueles pacientes que apresentam deslocamentos nos pontos de igual pressão, como por exemplo, no caso de pacientes com DPOC.

É comum o paciente queixar-se de súbita cefaléia ou tontura, isto ocorre em razão de um distúrbio do equilíbrio ácido-base, em que o nível de PaCO2 pode cair muito em razão da hiperventilação, podendo ocorrer sensação de sufocação e náuseas, devendo ser tomados cuidados com portadores de prótese dentária e aparelhos ortodônticos, a sialorréia é muito comum. As repercussões clínicas negativas nas técnicas de oscilação oral de alta freqüência ocorrem nos pacientes em pós-cirúrgico imediatos, restrito pela dor, ou naqueles que possuam alterações cardíacas não favoráveis ou, ainda, nos portadores de algum tipo de descompensação hemodinâmica (AZEREDO1, 2000).
 

CONCLUSÃO
 

Pode-se dizer que as bronquiectasias seguem sendo um problema importante, acometendo indivíduos de ambos os sexos, os quais apresentam sintomas, em geral, desde a infância. É uma doença que diminui significativamente a qualidade de vida, freqüentemente de pessoas jovens, devendo-se buscar, especialmente para estas sempre que possível, a modalidade terapêutica mais efetiva e definitiva para o controle dos sintomas. Quanto à profilaxia, deve-se persistir e cada vez mais aprimorar os cuidados básicos da criança, prevenindo o aparecimento das infecções respiratórias agudas nas primeiras fases de seu desenvolvimento, ou tratando precocemente as complicações.

Verificou-se pelo presente estudo que, a oscilação oral de alta freqüência como um recurso fisioterapêutico, é de grande eficácia no que diz respeito ao tratamento dos pneumopatas portadores de bronquiectasia. Devendo estes, sempre serem encaminhados ao serviço de fisioterapia o mais precoce possível, já que esta intervenção terapêutica é capaz de melhorar consideravelmente a qualidade de vida desse tipo de pneumopata.

O estudo da função pulmonar, aliado aos avanços tecnológicos e terapêuticos, permite, hoje, ao fisioterapeuta oferecer aos seus pacientes o que há de mais novo acerca de recursos e técnicas fisioterapêuticas, com benefícios bastantes práticos.
 

BIBLIOGRAFIA
 

1.      AZEREDO1, Carlos Alberto Caetano. Fisioterapia Respiratória no Hospital Geral. São Paulo: Manole, 2000.
 
2.      AZEREDO2, Carlos Alberto Caetano. Manual Prático de Fisioterapia Respiratória. Rio de Janeiro: Lidador, 2000.
 
3.      BARKER, A. F. Bronquiectasis. N Eng J Med. 2002; 346: 1393 – 1393.
 
4.      BETHEM, Newton. Pneumologia. Rio de Janeiro: Atheneu, 1984.
 
5.      CARVALHO, M. R. A. Fisioterapia Respiratória: Teoria e Técnica. 4a ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 1997.
 
6.      CEGLA, U. H., RETZOW, A. Physiotherapy and Chronic Bronchitis Experiments with the VRP1. Desitin Flutter. Pneumologie. 1993; 47: 636-639.
 
7.      FUGINIDO, T., HILLEJAN, I., STAMATIS, G. Current Strasteay for Surgical Managemente of Bronquiectasis. Ann Thorac surg. 2001; 72: 1711-1726.
 
8.      GASKELE, Diana Vanghan; WEBBER, Bárbara Anne. Fisioterapia Respiratória: Guia do Brompton Hospital. 2a ed. Rio de Janeiro: Colina, 1998.
 
9.      MILLEL, J. J. Indicações do Flutter. I Congresso Brasileiro de Fisioterapia em Terapia Intensiva. Porto Alegre-RS. 1993.
 
10.  MOREIRA, J. S., CAMARGO, J. J. P., PORTO, N. S. Bronquiectasia. J Pneumologia. 1992; 18: 73-78.
 
11.  SILVEIRA1, Ismar Chaves da. O Pulmão na Prática Médica: Sintoma, Diagnóstico e Tratamento. V. 1. 4a ed. Rio de Janeiro: EPUB, 2000.
 
12.  SILVEIRA2, Ismar Chaves da. O Pulmão na Prática Médica: Sintoma, Diagnóstico e Tratamento. 3a ed. Rio de Janeiro: EPUB, 1992.
 
13.  TARANTINO, Affonso Berardinelli. Doenças Pulmonares. 2a.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1992.
 

 

 

Obs.:
- Todo crédito e responsabilidade do conteúdo é de seu autor.
- Publicado em 08/08/05

 


© 2005 - World Gate Brasil Ltda

Todos os Direitos Reservados