Referência  em  FISIOTERAPIA  na  Internet

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Trabalho realizado por:
Brena Guedes de Siqueira Rodrigues
Caroline Silva Brito

Contato:
E-mail: brena.siqueira@bno.com.br
brenagsr@yahoo.com.br 


A UTILIZAÇÃO DA SUSTENTAÇÃO MÁXIMA INSPIRATÓRIA (S.M.I.)
NA PREVENÇÃO DA ATELECTASIA NO PÓS-OPERATÓRIO

 

RESUMO

O presente trabalho apresenta uma revisão bibliográfica acerca da eficácia da utilização da sustentação máxima inspiratória (S.M.I.) na prevenção da mais comum complicação no período pós-operatório, seja de cirurgia torácica ou abdominal, que é a atelectasia. Tem como finalidade mostrar como se dá esse processo, bem como esclarecer os verdadeiros benefícios da S.M.I. para os pacientes considerados de risco para o desenvolvimento de complicações no período pós-operatório.

PALAVRAS CHAVES: Sustentação Máxima Inspiratória, Terapia de incentivo, Inspirômetro, Atelectasia, Prevenção, Pós-operatório, Hiperinsuflação alveolar.


INTRODUÇÃO:

Os recursos cinésicos aplicados na década de 1970 eram principalmente exercícios que motivavam a fase expiatória, como, por exemplo, soprar luvas ou contra um frasco contendo água ou transparência de água de um frasco para outro (espirometria de transferência). Porém, na atualidade, estes métodos foram superados pelo uso da inspirometria de incentivo, com sua aplicação bem definida como recurso terapêutico que possibilita a insuflação pulmonar, restaurando volumes e capacidades pulmonares. Sua maior aplicação é no pós-operatório de cirurgias cardíacas, pulmonares e abdominais (AZEREDO, 2002).


É muito comum que após cirurgias cardíacas, pulmonares ou abdominais o paciente seja submetido a ventilação mecânica. Diversos problemas respiratórios no pós-operatório são resultados desta intervenção, levando a um aumento do trabalho respiratório (WR), com decréscimo dos volumes pulmonares, tais como volume corrente (VC), volume de reserva inspiratória (VRI) e volume de reserva expiratória (VRE), cuja magnitude varia de acordo com a evolução clínica.


Além disso, uma série de complicações clínicas podem ocorrer com freqüência, culminando em alterações gerais ou locais que contribuem significativamente para a morbidade e a mortalidade, principalmente naqueles pacientes ditos de risco no pré-operatório, como: pacientes com idade avançada, história de tabagismo, obesidade, debilitação generalizada ou má nutrição, infecções corriqueiras e distúrbios cardiovasculares e pulmonares.


Com tantas alterações, a atuação da fisioterapia tanto no pré-operatório, quanto no pós-operatório é de fundamental importância. Portanto, se faz necessário amplo conhecimento dos parâmetros básicos de pré e pós-operatório para que possam ser avaliadas as perdas sofridas pelo paciente. Diante do pós-operatório, encontram-se bem estabelecidos os princípios básicos da intervenção fisioterapêutica, dentre eles: expandir o tecido pulmonar, evitar o colapso e a consolidação pulmonar, promover a eliminação das secreções brônquicas, evitar complicações circulatórias, eliminar ou diminuir a dor, evitar a imobilização diafragmática e prevenir a diminuição da capacidade residual funcional (CRF) (AZEREDO, 2002).
 


SUSTENTAÇÃO MÁXIMA INSPIRATÓRIA:

A sustentação máxima inspiratória é uma técnica de espirometria de incentivo, pesquisada e lançada nos Estados Unidos, no ano de 1976, idealizada por Bartlett e Edwards.


A S.M.I. caracteriza-se por ser uma das técnicas de terapia de incentivo a grande volumes, cujo objetivo principal é a hiperinsuflação alveolar ou a reinsuflação de alvéolos colapsados, pelo aumento da pressão transpulmonar (Pl) e da capacidade residual funcional (CRF) (BARNES, 1994).


A técnica de aplicação consiste em instruir o paciente a realizar um trabalho ventilatório, o qual caracteriza-se por uma inspiração ativa e forçada, que precisa ser sustentada por um determinado intervalo de tempo, mensurado em segundos, que pode ou não ser preestabelecido pelo fisioterapeuta, em qualquer etapa da atividade terapêutica. Isto ocorre através de aparelhos conhecidos como inspirometros de incentivo, os quais podem ser: a fluxo, onde o fluxo inicial é turbulento (variável em função do tempo), gerando alterações no trabalho ventilatório, que alteram o padrão de ventilação durante o exercício. Porém, pode causar tosse e dor; ou a volume, que é mais fisiológico, devido ao volume de treinamento ser constante até que atinja a capacidade inspiratória máxima, sem que haja aumento do trabalho respiratório (AZEREDO, 2002).


Para que seja possível e bem realizada a técnica, o paciente deve estar lúcido, orientado no tempo e no espaço, cooperativo, motivado, de preferência sentado ou em posição confortável e apresentar como parâmetros mínimos: volume corrente (VC) > 5ml/Kg, capacidade funcional vital (CFV) > 15ml/Kg, capacidade inspiratória (CI) > 12ml/Kg e freqüência respiratória (FR) > 25crpm. A inspiração, preferencialmente, deve ter início a partir do volume residual (VR), já que é nesse momento que as fibras dos músculos respiratórios tendem a estar mais distendidas e, portanto, exige uma atividade significativa da musculatura respiratória global. Deste modo, a inspiração é feita no incentivador por via oral, ativa e profundamente, sendo rápida no seu início e mantida ao final (ponto em que ocorre o maior incremento do trabalho respiratório). A expiração ocorre por via oral, até o nível do repouso expiratório. Portanto, faz-se necessário que o fisioterapeuta certifique-se de que o paciente esteja clinicamente controlado (instável), de forma que o aumento do trabalho não comprometa seu quadro ou seja responsável por desconforto.


Para Azeredo (2002), a grande vantagem desta técnica em relação a outras com finalidades semelhantes, como a inspiração profunda ou a pressão positiva intermitente (RPPI), se dá por esta provocar um maior feedback, que é benéfico ao paciente por encorajá-lo a realizar a sustentação, proporcionando uma maior integração entre paciente e equipamento, na medida em que os resultados positivos melhoram o seu estado psicológico.
 


ATELECTASIA

Para EBUTTI (2002), a atelectasia pode ser definida como: “uma expansão incompleta ou colapso decorrente de redução do conteúdo aéreo e perda da função em área(s), segmento(s) ou lobo(s) pulmonar(es)”. Já AZEREDO (2002), a define como o “fechamento das unidades pulmonares acarretando alterações na função pulmonar, que ocorre freqüentemente no pós-operatório”.


Dentre as manifestações clínicas da atelectasia pode-se incluir uma redução da complacência pulmonar e da capacidade residual funcional (CRF), aumento do trabalho respiratório e aumento da relação ventilação/perfusão, resultando em aumento do shunt e decréscimo da pressão arterial (PaO2) (EMPROMED, 2001)


Os sintomas associados a essa situação podem estar presentes ou não. Dependerá, principalmente, do tamanho da área afetada do pulmão e da presença ou não de doenças concorrentes. A atelectasia pulmonar poderá estar acompanhada de dor torácica, tosse ou dificuldade para respirar (LANÇA, 2001).



Alterações da Pressão Transpulmonar Pelo Uso da S.M.I.:


A fisiopatologia da atelectasia pode ser descrita de acordo com a relação entre a pressão de distensão pulmonar e o volume pulmonar resultante. A pressão de distensão pulmonar é a pressão transpulmonar (Pl), a qual é a diferença entre a pressão intrapulmonar (Palv) e a pressão intrapleural (Ppl), de acordo com a equação:
Pl = Palv - Ppl

Há uma relação direta entre a Pl e o volume pulmonar; e um aumento na Pl resulta em um aumento do volume pulmonar e a diminuição da Pl, no decréscimo do volume pulmonar. O decréscimo da Pl promove um colapso pulmonar e alveolar e o acréscimo de Pl faz com que o alvéolo infle e o pulmão se expanda.


O decréscimo da Pl pode ocorrer quando a Palv é reduzida em relação a Ppl ou quando a Ppl está aumentada em relação a Palv. Por exemplo, um grande vácuo endotraqueal durante a sucção do paciente, pode diminuir a Palv; uma ferida aberta no tórax poderia aumentar a Ppl. Um aumento na Pl ocorre quando a Palv aumenta ou quando a Ppl diminui. Uma expiração profunda diminui a Ppl.


Quando as forças que atuam sobre o pulmão e a parede torácica estão em equilíbrio, a Palv é atmosférica (0 cm de H2O) e significa que a Ppl normal é de 5 cm de H2O abaixo da atmosférica (-5 cm de H2O). O resultado da Pl é de 5 cm de H2O, e o volume pulmonar é a CRF. No fim da inspiração máxima, com a contração dos músculos inspiratórios, ocorre neutralização das forças que atuam no pulmão e na parede torácica. A Palv permanece atmosférica e a Ppl pode variar de 32 a 40 cm de H2O abaixo da atmosférica. A variação da Ppl é devido ao gradiente de pressão cervical no pulmão; a mais subatmosférica das pressões, ocorre no ápice do pulmão. Quando há uma abertura na parede torácica, a Ppl transforma-se em atmosférica e a Pl em zero.


A Palv diminui com a sucção endotraqueal, com uma excessiva quantidade de vácuo ou de tempo ou com um cateter muito grande.

 

                              Pl = 5 cm de H2O

Fim da expiração:

                              Volume Pulmonar = CRF

 

             Pl = 32 cm de H2O
S.M.I.:
            Volume Pulmonar: CPT



A S.M.I. pode exceder a pressão alveolar de 7 a 20 cm de H2O, transformando o alvéolo colapsado em alvéolo reinflado; isto caracteriza-se por ser a base da terapia de incentivo respiratória (BARNES, 1994).
 


CONCLUSÃO

Desde o seu lançamento, em 1976, a inspirometria por incentivo, vem tornando-se uma modalidade de terapia respiratória segura e eficiente, capaz de deixar para trás terapias outrora utilizadas pelos clínicos e pela fisioterapia respiratória, que hoje sabe-se que não apresentam eficácia comprovada cientificamente.


A S.M.I. é uma técnica cujo objetivo é tão somente a prevenção das complicações que acometem os indivíduos, principalmente no período pós-operatório de cirurgias torácicas e abdominais, quando se encontram mais suscetíveis. Logo, está contra-indicada em patologias já instaladas, como a insuficiência respiratória aguda (IRA).


Ela garante a insuflação e a reinsuflação alveolar, de forma a restaurar os volumes e capacidades pulmonares alterados (diminuídos), como resultado, por exemplo, do colabamento alveolar, uma das alterações patológicas mais freqüentes e característica da atelectasia. Porém, é importante ressaltar que deve ser usada impreterivelmente na profilaxia, sendo contra-indicada sempre que a doença já esteja instalada.


Para que a técnica de S.M.I. seja bem realizada, é preciso um bom conhecimento clínico do quadro do paciente; certificar-se que o paciente está consciente e orientado, portanto, capaz de colaborar com a terapia; conhecimento dos valores mínimos de referência dos volumes e capacidades pulmonares e; conhecimento do protocolo de realização. Além disso, é preciso escolher corretamente o tipo de inspirômetro de incentivo (a fluxo ou a volume) mais adequado a cada caso, de acordo com as condições do paciente e os benefícios a serem alcançados.

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

> AZEREDO, C. A. C. Fisioterapia Respiratória Moderna. 4ª ed. São Paulo: Manole, 2002;


> BARNES, Thomas A. Tore Text Book of Respiratory Care Pratice. C T Lares: Mosvy, 1994;



> EBUTTI, Vanda F. Atelectasia. Disponível em: http://www.hc.ufpr.br/acad/ patologia/anatomia/atividades/respiratorio/apostila_vanda/APOSTXT/sist-resp/7.html.. Acesso em: 11 de nov. de 2002, 22:49;

> EMPROMED. Disponível em: http://www.empromed.com.br/inspirx.htm. Acesso em: 13 de nov. de 2002, 21:15;

> LANÇA, Márcio Ataíde. Atelectasia Pulmonar 2001. Disponível em: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?41. Acesso em: 09 de nov. de 2002, 22:10.

 

Obs.:
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- Publicado em 24/07/06

 


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