Trabalho realizado por:

a

Eddy Krueger ²

eddy_krueger@hotmail.com

 

Júlio César de Andrade Chinelato ²

juliochinelato@hotmail.com

Leanderson Franco de Meira¹ leandersonfm@gmail.com

 

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VIABILIDADE DO ULTRA-SOM NA DESOBSTRUÇÃO BRÔNQUICA: ANÁLISE QUALITATIVA EM TÓRAX CADAVÉRICO

Feasibility Of Ultra-Sound In Bronchal Desobstruction: Qualitative Analysis On Chest Cadaveric

 


Resumo

OBJETIVO: Indubitavelmente uma das prioridades da fisioterapia respiratória é a remoção de secreção brônquica, atualmente o mesmo ainda necessita de grande esforço por parte do fisioterapeuta, ou do paciente se for utilizado técnicas ativas. Um aprimoramento da remoção de secreção brônquica por intermédio de Ultra-Som (US) seria de grande valia, já que não necessita da colaboração do paciente, não gera movimentação torácica, sendo possível a aplicação na presença de drenos ou fraturas ósseas. MATERIAIS E MÉTODOS: A bibliografia atual sobre o US, tem como peculiaridade de cada cabeçote, o seu coeficiente de penetração tissular, sendo o de 1MHz mais profundo que o de 3MHz. Igualando-se parâmetros do US, apenas variando a freqüência do cabeçote, buscou-se uma análise qualitativa da penetração do US por meio de uma caixa torácica cadavérica em pontos distintos. Pela mera formação de bolhas em face oposta da caixa torácica, o US com cabeçote de 3MHz é totalmente inviável como descreve a literatura tradicional, ficando evidenciado por meio desse experimente, que o cabeçote de 1MHz tem um efeito muito singelo sobre a caixa torácica. CONCLUSÕES: Mesmo conseguindo atenuar menos o seu feixe o cabeçote de 1 MHz em comparação com o cabeçote de 3MHz, o mesmo não demonstra ser de grande valia para mobilização de secreção, pois alem dos tecidos analisados, teríamos camadas diversas de tecido adiposo, muscular, conjuntivo, pleuras pulmonares, e o próprio parênquima pulmonar, antes de ser atingida a secreção.


Abstract

OBJECTIVE: Undoubtedly a priority of the respiratory Physical Therapy is the removal secretion of bronchial, now it still needs a great effort by the physiotherapist or the patient if used techniques active. An improvement in the removal of bronchial secretion through Ultra-Sound (US) would be of great value, because it does not require the cooperation of the patient, not drive generates chest, and the possible application in the presence of drains or bone fractures. METHOD: The current literature on the US, has the peculiarity of each Transducer, its coefficient of tissue penetration, and to 1MHz deeper that the 3MHz. Equaling itself parameters of the US, only varying the frequency of the Transducer, sought to be a qualitative analysis of the penetration of the US through a cadaveric chest in separate spots. RESULTS: For the mere formation of bubbles in the face opposite the chest, with the US Transducer of 3MHz is totally infeasible as literature describes the traditional, getting through this experiment revealed that the Transducer of 1MHz has an effect very weak on the chest. CONCLUSION: Even the transductor of 1MHz achieving least mitigate its beam compared to the Transducer of 3MHz, the same does not show be of great value for mobilization of secretion, yet beyond of tissues examined, we would have several layers of fat, muscle, conjunctive, pleuras lung, and the parenchyma lung, before being hit the secretion.

Palavras-chave: desobstrução – ultra-som – tixotropia
Keywords: clearing - ultra-sound – thixotropic


Introdução

O som é uma vibração mecânica cujo coeficiente de condução é análogo à densidade do meio por onde ele percorre invisível ao olho humano quando no meio aéreo, porém podendo ser visualizado em meios mais densos como água, gelatina dentre outros (1,2).
 

Quando o som é aplicado na superfície de um seguimento corporal gera uma vibração tecidual e, consequentemente, aquecimento dos meios por onde percorre, podendo, desta forma, ser utilizado como recurso terapêutico. A freqüência de onda mecânica utilizada para fins de tratamento é chamada de ultra-som (US) e, além dos efeitos terapêuticos, pode ser utilizado para registro de imagens, como é o caso da ecografia (3).
 

Os principais parâmetros utilizados para a modulação do US com o propósito de tratamento são:
• Freqüência do cabeçote: expressa em Hertz (Hz), sendo os cabeçotes mais conhecidos no Brasil de 1MHz e 3MHz, o primeiro teoricamente mais profundo de uso ortopédico, e o segundo mais superficial que o primeiro usado em transtornos dermatológicos.
• Intensidade: medida em Watts por centímetro ao quadrado (W/cm2), variando de 0,1 W/cm2 até 3,0 W/cm2, aplicando-se a dose específica, dependendo da fase da patologia como aguda, sub-aguda e crônica.
• Freqüência da aplicação: também expressa em Hz, variando de 16Hz a 100Hz, da mesma forma que a intensidade, a escolha deste parâmetro se dá pelo efeito a ser obtido.
• Ciclo ativo: porcentagem de tempo que permanecerá ligado em cada pulso de freqüência.
• Tempo: designa-se ao tempo da aplicação, variando em relação a área a ser tratado, e por ser uma aplicação estacionária ou não.

As ondas ultra-sônicas apresentam melhor condução em meios mais densos, ou seja, a velocidade de condução e a distância atingida são maiores em meio líquido que no ar. Da mesma forma, a intensidade desta onda tende a reduzir gradativamente devido a resistência oferecida pelo meio e por ser uma onda mecânica que carrega energia, toda substância que o som penetrar, tenderá a roubar uma determinada quantidade dessa energia. Sabe-se que tecidos ricos em colágenos, tais como fáscias, ligamentos e tendões, tentem a absorver maior quantidade de energia de um feixe ultra-sônico ao passo que músculos e estruturas mais líquidas apresentam uma menor absorção (4).
 

A interação do US com os meios por onde ele percorre repercute em vibrações das moléculas ocasionando leve aquecimento e algumas reações químicas que facilitam a entrada de água em seu meio reduzindo sua viscosidade e favorecendo sua movimentação, a este fator se dá o nome de tixotropia (4).
 

A função principal do sistema respiratório é promover as trocas gasosas captando o oxigênio do ar ambiente e eliminando o gás carbônico produzido pelo organismo. Para que isso aconteça o ar inalado deve percorrer toda a árvore traqueobrônquica até atingir os alvéolos pulmonares. Desta forma, durante a ventilação pulmonar o epitélio brônquico, camada íntima que reveste a árvore traqueobrônquica, está continuamente exposto a agentes externos como poluentes e microorganismo presentes no ar ambiente (5).
 

Para a proteção do meio interno do organismo e para que o ar atinja os alvéolos pulmonares em condições favoráveis às trocas gasosas ele deve ser filtrado sendo o mecanismo mucociliar, que é representado pela função das células epiteliais das vias aéreas, um dos responsáveis pela limpeza do ar inspirado.
 

Um indivíduo adulto produz, em condições normais, uma média diária de 100 cm3 de muco, porém, em condições adversas ou patológicas, a produção de muco aumenta consideravelmente e o sistema de limpeza das vias aéreas perde sua eficácia podendo evoluir com acúmulo de secreções e obstrução parcial ou total do espaço intraluminar, comprometendo a ventilação pulmonar e as trocas gasosas (5,6).
 

Um dos princípios básicos da fisioterapia respiratória é a desobstrução brônquica, que pode ser definida como um processo de facilitação do clearance mucociliar objetivando a manutenção da permeabilidade das vias aéreas e conseqüente equilíbrio das trocas gasosas do organismo. Atualmente existem várias técnicas e recursos utilizados para a desobstrução brônquica sendo que os diferenciais estão nos mecanismos relacionados a cada um deles (7).
 

Assim sendo, o presente estudo tem como objetivo analisar a viabilidade do uso do US como recurso para a desobstrução brônquica.
 


Materiais e métodos

O estudo foi realizado no laboratório de anatomia da Faculdade de Pato Branco com a utilização de um cadáver do sexo masculino adulto dissecado de forma a ser preservado o tecido ósseo, muscular e cartilaginoso, mantido em conservação pelo método COMPLUCAD sem a necessidade de se manter submerso. Para os experimentos foi utilizado um aparelho de ultra-som Avatar – III : IBRAMED – LTDA.
 

Para verificar a viabilidade da utilização do US como recurso para a desobstrução brônquica foi realizada uma análise qualitativa utilizando o teste de névoa que consiste na aplicação de ondas ultras-sônicas em meios líquidos para que, com a oscilação das partículas, seja identificada a ressonância através da formação bolhas e/ou nebulização do líquido (8). Baseando-se neste princípio foi aplicado o US na superfície externa do tórax cadavérico e depositado cerca de 100ml de líquido (álcool 70%) na superfície interna em regiões paralelas de modo que o líquido ficasse acumulado sobre a área exposta as ondas ultras-sônicas.
 

O efeito tixotrópico do US foi considerado viável para o alcance e mobilização das secreções, ou pelo menos com capacidade de perfundir a caixa torácica quando observou-se a formação de bolhas no líquido alocado no interior do tórax cadavérico.
 

As ondas ultrassônicas foram moduladas conforme a capacidade máxima do equipamento utilizado, ou seja, 3,0 W/cm2 com freqüência contínua com os cabeçotes de 1 e 3 MHz sendo realizadas aplicações repetidas em três pontos pré-determinados:
• Corpo da costela porção lateral.
• Cartilagens costais, porção medial.
• Corpo do esterno.
 


Resultados
 

O poder de perfusão dos cabeçotes apresentou discrepâncias nítidas entre o de 1MHz e de 3MHz, independente do ponto de aplicação do US, sendo que o cabeçote de 3MHz não demonstrou efeito algum sobre o tórax cadavérico (Tabela-01).
 


Discussão


O cabeçote de 1MHz apresentou uma discreta oscilação do líquido no corpo da costela porção lateral sobre os tecidos ósseos com maior intensidade comparada ao tecido muscular. Na porção medial junto às cartilagens costais e sua musculatura adjacente, evidenciou-se maior oscilação do liquido em tecido muscular que cartilaginoso, provavelmente devido à porção lateral das costelas serem visivelmentes mais adelgaçadas que as cartilagens costais. Finalmente no corpo do esterno, por ser mais denso e pelo seu diâmetro ser maior que as estruturas anteriores já citadas, teve-se uma atenuação total durante a passagem da onda mecânica pelo mesmo, não demonstrando formação de bolha alguma na face oposta.
 

No acompanhamento das enfermidades pneumológicas, analises quantitativas e qualitativas das secreções das vias aéreas, são utilizadas como um fator importante para a estruturação do diagnóstico e prognóstico do paciente, sendo classificadas quanto:
• A sua viscosidade, secreção viscosa ou secreção fluídica.
• Sua cor, esbranquiçada, amarelada, esverdeada, marrom ou rósea.
• Quanto ao seu odor, inodoro ou fétido.
• Quanto a sua densidade, flutuante na água ou não flutuante na água (9,5).
 

Estudos descritos na literatura comparando técnicas de fisioterapia respiratória na remoção de secreção em pacientes com bronquiectasia, relatam que tanto técnicas manuais como vibração, drenagem postural, alem de ativas como drenagem autogênica, TEF e oscilação de alta freqüência (flutter), tem uma eficácia equivalente (10).
 

Um dos principais focos da Fisioterapia respiratória é a remoção da secreção pulmonar, para manter a permeabilidade das vias aéreas (clearance mucociliar) e consequentemente potencializar a hematose. Até o momento técnicas manuais ou realizadas por intermédio de aparelhos que necessitam da ajuda do paciente, são os recursos fisioterapêuticos disponíveis e fundamentados pela literatura. Diferenciando-se de outras especialidades fisioterápicas, atualmente não se tem na fisioterapia respiratória o uso de recursos de eletrotermofotorepia com assiduidade. Com o aprimoramento da remoção de secreção brônquica por intermédio de US, recurso que não necessitaria da colaboração do paciente, onde o mesmo não gera movimentação torácica, sendo possível a aplicação mesmo na presença de drenos ou fraturas ósseas.
 

Revisando-se a bibliografia atual sobre o US, se tem como peculiaridade de cada cabeçote, o seu coeficiente de penetração tissular, sendo o de 1MHz mais profundo que o de 3MHz (4) .Vale ressaltar que estes parâmetros infelizmente não são padrões, sendo muito comum encontrar discrepâncias grandes entre marcas de aparelhos (8,4).
 


Conclusões


Conclui-se que pela mera formação de bolhas em face oposta da caixa torácica, o US com cabeçote de 3MHz é totalmente inviável como descreve a literatura tradicional, ficando evidenciado por meio desse experimento, já o cabeçote de 1MHz tem um efeito muito singelo sobre a caixa torácica, mesmo conseguindo atenuar menos o seu feixe em comparação com o cabeçote de 3MHz sobre a caixa torácica, o mesmo não demonstra ser de grande valia para mobilização de secreção, pois além dos tecidos analisados, teríamos camadas diversas de tecido adiposo, muscular, conjuntivo, pleuras pulmonares, e o próprio parênquima pulmonar, antes de ser atingido a secreção, para que esta seja fluidificada. Uma alternativa não experimentada por ausência de material, seria o uso de um cabeçote de 0,5MHz (comumente usado na Europa e USA), já que seguindo a lógica literária que foi corroborada com o experimento, a freqüência do cabeçote é inversamente proporcional ao coeficiente de atenuação pelo meio da onda ultra-sônica.
 


Referências Bibliográficas

1 - GARCIA, EDUARDO A.C. Biofísica, -- São Paulo : SARVIER, 2002.
2 - MENESES, MURILO, S. Neuroanatomia Aplicada, Rio de Janeiro : editora Guanabara Koogan, 1999.
3 - HENEINE I.F. Biofisica Básica, São Paulo: editora Atheneu, 2000.
4 - AGNE, JONES E. Eletroterapia: teoria e prática. Santa Maria : Orium, 2005.
5 - COSTA, D. Fisioterapia Respiratória Básica, - São Paulo - SP : 1 ª edição, editora Atheneu, 2004. -(Série fisioterapia básica e aplicada)
6 - AZEREDO, C, A, C. Fisioterapia Respiratória Moderna, - Barueri – SP : 4ª edição ampliada e revisada, Manole, 2002.
7 - Eur Respir J 1999; 13: 949-950. Mucus transport and physiotherapy – a new series, authors: S.L Hill; B. Webber.
8 - MACHADO C.M. Eletrotermoterapia Pratica, Pasncast 3ª edição (ampliada e revisada), São Paulo – SP, 2002.
9 - J Bras Pneumol. 2007; 33(1): 57-61. O muco traqueobrônquico humano mantido em temperatura ambiente e suas propriedades físico-químicas, autores: Renata Claudia Zanchet; Gilvânia Feijó; Ada Clarice Gastaldi; José Roberto Jardim.
10 - Braz J Cardiovasc Surg 2006; 21(2): 206-210. Bronquiectasia e fisioterapia desobstrutiva: ênfase em drenagem postural e perfusão, autores: Neuseli Marino LAMARI; Ana Letícia Quinalha MARTINS; Janine Vieira OLIVEIRA; Laís Carvalho MARINO; Nelson Valério.
 


 

Tabela 01. Cabeçotes do Ultra-Som e regiões aonde foram aplicados, esboçando seus respectivos efeitos.
 

Cabeçote

Corpo da costela porção lateral

Cartilagens costais porção medial

Corpo do esterno

1 MHz

Formação de bolhas mais presentes em tecido ósseo que muscular

Formação de bolhas presentes apenas em tecido muscular e não em cartilaginoso

Não ocorreu alteração

3 MHz

Não ocorreu alteração

Não ocorreu alteração

Não ocorreu alteração

 


1- Professor titular do curso de Fisioterapia da Faculdade de Pato Branco - FADEP
2- Bacharel em Fisioterapia

 

Educação a Distância

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Obs.:
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- Publicado em 19/03/2009

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