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Resumo
OBJETIVO: Indubitavelmente uma das prioridades da
fisioterapia respiratória é a remoção de secreção brônquica,
atualmente o mesmo ainda necessita de grande esforço por parte do
fisioterapeuta, ou do paciente se for utilizado técnicas ativas. Um
aprimoramento da remoção de secreção brônquica por intermédio de
Ultra-Som (US) seria de grande valia, já que não necessita da
colaboração do paciente, não gera movimentação torácica, sendo
possível a aplicação na presença de drenos ou fraturas ósseas.
MATERIAIS E MÉTODOS: A bibliografia atual sobre o US, tem como
peculiaridade de cada cabeçote, o seu coeficiente de penetração
tissular, sendo o de 1MHz mais profundo que o de 3MHz. Igualando-se
parâmetros do US, apenas variando a freqüência do cabeçote,
buscou-se uma análise qualitativa da penetração do US por meio de
uma caixa torácica cadavérica em pontos distintos. Pela mera
formação de bolhas em face oposta da caixa torácica, o US com
cabeçote de 3MHz é totalmente inviável como descreve a literatura
tradicional, ficando evidenciado por meio desse experimente, que o
cabeçote de 1MHz tem um efeito muito singelo sobre a caixa torácica.
CONCLUSÕES: Mesmo conseguindo atenuar menos o seu feixe o cabeçote
de 1 MHz em comparação com o cabeçote de 3MHz, o mesmo não demonstra
ser de grande valia para mobilização de secreção, pois alem dos
tecidos analisados, teríamos camadas diversas de tecido adiposo,
muscular, conjuntivo, pleuras pulmonares, e o próprio parênquima
pulmonar, antes de ser atingida a secreção.
Abstract
OBJECTIVE: Undoubtedly a priority of the respiratory Physical
Therapy is the removal secretion of bronchial, now it still needs a
great effort by the physiotherapist or the patient if used
techniques active. An improvement in the removal of bronchial
secretion through Ultra-Sound (US) would be of great value, because
it does not require the cooperation of the patient, not drive
generates chest, and the possible application in the presence of
drains or bone fractures. METHOD: The current literature on the US,
has the peculiarity of each Transducer, its coefficient of tissue
penetration, and to 1MHz deeper that the 3MHz. Equaling itself
parameters of the US, only varying the frequency of the Transducer,
sought to be a qualitative analysis of the penetration of the US
through a cadaveric chest in separate spots. RESULTS: For the mere
formation of bubbles in the face opposite the chest, with the US
Transducer of 3MHz is totally infeasible as literature describes the
traditional, getting through this experiment revealed that the
Transducer of 1MHz has an effect very weak on the chest. CONCLUSION:
Even the transductor of 1MHz achieving least mitigate its beam
compared to the Transducer of 3MHz, the same does not show be of
great value for mobilization of secretion, yet beyond of tissues
examined, we would have several layers of fat, muscle, conjunctive,
pleuras lung, and the parenchyma lung, before being hit the
secretion.
Palavras-chave: desobstrução – ultra-som – tixotropia
Keywords: clearing - ultra-sound – thixotropic
Introdução
O som é uma vibração mecânica cujo coeficiente de condução é análogo
à densidade do meio por onde ele percorre invisível ao olho humano
quando no meio aéreo, porém podendo ser visualizado em meios mais
densos como água, gelatina dentre outros (1,2).
Quando o som é
aplicado na superfície de um seguimento corporal gera uma vibração
tecidual e, consequentemente, aquecimento dos meios por onde
percorre, podendo, desta forma, ser utilizado como recurso
terapêutico. A freqüência de onda mecânica utilizada para fins de
tratamento é chamada de ultra-som (US) e, além dos efeitos
terapêuticos, pode ser utilizado para registro de imagens, como é o
caso da ecografia (3).
Os principais
parâmetros utilizados para a modulação do US com o propósito de
tratamento são:
• Freqüência do cabeçote: expressa em Hertz (Hz), sendo os cabeçotes
mais conhecidos no Brasil de 1MHz e 3MHz, o primeiro teoricamente
mais profundo de uso ortopédico, e o segundo mais superficial que o
primeiro usado em transtornos dermatológicos.
• Intensidade: medida em Watts por centímetro ao quadrado (W/cm2),
variando de 0,1 W/cm2 até 3,0 W/cm2, aplicando-se a dose específica,
dependendo da fase da patologia como aguda, sub-aguda e crônica.
• Freqüência da aplicação: também expressa em Hz, variando de 16Hz a
100Hz, da mesma forma que a intensidade, a escolha deste parâmetro
se dá pelo efeito a ser obtido.
• Ciclo ativo: porcentagem de tempo que permanecerá ligado em cada
pulso de freqüência.
• Tempo: designa-se ao tempo da aplicação, variando em relação a
área a ser tratado, e por ser uma aplicação estacionária ou não.
As ondas ultra-sônicas apresentam melhor condução em meios mais
densos, ou seja, a velocidade de condução e a distância atingida são
maiores em meio líquido que no ar. Da mesma forma, a intensidade
desta onda tende a reduzir gradativamente devido a resistência
oferecida pelo meio e por ser uma onda mecânica que carrega energia,
toda substância que o som penetrar, tenderá a roubar uma determinada
quantidade dessa energia. Sabe-se que tecidos ricos em colágenos,
tais como fáscias, ligamentos e tendões, tentem a absorver maior
quantidade de energia de um feixe ultra-sônico ao passo que músculos
e estruturas mais líquidas apresentam uma menor absorção (4).
A interação do
US com os meios por onde ele percorre repercute em vibrações das
moléculas ocasionando leve aquecimento e algumas reações químicas
que facilitam a entrada de água em seu meio reduzindo sua
viscosidade e favorecendo sua movimentação, a este fator se dá o
nome de tixotropia (4).
A função
principal do sistema respiratório é promover as trocas gasosas
captando o oxigênio do ar ambiente e eliminando o gás carbônico
produzido pelo organismo. Para que isso aconteça o ar inalado deve
percorrer toda a árvore traqueobrônquica até atingir os alvéolos
pulmonares. Desta forma, durante a ventilação pulmonar o epitélio
brônquico, camada íntima que reveste a árvore traqueobrônquica, está
continuamente exposto a agentes externos como poluentes e
microorganismo presentes no ar ambiente (5).
Para a
proteção do meio interno do organismo e para que o ar atinja os
alvéolos pulmonares em condições favoráveis às trocas gasosas ele
deve ser filtrado sendo o mecanismo mucociliar, que é representado
pela função das células epiteliais das vias aéreas, um dos
responsáveis pela limpeza do ar inspirado.
Um indivíduo
adulto produz, em condições normais, uma média diária de 100 cm3 de
muco, porém, em condições adversas ou patológicas, a produção de
muco aumenta consideravelmente e o sistema de limpeza das vias
aéreas perde sua eficácia podendo evoluir com acúmulo de secreções e
obstrução parcial ou total do espaço intraluminar, comprometendo a
ventilação pulmonar e as trocas gasosas (5,6).
Um dos
princípios básicos da fisioterapia respiratória é a desobstrução
brônquica, que pode ser definida como um processo de facilitação do
clearance mucociliar objetivando a manutenção da permeabilidade das
vias aéreas e conseqüente equilíbrio das trocas gasosas do
organismo. Atualmente existem várias técnicas e recursos utilizados
para a desobstrução brônquica sendo que os diferenciais estão nos
mecanismos relacionados a cada um deles (7).
Assim sendo, o
presente estudo tem como objetivo analisar a viabilidade do uso do
US como recurso para a desobstrução brônquica.
Materiais e métodos
O estudo foi realizado no laboratório de anatomia da Faculdade de
Pato Branco com a utilização de um cadáver do sexo masculino adulto
dissecado de forma a ser preservado o tecido ósseo, muscular e
cartilaginoso, mantido em conservação pelo método COMPLUCAD sem a
necessidade de se manter submerso. Para os experimentos foi
utilizado um aparelho de ultra-som Avatar – III : IBRAMED – LTDA.
Para verificar
a viabilidade da utilização do US como recurso para a desobstrução
brônquica foi realizada uma análise qualitativa utilizando o teste
de névoa que consiste na aplicação de ondas ultras-sônicas em meios
líquidos para que, com a oscilação das partículas, seja identificada
a ressonância através da formação bolhas e/ou nebulização do líquido
(8). Baseando-se neste princípio foi aplicado o US na superfície
externa do tórax cadavérico e depositado cerca de 100ml de líquido
(álcool 70%) na superfície interna em regiões paralelas de modo que
o líquido ficasse acumulado sobre a área exposta as ondas
ultras-sônicas.
O efeito
tixotrópico do US foi considerado viável para o alcance e
mobilização das secreções, ou pelo menos com capacidade de perfundir
a caixa torácica quando observou-se a formação de bolhas no líquido
alocado no interior do tórax cadavérico.
As ondas
ultrassônicas foram moduladas conforme a capacidade máxima do
equipamento utilizado, ou seja, 3,0 W/cm2 com freqüência contínua
com os cabeçotes de 1 e 3 MHz sendo realizadas aplicações repetidas
em três pontos pré-determinados:
• Corpo da costela porção lateral.
• Cartilagens costais, porção medial.
• Corpo do esterno.
Resultados
O poder de
perfusão dos cabeçotes apresentou discrepâncias nítidas entre o de
1MHz e de 3MHz, independente do ponto de aplicação do US, sendo que
o cabeçote de 3MHz não demonstrou efeito algum sobre o tórax
cadavérico (Tabela-01).
Discussão
O cabeçote de 1MHz apresentou uma discreta oscilação do líquido
no corpo da costela porção lateral sobre os tecidos ósseos com maior
intensidade comparada ao tecido muscular. Na porção medial junto às
cartilagens costais e sua musculatura adjacente, evidenciou-se maior
oscilação do liquido em tecido muscular que cartilaginoso,
provavelmente devido à porção lateral das costelas serem
visivelmentes mais adelgaçadas que as cartilagens costais.
Finalmente no corpo do esterno, por ser mais denso e pelo seu
diâmetro ser maior que as estruturas anteriores já citadas, teve-se
uma atenuação total durante a passagem da onda mecânica pelo mesmo,
não demonstrando formação de bolha alguma na face oposta.
No
acompanhamento das enfermidades pneumológicas, analises
quantitativas e qualitativas das secreções das vias aéreas, são
utilizadas como um fator importante para a estruturação do
diagnóstico e prognóstico do paciente, sendo classificadas quanto:
• A sua viscosidade, secreção viscosa ou secreção fluídica.
• Sua cor, esbranquiçada, amarelada, esverdeada, marrom ou rósea.
• Quanto ao seu odor, inodoro ou fétido.
• Quanto a sua densidade, flutuante na água ou não flutuante na água
(9,5).
Estudos
descritos na literatura comparando técnicas de fisioterapia
respiratória na remoção de secreção em pacientes com bronquiectasia,
relatam que tanto técnicas manuais como vibração, drenagem postural,
alem de ativas como drenagem autogênica, TEF e oscilação de alta
freqüência (flutter), tem uma eficácia equivalente (10).
Um dos
principais focos da Fisioterapia respiratória é a remoção da
secreção pulmonar, para manter a permeabilidade das vias aéreas (clearance
mucociliar) e consequentemente potencializar a hematose. Até o
momento técnicas manuais ou realizadas por intermédio de aparelhos
que necessitam da ajuda do paciente, são os recursos
fisioterapêuticos disponíveis e fundamentados pela literatura.
Diferenciando-se de outras especialidades fisioterápicas, atualmente
não se tem na fisioterapia respiratória o uso de recursos de
eletrotermofotorepia com assiduidade. Com o aprimoramento da remoção
de secreção brônquica por intermédio de US, recurso que não
necessitaria da colaboração do paciente, onde o mesmo não gera
movimentação torácica, sendo possível a aplicação mesmo na presença
de drenos ou fraturas ósseas.
Revisando-se a
bibliografia atual sobre o US, se tem como peculiaridade de cada
cabeçote, o seu coeficiente de penetração tissular, sendo o de 1MHz
mais profundo que o de 3MHz (4) .Vale ressaltar que estes parâmetros
infelizmente não são padrões, sendo muito comum encontrar
discrepâncias grandes entre marcas de aparelhos (8,4).
Conclusões
Conclui-se que pela mera formação de bolhas em face oposta da
caixa torácica, o US com cabeçote de 3MHz é totalmente inviável como
descreve a literatura tradicional, ficando evidenciado por meio
desse experimento, já o cabeçote de 1MHz tem um efeito muito singelo
sobre a caixa torácica, mesmo conseguindo atenuar menos o seu feixe
em comparação com o cabeçote de 3MHz sobre a caixa torácica, o mesmo
não demonstra ser de grande valia para mobilização de secreção, pois
além dos tecidos analisados, teríamos camadas diversas de tecido
adiposo, muscular, conjuntivo, pleuras pulmonares, e o próprio
parênquima pulmonar, antes de ser atingido a secreção, para que esta
seja fluidificada. Uma alternativa não experimentada por ausência de
material, seria o uso de um cabeçote de 0,5MHz (comumente usado na
Europa e USA), já que seguindo a lógica literária que foi
corroborada com o experimento, a freqüência do cabeçote é
inversamente proporcional ao coeficiente de atenuação pelo meio da
onda ultra-sônica.
Referências Bibliográficas
1 - GARCIA, EDUARDO A.C. Biofísica, -- São Paulo : SARVIER, 2002.
2 - MENESES, MURILO, S. Neuroanatomia Aplicada, Rio de Janeiro :
editora Guanabara Koogan, 1999.
3 - HENEINE I.F. Biofisica Básica, São Paulo: editora Atheneu, 2000.
4 - AGNE, JONES E. Eletroterapia: teoria e prática. Santa Maria :
Orium, 2005.
5 - COSTA, D. Fisioterapia Respiratória Básica, - São Paulo - SP : 1
ª edição, editora Atheneu, 2004. -(Série fisioterapia básica e
aplicada)
6 - AZEREDO, C, A, C. Fisioterapia Respiratória Moderna, - Barueri –
SP : 4ª edição ampliada e revisada, Manole, 2002.
7 - Eur Respir J 1999; 13: 949-950. Mucus transport and
physiotherapy – a new series, authors: S.L Hill; B. Webber.
8 - MACHADO C.M. Eletrotermoterapia Pratica, Pasncast 3ª edição
(ampliada e revisada), São Paulo – SP, 2002.
9 - J Bras Pneumol. 2007; 33(1): 57-61. O muco traqueobrônquico
humano mantido em temperatura ambiente e suas propriedades
físico-químicas, autores: Renata Claudia Zanchet; Gilvânia Feijó;
Ada Clarice Gastaldi; José Roberto Jardim.
10 - Braz J Cardiovasc Surg 2006; 21(2): 206-210. Bronquiectasia e
fisioterapia desobstrutiva: ênfase em drenagem postural e perfusão,
autores: Neuseli Marino LAMARI; Ana Letícia Quinalha MARTINS; Janine
Vieira OLIVEIRA; Laís Carvalho MARINO; Nelson Valério.
Tabela 01.
Cabeçotes do Ultra-Som e regiões aonde foram aplicados, esboçando
seus respectivos efeitos.
|
Cabeçote |
Corpo da
costela porção lateral |
Cartilagens costais porção medial |
Corpo do
esterno |
|
1 MHz |
Formação de bolhas mais presentes em
tecido ósseo que muscular |
Formação de bolhas presentes apenas em
tecido muscular e não em cartilaginoso |
Não ocorreu alteração |
|
3 MHz |
Não ocorreu alteração |
Não ocorreu alteração |
Não ocorreu alteração |
1- Professor titular do curso de
Fisioterapia da Faculdade de Pato Branco - FADEP
2- Bacharel em Fisioterapia |
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