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| Trabalho realizado por: - Tatiane Dias C. Valença E-mail: tatidcv@ig.com.br |
Fisioterapeuta, especialista em Gerontologia Professora da disciplina Fisioterapia
Aplicada a Reumatologia da UESB |
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ARTRITE REUMATÓIDE JUVENIL |
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A- DEFINIÇÃO
É uma doença
crônica, auto imune, de etiologia desconhecida, que ocorre em
crianças menores de 16 anos, que se caracteriza pela presença de
artrite crônica em 1 ou mais articulações, com possíveis
manifestações sistêmicas (pele, coração, olhos, etc.)
• Caracterizada por alterações como: inflamação, deformidades, alterações no crescimento, rigidez articular, fraqueza muscular, diminuição da atividade funcional. • Não é fatal mas caso não seja tratada precocemente pode acarretar prejuízos permanentes. B- INCIDÊNCIA • Relativamente rara • Aparece antes dos 16 anos (entre 18m e 3a) • Incidência varia de 9 a 18 em 100mil crianças com menos de 16 anos. • Maior incidência no sexo feminino: (F:M) Poliarticular (3:1), Oligoarticular (5:1), Sistêmica (1:1). • No Brasil, após a Febre Reumática, é a doença do tec. Conjuntivo mais comum. • Acomete qualquer raça. C- ETIOLOGIA Ainda é obscuro o agente etiológico. Apontam-se diversos fatores, porém não há nada conclusivo. * Agentes infecciosos bacterianos ou virais são frequentemente imputados como causadores (enterovírus, herpes vírus, vírus da caxumba) porém, nenhum gérmen foi isolado. * Existe uma predisposição genética. Presença do HLA-B27.. Observações clínicas mostram que familiares de enfermos reumáticos, a positividade do fator reumatóide é maior do que em indivíduos sãos. * Estresse físico e emocional, trauma: podem determinar alterações na homeostase do sistema imune e neuroendócrino atuando assim na atividade da doença. D- QUADRO CLÍNICO * A doença tem curso muito variado, indo de casos que evoluem para a cura, até aqueles que cursam com importantes deformidades do aparelho locomotor. * Inicialmente apresenta anorexia, fadiga, perda de peso e dificuldade de ganho ponderal e estrutural. * O início é de forma insidiosa ou aguda, com ou sem manifestações sistêmicas.Pode aparecer complicações viscerais que podem levar ao óbito. * Rigidez matinal é um dos primeiros sintomas que acomete principalmente as articulações IF e MTCF das mãos, geralmente simétricas. Punhos e pés também são bastante acometidos. * Pode ocorrer mialgia, dores articulares, edema articular. * Fraqueza muscular e de partes moles. * Diminuição da atividade funcional, retarda da deambulação, alteração na marcha. * Quando há queda do estado geral pode aparecer febre alta, rash cutâneo * A febre costuma ser alta (39-40º C ), geralmente uma vez ao dia, final da tarde, e desaparece com antitérmico. Durante o pico febril a criança fica bem debilitada, com a queda da temperatura volta a ser ativa. * Vasculites podem aparecer, principalmente em MMII * Diminuição da ADM * Espasmo muscular * Irritabilidade devido a dor. * Anquilose cervical : interapofisárias de C2 / C3 com diminuição da mobilidade e movimentos em bloco com os ombros. * Distúrbios de crescimento devido a desnutrição ou fusão prematura da cartilagem de crescimento. * Osteopenia: diminuição da atividade, ingestão deficiente de nutrientes, corticosteróides. * Creptação ao movimento * Os joelhos são mais afetados: diminuição da mobilidade, valgo, atrofia do quadríceps e tibial posterior, luxação da tíbia posteriormente e marcha claudicante. * O Tornozelo é a segunda mais atingida: acometimento dos pés e posteriormente deformidade em pés planos com pronação, calcâneo valgo, hiperextensão de MTFG, marcha anserina com lordose ou pé cavo com dedos em martelo. * Punhos tem problemas mais incapacitantes como limitação precoce da extensão. * Nas MTCF ocorre desvio radial e perda da flexão. * Nas mãos ocorre edema periarticular e derrame articular, perda movimento de preensão pela diminuição de força muscular. Existe três tipos de início da ARJ que são classificados de acordo com o comportamento da doença nas primeiras 6 semanas 1- POLIARTICULAR: - Acomete 5 articulações ou mais, simétrica, envolvendo grandes artic. (J,T,P,C,) e pequenas artic. das mãos. - Os sintomas articulares predominam desde o início e as manifestações sistêmicas são geralmente discretas. - Apresenta dificuldade na marcha, irritabilidade e posturas de defesa. - Coluna cervical perde a mobilidade - Envolvimento da temporomandibular que limita a abertura da boca. - Vasculites cutâneas. - Febre baixa. - É a que acarreta maior destruição articular e com isso menor capacidade funcional e qualidade de vida. - Pode ser dividida em dois subgrupos: 1- Com fator reumatóide negativo 2- Com fator reumatóide positivo: afeta adolescentes do sexo F e tem pior prognóstico. É mais agressiva e evolui com recorrências freqüentes ou atividade contínua.
2-
OLIGOARTICULAR
* Afeta 4 ou menos articulações. * É a mais freqüente, 50% dos casos. * J,T são artic. mais afetadas, de forma assimétrica. Coluna Cervical e mãos são pouco afetadas. * O início é insidioso, assintomático. * Não tem manifestações sistêmicas, exceto Uveíte. * Possui dois subgrupos:
1- atinge
meninas, menores de 5 a, alto risco de uveite.
2- atinge meninos, maiores 10a, acomete sacroilíacas, J, T, apresenta entesites e pode desenvolver E.A. 3- SISTÊMICA OU DOENÇA DE STILL. * Nem sempre existe artrite na forma inicial * Forma mais grave e menos comum, 20% dos casos. * Acomete crianças dos dois sexos, em qualquer idade, afetando mais as grandes articulações. * Apresenta febre geralmente combinada com eritema, linfadenopatia, pericardite, esplenomegalia, hepatomegalia, dor abdominal, artrite ou artralgia. * Febre alta com dois picos ao dia, diária e vespertina. Na fase sem febre a criança é ativa. É intermitente, com rash cutâneo formado por pequenas máculas de 2 a 5 mm de diâmetro, rosa salmão, geralmente no tronco, porção proximal dos membros. Parece urticária, mas não tem prurido. * Hepatoesplenomegalia, pericardite leve ou moderada.
E - DIAGNÓSTICO
• O diagnóstico
é difícil.
• HISTÓRICO: para saber há quanto tempo os sintomas existem, para excluir outras causas, história familiar. • EXAME FÍSICO: detectar inflamação, erupções, nódulos, diminuição da ADM, mudança na marcha, rigidez, problemas nos olhos. • LÍQUIDO ARTICULA E TEC: identificar infecção ou inflamação. • EXAMES LABORATORIAIS: VHS, Teste para determinação de anticorpos antinucleares (FAN), fator reumatóide, anemia e VHS. Não são determinantes para o diagnóstico. • RAIO X: edemas de partes moles, osteopenia, erosões, anquilose, diminuição espaço articular, fraturas. • ECOCARDIOGRAMA: pericardite Critérios da RAC: 1-Idade de início inferior a 16 a. 2-Artrite em 1 ou mais articulações. 3-Duração mínima da artrite em uma mesma articulação = 6sem 4-Tipo de início da doença nos 6m de evolução a) Poliarticular: 5 ou mais articulações b) Oligoarticular ou pauciarticular: 4 ou menos articulações c) Sistêmica: manifestações gerais, viscerais e artrite 5- Exclusão de outras doenças.
F-
TRATAMENTO
> Tudo que se
almeja no tratamento da ARJ é que a criança possa viver o mais
normalmente possível, diminuindo o impacto da doença nas crianças,
no meio familiar e social.
> MEDICAMENTOSO: controlar a inflamação, analgesia e controlar a atividade da doença: AINHs, CORTICOSTERÓIDES > CIRURGIA: indicada para restauração da função, diminuição da dor e correção de deformidades (artroplastias, osteotomias e artrodeses). Fisioterapia pós operatório é fundamental para obter o máximo benefício. > FISIOTERAPIA:Objetivando diminuir a dor, preservar ou melhorar ADM, Fm, R, capacidade funcional para AVDs e para atividades recreativas, evitar deformidades e vícios posturais, marcha, além da independência e orientação à crianças e familiares. . FISIOTERAPIA
AVALIAÇÃO
• Histórico do aparecimento da doença • Avaliação física: -inspeção, palpação: dor, edema, deformidades, acometimento extra articular. - acometimento articular: contar as artic. afetadas. - ADM: goniometria - força muscular: teste manual (contra indicado na fase aguda). - palmograma e plantígrafo - equilíbrio estático e dinâmico. * Marcha • Avaliação postural • Capacidade respiratória • Avaliação funcional: AVDs, Atividades Funcionais (mudanças de decúbito, sentar- levantar) CINESIOTERAPIA Na fase aguda exercícios passivos, suaves para não desencadear reflexos. Evoluir para exercícios assistidos e em seguida ativos suaves que devem ser realizados respeitando as limitações da doença. Exercícios isométricos podem ser realizados durante atividade da doença ou quando o movimento ativo causar dor. Alongamentos devem ser realizados evitando alongamentos vigorosos e as técnicas de manipulações articulares. POSICIONAMENTO A criança tende a adotar flexão do Q, J quando está em pé e deitada por ser mais confortável. Deve ser estimulada a deitar de prono por pelo menos 1h/dia. Pode ser necessário uso de órteses para extensão dos J. ORIENTAÇÕES * Repouso em posição confortável e funcional * Elevar o local de estudar, escrever e ler para evitar flexão do pescoço e diminuição da ADM dos ombros. * Treinar abertura da boca * Uso de órteses noturnas * Estimular a extensão do punho com atividades como escrita * Estimular atividades divertidas como natação, andar de bicicleta. * Jogar bola: chutar, jogar com as mãos. * Sapatos estáveis e confortáveis * Manter a mesa elevada e pés apoiados no chão. * Ficar em prono para evitar flexão do Q e J * Adaptar brinquedos, canetas, facilitar vestimentas, engrossar cabos de talheres, escovas de dentes * Incentivar e encorajar a criança a ser o mais ativo possível, ir a escola, participar de ativ. Recreativas. * Apoio psicológico para o paciente e familiares * Tratamento ortodôtico e oftalmológico.
G - PROGNÓSTICO
* É bastante
variável, dependendo dentre outros fatores do diagnóstico e
instalação precoce da terapêutica, visando diminuir a morbidade da
doença.
* Quanto menor a idade de início, pior é o resultado final. Se tiver início sistêmico, essas crianças geralmente evoluem mal e, se tiver início poliarticular, o prognóstico é melhor, mas uma proporção de crianças tem anomalias do crescimento e maxilares em retronegativa. * Existem pacientes que entram em remissão de doença. Os critérios adotados para remissão são: 1. Rigidez matinal inferior à 15 minutos; 2. Ausência de dor articular; 3. Ausência de fadiga; 4. Ausência de dor a movimentação; 5. Ausência de edema articular; BIBLIOGRAFIA * SKINNER T. Alison; THOMSON M. Ann; Duffield: Exercícios na água. 3ºEd. Editora Manole. * FILHO C. Achiles; Clínica Reumatológica. Guanabara Koogan. * SEDA, Hilton; Reumatológica. Ed. Cultura Médica, Rio de Janeiro, 1971. * O´SULLIVAN B. Susan; SCHMITZ J. Thomas; Fisioterapia – Avaliação e Tratamento. 2º Edição. Editora Manole. * SAMARA, Adil Muhib- Reumatologia- 1985- São Paulo- SP; * LARROCA. Thelma; Reumatologia princípios e prática - ed. Guanabara Koogan- RJ. * CHIARELLO,Berenice, Fisioterapia Reumatológica, ed. Manole, 1º ed SP 2005. |
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| Obs.: - Todo crédito e responsabilidade do conteúdo é de seu autor. - Publicado em 25/08/06 |
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