|
No derredor de algumas articulações existem
pequenas estruturas com o formato de bolsas que armazenam líqüidos sinoviais.
São as chamadas bursas, que têm funções de proteção e amortecimento,
destinando-se a reduzir o atrito entre os ossos e a evitar que os tecidos
moles circunvizinhos (musculaturas, ligamentos e tendões) sofram pressão
excessiva.
Em decorrência de variados motivos, as bursas podem sofrer inflamações,
instalando-se, assim, as denominadas bursites. O termo bursite significa,
justamente, bursa inflamada. Dentre as principais causas das bursites
destacam-se os traumatismos locais, o excesso de movimentos repetidos, as
lesões por esforços musculares, as artroses e demais problemas articulares.
Quando ocorre uma bursite, as paredes da bursa atingida tornam-se mais
espessas e passam a produzir mais líqüido. Isso resulta em inchaço local,
rigidez, irritação da pele, compressão das estruturas adjacentes e dores,
sentidas principalmente ao movimentar-se a região afetada.
O corpo humano possui mais de uma centena de bursas, distribuídas em locais
estratégicos. Algumas delas apresentam maior incidência de inflamações, tais
como as situadas na região dos ombros (bursite subacromial e subdeltóide),
dos cotovelos (bursite do olécrano), dos joelhos (bursite da pata de ganso e
pré-patelar anterior), dos quadris (bursite trocantérica, isquiotibial e do
íleopsoas) e dos calcâneos (bursite na inserção do tendão de aquiles).
O diagnóstico da bursite pode ser realizado por meio da história clínica do
paciente, de testes específicos, de radiografias, de ultra-sonografias, de
ressonâncias magnéticas, e também por exames laboratoriais, a depender do
nível de infecção.
O tratamento deve ser realizado de acordo com a complexidade de cada caso.
Pode ser recomendado pelo médico o uso de medicamentos, como
antiinflamatórios e relaxantes musculares. Nas situações de maior gravidade,
contudo, intervenções cirúrgicas podem ser necessárias.
Ademais, o tratamento fisioterapêutico pode ser de grande valia para sanar
essa patologia. O Fisioterapeuta pode intervir utilizando recursos como a
eletroterapia, a crioterapia (com aplicações regradas de gelo no local), a
massoterapia, a acupuntura, os exercícios terapêuticos de alongamento e o
fortalecimento muscular da região implicada.
O fisioterapeuta, além disso, pode orientar o paciente com relação à adoção
de hábitos de vida saudáveis que devem ser assumidos durante e após o
tratamento. Nessa esteira, objetiva-se, em especial, impedir compressões na
região da bursa, evitar o excesso de movimentos repetitivos e a ocorrência
de traumas que agravem o quadro.
Cada situação concreta merece ser examinada de maneira individualizada por
um profissional habilitado. Em geral, contudo, para evitar a incidência
danos maiores, uma pessoa acometida de bursite deve procurar manter o
mobiliário da sua casa e do seu local de trabalho dentro de padrões
ergonômicos adequados e realizar pequenas pausas durante longas jornadas
laborativas, para relaxamento e alongamento corporal. |