Referência  em  FISIOTERAPIA  na  Internet

 www.fisioweb.com.br 


Trabalho realizado por:
- Adriana Simões
- Cínthia Ribeiro Moura
- Lídia Ramos
- Michele Ferreira
- Rafael Valente

Acadêmicos do curso de Fisioterapia Reumatológica da UNIVERSO.


C-Telopeptídeo

 

Introdução

Podemos definir marcadores bioquímicos do metabolismo ósseo como substâncias que retratam a formação ou a reabsorção ósseas. Como a formação é dependente da ação dos osteoblastos, os marcadores de formação na realidade medem produtos decorrentes da ação destas células; da mesma maneira, os marcadores de reabsorção medem a ação dos osteoclastos, o principal tipo celular envolvido na reabsorção da matriz óssea. No caso dos marcadores de formação, são todos eles fruto de síntese osteoblástica, enquanto os de reabsorção são produto da atuação do osteoclasto sobre a matriz óssea.

Normalmente, como o processo de formação é estreitamente ligada ao de reabsorção, um marcador que reflete reabsorção também reflete formação; isto quando o tecido ósseo está em equilíbrio, como durante o intervalo entre a terceira e quinta décadas de vida. Durante o período de vida adulta, a atividade metabólica óssea, e consequentemente os níveis dos marcadores, tendem a ser mais baixos que os observados na infância e adolescência. Apesar de não estar plenamente documentado, poderíamos esperar que os marcadores de formação óssea fossem proporcionalmente mais elevados durante a infância e adolescência do que os de reabsorção. Durante a gravidez e lactação, o metabolismo ósseo também é mais acelerado, resultando em aumento dos níveis dos marcadores de formação e reabsorção. Nas mulheres, após a menopausa, os marcadores também tendem a se elevar, com os marcadores de reabsorção apresentando um incremento maior que os de formação . Diferentemente, os níveis de marcadores permanecem estáveis no sexo masculino até a oitava década de vida.

Doenças ósseas alteram o padrão de produção dos marcadores bioquímicos. Doenças que levam a osteopenia tendem a aumentar a relação entre os marcadores de reabsorção e os de formação, como parece ser o caso na osteoporose . Por outro lado, em condições patológicas como a osteopetrose, espera-se um incremento maior dos marcadores de formação. Além disto, os marcadores de formação óssea atualmente em uso refletem a atividade osteoblástica em diferentes estágios de diferenciação deste tipo celular. Durante a formação do osso, a produção da matriz colágena precede a mineralização. A fase de produção de matriz colágena coincide com uma maior produção de fosfatase alcalina, enquanto a mineralização coincide com uma maior produção de osteocalcina. Conseqüentemente, doenças que alteram a diferenciação osteoblástica tendem a alterar a relação entre os marcadores de formação. Tal fenômeno pode ser observado na doença de Paget onde o aumento dos níveis de fosfatase alcalina óssea é proporcionalmente bem maior que os de osteocalcina, sugerindo uma alteração na diferenciação dos osteoblastos. Os estados de deficiência de vitamina D também são caracterizados por uma alteração na diferenciação dos osteoblastos, daí o desproporcional aumento dos níveis de fosfatase alcalina encontrados na osteomalácia.

Um importante aspecto que deve ser salientado é a grande variabilidade dia-a-dia que os marcadores apresentam, em especial quando medidos em urina, onde podem chegar a 30% num mesmo indivíduo em condições basais. Logo, para que variações induzidas pela introdução de terapêutica específica tenham significado, são necessárias variações acima desses limites. Outros fatores podem também interferir nos níveis dos marcadores bioquímicos do metabolismo ósseo, independentemente de alterações na remodelação de longa duração. Assim, a remodelação óssea apresenta um ritmo circadiano, com maiores níveis durante a noite . Em função disto, a primeira urina da manhã, ou amostra de soro coletada nesse horário, reflete o pico de reabsorção óssea, e apresentará valores seguramente mais altos que uma amostra colhida em outra horário. Quanto aos marcadores séricos de formação, um aspecto importante a considerar na indicação e interpretação dos valores é a significativa diferença de meia-vida biológica entre fosfatase alcalina óssea (em torno de 1,6 dias) e osteocalcina (menos de 1 hora). Logo, fenômenos agudos são melhor representados pelos níveis de osteocalcina, enquanto os níveis de fosfatase alcalina óssea são mais estáveis e reprodutíveis. Adicionalmente, os níveis de marcadores bioquímicos, principalmente os de formação, variam ao longo do ciclo menstrual, sendo mais elevados durante a fase lútea comparativamente à fase folicular. Alterações importantes de função renal também podem interferir significativamente no metabolismo e excreção dos marcadores bioquímicos, principalmente da osteocalcina. Em função de todos os aspectos discutidos, a interpretação correta de valores de marcadores bioquímicos do metabolismo ósseo requer conhecimento das condições de coleta da amostra, bem como da condição geral do paciente.

O uso de métodos laboratoriais que permitam a avaliação do metabolismo ósseo de uma maneira confiável, rápida e prática tem sido um objetivo de há muito almejado pelos pesquisadores que atuam nessa área. O tecido ósseo apresenta uma série de características muito peculiares, dentre elas a grande extensão e distribuição, e a presença de cristais radiopacos. Estes últimos propiciam o exame do esqueleto de uma maneira muito simples, através do emprego de técnicas de absorção de raio-X, quer qualitativas (raio-X simples), quer quantitativas (densitometria óssea ou tomografia quantitativa). No entanto, os fenômenos metabólicos, fisiológicos ou patológicos, que podem atingir o tecido ósseo só afetam significativamente sua estrutura radiopaca após um lapso de tempo considerável. Isto torna o emprego destas técnicas limitado para o estudo mais dinâmico, e a curto prazo, do metabolismo ósseo. Daí o interesse sobre metodologias que possam quantificar substâncias que poderiam representar os processos metabólicos em curso no tecido.

No tecido ósseo, as moléculas de colágeno estão unidas por três resíduos do aminoácido hidroxilisina, lisina ou seus derivados, de maneira que cada duas moléculas de colágeno estão unidas entre si por uma estrutura cíclica fluorescente chamada piridinolina. Os telopeptídeos (extremidades da cadeia protéica) carboxiterminal e aminoterminal do colágeno tipo I, cujas cadeias protéicas estão unidas entre si através da estrutura piridinolínica, são liberados durante a degradação do colágeno tipo I22, dando origem aos telopeptídeos carboxiterminal (ICTP) e aminoterminal do colágeno tipo I (INTP). Essas substâncias circulam no sangue e são excretados em urina.

Telopeptídeo carboxiterminal crosslinked do colágeno tipo I - Demonstrou-se, in vivo e in vitro, uma correlação significativa entre os níveis do ICTP e a taxa de degradação da matriz óssea por meio de histomorfometria.

Níveis elevados de ICTP são observados em condições que cursem com uma reabsorção óssea aumentada como o mieloma múltiplo25, as metástases ósseas26, a artrite reumatóide27, o hiperparatiroidismo28 e a imobilização. No mieloma múltiplo, parece ser um indicador útil do prognóstico, e em carcinomas com metástases ósseas extensas foram descritos aumentos nas metástases puramente osteolíticas e nas metástases com componente osteolítico e osteoblástico. Em mulheres pósmenopáusicas, situação caracterizada por uma elevada reabsorção óssea, observase uma diminuição de seus níveis depois do tratamento com estrogênio. Existem poucos dados na literatura sobre as variações nos níveis de ICTP sérico durante a infância e adolescência. Estão descritos valores elevados ao nascimento e no primeiro mês de vida, com valores 60% inferiores à idade de 1 ano. Durante a puberdade, os valores são elevados, se comparados aos valores dos adultos, mas inferiores aos valores observados na idade de 1 ano mencionados no estudo anterior.

Atualmente, dispõe-se de um RIA policlonal e um ELISA para sua determinação em soro e urina, respectivamente.

Telopeptídeo aminoterminal crosslinked do colágeno tipo I Recentemente, descreveu-se um ELISA monoclonal para a quantificação desse peptídeo em urina. Desde então, realizaram-se alguns estudos nos quais se verifica sua relação com a reabsorção óssea Alguns desses estudos indicam uma sensibilidade superior desse peptídeo como marcador da reabsorção óssea ao comparálo com as piridinolinas, outro marcador de reabsorção óssea amplamente utilizado.

Estudo recente demonstrou que os níveis de INTP são muito elevados durante o primeiro ano de vida, com um descenso progressivo com a idade, sem elevações durante a puberdade. Nesse estudo, também se observou uma correlação positiva entre os níveis de INTP e a velocidade de crescimento, sugerindo que a determinação sérica do INTP também pode ser útil na monitorização do crescimento.

Em resumo, os marcadores de formação e reabsorção ósseas derivados do colágeno podem ser úteis no diagnóstico e acompanhamento de uma série de doenças caracterizadas por alterações do metabolismo ósseo.

Procolágeno Tipo I C-terminal peptídeo (PICP) é a forma mais abundante de colágeno presente nos ossos, também presente em outros tecidos, o que o torna um marcador menos preciso para a formação óssea. São baseados em anticorpos dirigidos contra a seqüência.

Os marcadores de reabsorção apresentam uma maior variabilidade de dia para dia, podendo variar em até 30% num mesmo indivíduo em condições basais. Logo, para que variações induzidas pela introdução de terapêutica específica tenham significado, são necessárias variações acima desses limites.


Resumo

O uso de marcadores bioquímicos do metabolismo ósseo na prática clínica tem se expandido de maneira considerável. Isto se deve ao surgimento de novos métodos e de um melhor conhecimento sobre a fisiopatologia das doenças ósteo-metabólicas, em especial a osteoporose. Os marcadores podem ser divididos em marcadores de formação, que refletem a atividade dos osteoblastos, e os de reabsorção, que refletem a atividade dos osteoclastos. Dentre os primeiros destacam-se a fosfatase alcalina óssea e a osteocalcina, e dentre os últimos os fragmentos derivados da reabsorção do colágeno, como as piridino-linas e os telopeptídeos carboxi e amino terminais. Além das aplicações já consagradas, como o diagnóstico e acompanhamento de patologias com importantes repercussões ósseas como a doença de Paget, o hiperparatiroidismo primário e outras, novas aplicações têm sido estudadas. Dentre estas, a que mais parece fundamentada é o acompanhamento do efeito de terapêutica específica no tratamento da osteoporose; a curto prazo, 1 a 3 meses, é possível a verificação da eficácia terapêutica, fato só possível com densitometria óssea após 1 a 2 anos. Novos métodos, em especial para a medida de marcadores de reabsorção no soro, devem tornar ainda mais abrangente a aplicação destes ensaios.


Conclusão

Com a pesquisa feita sobre C-Telopeptídeos, podemos notar que aumentou o nosso conhecimento sobre a formação óssea que está diretamente ligado, mesmo este marcador sendo um agente de reabsorção, já que para o desenvolvimento ósseo ocorrer é necessário que ocorra este processo. Esta fase está presente entre os trinta e cinqüenta anos de idade, onde encontra-se em equilíbrio o tecido ósseo.

O marcador C-Telopeptídeo é o que mais se encontra em abundância nos ossos e nos outros tecido, o que torna sua marcação menos precisa. Este, como todos os outros marcadores, sofrem influências dos diferentes estágios de vida e também do sexo, como por exemplo em uma mulher gestante ou que tenha lactação o nível é mais elevado. Já nas mulheres que estão em menopausa encontram seu níveis de marcadores de reabsorção mais elevados que os de formação, diferente dos homens que possuem seus níveis estáveis até a oitava década de vida.

Podemos notar que os marcadores em geral podem ser encontrados com diferentes níveis devido a uma determinada doença, isto faz com que seja importante o observação dos mesmos para detectarmos doenças relacionadas a todo o sistema ósseo.

Referências

* www.google.com.br
* www.cade.com.br

 

Obs.:
- Todo crédito e responsabilidade do conteúdo são de seus autores.
- Publicado em 14/11/06

 


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