Referência  em  FISIOTERAPIA  na  Internet

 www.fisioweb.com.br 


Trabalho realizado por:
- Amarildo Abreu de Souza
- Paula Renata Barrozo da Silva
- Rodrigo Melo Ramos
- Thatiana Nunes Velasco

Acadêmicos do curso de Fisioterapia da ASOEC/SG - UNIVERSO.


Artropatias Microcriatalinas: Gota

 

Introdução

 Artropatias Microcristalinas são um grupo de doenças cujas manifestações clínicas e alterações patológicas se devem à deposição de cristais minerais nos tecidos musculoesqueléticos, entre elas encontramos a Gota.

A Gota ocorre quando numerosos cristais se depositam, anormalmente, nas articulações e produzem uma série de manifestações articulares e extra-articulares.

      A Gota pode ocorrer de dois mecanismos básicos: O aumento da produção de ácido úrico e diminuição de ácido úrico pelos rins. Quanto à classificação, pode ser primária ou secundária; e para fins didáticos podemos defini-la como: Hiperuricemia assintomática, Artrite gotosa aguda, Período intercrítico, Gota tofácea crônica e Gota renal e urolitíase.

A etiologia da Gota é desconhecida, acredita-se ser por fatores hereditários. Porém, pode ser agravada por fatores como: obesidade, consumo de álcool excessivo, dieta rica em purinas, diabettes mellitus, exercício fora da rotina. Ainda assim, possui fatores de risco, como: insuficiência renal, desidratação e estado de acidose.

Podemos diagnosticá-la através de uma história sugestiva, hiperuricemia, achado de cristais de monourato de sódio. Podemos também utilizar o diagnóstico Diferencial e Exames Complementares.

A artrite Gotosa não tem cura. Mas, há tratamento garantido com dieta, antiinflamatórios, Colchicina, Corticoesteróides e outros.

 

                               

Gota

A gota acontece quando há um acúmulo de ácido úrico no sangue. Isso pode acontecer tanto pela produção excessiva quando pela eliminação deficiente da substância. O aumento da concentração de ácido úrico no sangue gera a deposição de cristais nos tecidos, principalmente nas articulações, causando inflamação e dor intensa.

 Se não tratada a tempo, a gota pode debilitar órgãos como os rins produzindo alterações deste órgão. Pode haver formação de cálculos, produzindo cólicas renais. Também podem ocorrer depósitos de cristais debaixo da pele, formando protuberâncias localizadas nos dedos, cotovelos e orelhas. São os chamados tofos.

O aumento da concentração de ácido úrico no sangue (HIPERURICEMIA) é definido como um nível de ácido maior que 7,0 mg/dl em homens e maior que 6,0 mg/dl em mulheres.

 

 

Etiopatogênia

Quanto a etiopatogenia, a gota pode ocorrer por 2 mecanismos básicos:

  1. Aumento na produção de ácido úrico: idiopático, defeito enzimático, alto turnover ácidos nucléicos, estresse (trauma, cirurgia, infecção) e dieta rica em proteína.
  2. Diminuição na eliminação de ácido úrico pelo rim: Aproximadamente 85% dos portadores de gota apresentam um defeito específico na eliminação de ácido úrico (que independe da função renal global).
    Geralmente o mecanismo desencadeante da gota para um dado paciente é misto.

Existe ainda uma forma de gota de ocorrência na infância completa de hipoxantina guanina fosforibosil transferase denominada de Síndrome de Lesh Nyhan onde uma severa hiperuricemia leva a comprometimento neurológico (espasticidade, coreoatetose e automutilação) quadro e morte precoce.

 

Classificação

Para fins didáticos, podemos dividi-la em:

  1. Hiperuricemia assintomática
  2. Artrite gotosa aguda
  3. Período intercrítico
  4. Gota tofácea crônica
  5. Gota renal e urolitíase

1. Hiperuricemia assintomática

Caracteriza-se por indivíduos que ocorrem níveis elevados de ácido úrico sérico, porém sem qualquer manifestação de doença.  Indivíduos hiperuricêmicos tem maior chance de desenvolver gota que normouricêmicos. Porém, a maioria permanece assintomática o resto da vida, não nessessitando nenhuma medida terapêutica.

2. Artrite gotosa aguda

É uma das manifestações clínicas mais características dentro da reumatologia. A crise aguda da gota manifesta-se por uma artrite, quase sempre monoarticular de início repentino e rápido desenvolvimento de dor intensa, edema aumento de temperatura e eritema, por vezes violáceo. Este quadro tem duração de 3 a 10 dias. As articulações mais comumente afetadas são:

GOTA - ENVOLVIMENTO ARTICULAR

 

1ª metatarsofalangeana. Nesse local a artrite denomina-se podagra. É a localização mais típica da gota envolvida em 50% dos casos na crise inicial e em 90% dos portadores de gota no evoluir da doença.
 

     

 

MMII: joelhos, tornozelos e tarso, interfalangeanas e outras metatarsofalangeanas.

   

 

MMSS: cotovelos, interfalangeanas, metacarpofalangeanas e punhos.


     
 

A poliartrite como primeira crises ocorre em apenas 2 a 5º dos casos.

Antecedendo e durante as crises pode ocorrer irritabilidade, febre e poliúria. Após a crise gotosa aguda pode ocorrer descamação epidérmica sobre o local afetado (que geralmente é o pé) e devido a esse fato lesões descamativas cutâneas em mãos e pés são popularmente associados a "ácido urico", sem ter na verdade nenhuma relação com hiperuricemia.

Fatores desencadeantes da crise aguda: Ingestão de bebida alcoólica, uso de drogas como diuréticos, tuberculostáticos e salicilatos, trauna, infecção, cirurgica, estresse emocional, excessos dietéticos, fase inicial ou interrupção de terapêutica uricorredutora.
 

3. Gota intercrítica e ataques recorrentes

Os pacientes ficam assintomáticos após os primeiros ataques agudos, inclusive sem nenhuma seqüela articular na maioria das vezes. Muitos apresentam uma única crise durante a vida inteira. Outros apresentam mais 2 ou 3 crises, porém a evolução mais característica é dos que apresentam vários ataques que tendem a se tornarem mais longos e a envolverem mais articulações.

Em alguns casos o indivíduo entra numa fase poliarticular crônica com dor nos peíodos intercríticos e alterações persistentes ao exame físico e ardiológico articular.
 

4. Gota tofácea crônica

Caracteriza-se pelo achado de tofos (depósitos de urato) em vários tecidos principalmente subcutâneo periarticular e articular em pacientes com doença de longa evolução, após muitos surtos de artrite.

O intervalo entre o primeiro surto e o surgimento de tofos é variável. Porém, em média é de 11 anos. Antes da terapêutica, 50 a 70% dos pacientes desenvolviam tofos, cifra que caiu para 17% após a introdução do tratamento específico com uricoredutores.

Locais mais afetados: bursa olecraneana no cotovelo, tendão de aquiles, mãos e pés, principalmente na região dorsal, joelhos tornozelos, superfície ulnar de antebraços, punhos e pavilhões auriculares. Podem atingir grandes dimensões em pacientes não tratados.

GOTA TOFÁCEA CRÔNICA

 

5. Gota renal e urolitíase

O rim é o sítio extraarticular mais comumente afetado na gota e na hiperuricemia. Manifesta-se sob 2 formas principais: a urolitíase e a nefropatia úrica.

5.a Urolitíase : formação de cálculos constituidos por ácido úrico ou mistos no trato urinário verificando em até 33% dos pacientes portadores de gota. Decorre de fatores como excreção elevada de ácido pelo rim e do baixo pH verificado na urina desses pacientes o que diminui a solubilidade do ácido úrico. Ocorre também em hiperuricêmicos sem manifestação articular, porém nesses casos não se define o paciente como portador de gota.

4.5.b Nefropatia úrica: sua real existência ainda é objeto de discussão. Decorreria principalmente do acúmulo de cristais no interstício renal. Porém, as alterações anátomopatológicas são semelhantes às encontradas na hipertensão arterial sistêmica, doença muito frequente entre portadores de gota.

Doenças associadas: frequentemente associa-se à gota: hipertensão arterial sistêmica, diabetes, insuficiência coronariana, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia e o médico deve sempre investigá-las, mesmo sem manífestação clínica aparente.


Etiologia

 A maioria é desconhecida, mas vários fatores, tais como hereditariedade. Muitos terapeutas acreditam que certas formas podem estar associadas a um enfraquecimento do sistema imunológico.

 

Epidemiologia

A gota úrica primária é muito mais freqüente nos homens. Nas mulheres, praticamente só surge após a menopausa.

Lesão e esforços nas articulações, como, a prática de atividades esportivas, podem favorecer o aparecimento dos sintomas.

 

 

 

Fatores de risco

  • Consomem grandes quantidades de purinas na dieta, associadas ao consumo de proteínas animais;
  • Ingerem álcool em excesso;
  • Usam fármacos como as tiazidas e alguns tuberculostáticos;
  • Têm compromisso da função renal;
  • Apresentam desidratação ou acidose;
  • Têm risco de exposição a nefrotóxicos como o chumbo;
  • Sofrem de doenças hematológicas com produção celular excessiva.

 

Diagnóstico

Baseia-se em:

  1. História sugestiva: episódio de monoartrites sucessivas, podagra, sexo masculino, acima dos 40 anos, história familiar de gota, urolitíase são elementos que surgerem fortemente o diagnóstico;
  2. Hiperuricemia;
  3. Achado de cristais de monourato de sódio em tofos, líquido sinovial e sinóvia (principalmente se intracelulares): É o dado patognomônico para o diagnóstico;
  4. Quadro radiológico sugestivo: principalmente em sacabocado;

 

Diagnóstico Diferencial

  1. Artrite séptica: Na primeira crise é fundamental punção articular para descarte de processo de processo infeccioso que também manifesta-se como monoartrite aguda.
  2. Artrite reumatóide: Nesta o processo inflamatório é poliarticular, simétrico e crônico. Mais frequente em mulheres.
  3. Artropatias soronegativas: Também apresentam sinovite crônica, via de regra oligo e poliarticular e com envolvimento frequente da coluna.

 

Exames Complementares

1. Exames laboratoriais

  1. Ácido úrico sérico maior que 7 mg/100 ml. Embora, existam raros casos de portadores de gota com uricemia normal;
  2. Provas de atividade inflamatória: hemossedimentação, mucoproteina, proteina C reativa podem se elevar na fase aguda;
  3. Hemograma: pode ocorrer leucocitose na fase aguda;
  4. Excreção de ácido úrico (uricosúria): realizado em urina de 24 horas. Serve para definir hiper, normo e hipoexcretores, dado utilizado na escolha e monitorização terapêutica;
  5. Glicemia, colesterol e  triglicérides:  podem estar alterados no paciente com gota.
  6. Líquido sinovial: presença de cristais de monourato de sódio extra e intracelulares. Esses cristais são finos e tem pontas afiladas;
  7. Presença de polimorfonucleares em grande quantidade na fase aguda;
  8. Anátomo patológico: presença de granulomas envolvendo massas de cristais de urato em tofos e articulações comprometidas.

2. Raio X


       
 

Verificam-se múltiplas erosões ósseas em saca-bocado com bordos escleróticos e espiculados como se fossem as valvas de uma concha (imagem em "concha").

Os tofos podem ser vistos como uma opacificação tênue ao raio X e, às vezes, tornam-se calcificados. Com o evoluir da doença surgem lesões líticas ósseas disseminadas, perda do espaço articular osteófitos e numa fase terminal anquilose e osteopenia.
 

GOTA - CORRELAÇÃO ANÁTOMO-RADIOLÓGICA

 

 

Tratamento

Gota não cura! Mas, há tratamento garantido. O primeiro passo a ser tomado é:

·                    Dieta: Deve-se prescrever dieta pobre em purinas, recomendar uso restrito de bebidas alcoólicas e evitar jejum prolongado. Cada gotoso sabe "onde aperta o sapato".

O controle ideal da dieta deve ser feito com nutricionista. Alguns pacientes conseguem controlar o ácido úrico somente com dieta. Certamente, o defeito enzimático é menor.

O grande segredo da dieta é abandonar os alimentos proibidos e não fazer ingestão excessiva em curto espaço de tempo de alimentos controlados e bebidas alcoólicas.

            Além disso, o tratamento divide-se em:
 

1. Tratamento da crise articular:

·                    Antinflamatórios não hormonais, por exemplo: diclofenac de sódio 50 mg 3x/dia, indometacina 25 mg 3x/dia, fenilbutazona 200 mg 2 x/dia e outros. Utiliza-se apresentações injetáveis, nos casos mais graves.

·                    Colchicina: vários esquemas terapêuticos, como por exemplo: 0,5 mg (1 cp) a cada 1 ou 2 horas até o efeito terapêutico ou surgimento de diarréia.

·                    Corticoesteróides: habitualmente na forma infetável de depósito para os casos refratários aos antiinflamatórios injetáveis.
 

2. Tratamento da hiperuricemia

·                    Drogas uricosúricas : no nosso meio utiliza-se a Benzbromarona na dose de 50 a 200 mg/dia. Indicado a prioridade na maioria dos normo e hipoexcretores de ácido úrico. Contraindicado em urolitíase e insuficiência renal.

Outras: benziodarona, probenecid, sulfinpirazona.

·                    Drogas inibidoras de síntese de ácido úrico: Alopurinol na dose de 100 a 600 mg (em média 300 mg) ao dia em tomada única. Apresenta efeitos colaterais a nível hematológico e hepático principalmente utilizado nos indivíduos hiperexcretores ou com urolitíase preferencialmente.
 

Observações:

  1. O tratamento da hiperuricemia nunca deve iniciar-se nem ser suspenso durante o quadro articular. Pois, a oscilação dos níveis de ácido úrico pode desencadear ou agravar uma crise.
  2. A hiperuricemia assintomática habitualmente não deve ser tratada, a não ser durante tratamento quimioterápico de neoplasia ou indivíduos com ácido úrico muito elevado.

 

Referências Bibliográficas

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http://www.reumatologia.com.br/principais_doencas.htm

 

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http://www.fleury.com.br/site/calandra.nsf/0/9AA63628EAF2456B03256D2D0061
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http://www.vitabrasilnet.com.br/arquivo_artrite.htm

 

Obs.:
- Todo crédito e responsabilidade do conteúdo são de seus autores.
- Publicado em 16/11/06

 


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