Referência  em  FISIOTERAPIA  na  Internet

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Trabalho realizado por:
- Tiago Corrêa dos Santos

Acadêmicos do curso de Fisioterapia Reumatológica da UNIVERSO.


Considerações sobre o mediador químico N-telopeptídeo.

 

Introdução:

O uso de marcadores bioquímicos do metabolismo ósseo na prática clínica tem se expandido de maneira considerável. Isto se deve ao surgimento de novos métodos e de um melhor conhecimento sobre a fisiopatologia das doenças ósteo-metabólicas em especial a osteoporose.

O tecido ósseo apresenta uma série de características muito peculiares, dentre elas a grande extensão e distribuição, e a presença de cristais radiopacos. Estes últimos propiciam o exame do esqueleto de maneira muito simples, através do emprego de técnicas de absorção de raio-X, quer qualitativas (raio-X simples), quer quantitativas (densitometria óssea ou tomografia quantitativa). No entanto, os fenômenos metabólicos, fisiológicos ou patológicos, que podem atingir o tecido ósseo só afetam significativamente sua estrutura radiopaca após um lapso de tempo considerável.Isto torna o emprego destas técnicas limitado para o estudo mais dinâmico, e em curto prazo, do metabolismo ósseo. Daí o interesse sobre metodologias que possam quantificar substancias que poderiam representar os processos metabólicos em curso do tecido (Kanis apud Castro e Saraiva, 2002).

Os marcadores podem ser divididos em marcadores de formação, que refletem a atividade dos osteoblastos, e os marcadores de reabsorção, que refletem a atividade dos osteoclastos. Dentre os primeiros destacam-se a fosfatase alcalina óssea e a osteocalcina e dentre os últimos, são os fragmentos derivados do colágeno, como as piridinolinas, os C-telopeptideos e os N-telopeptídeos.

No desenvolvimento desse breve estudo de revisão, serão citados em especial a: função e a aplicação prática do marcador de reabsorção telopeptideos-aminos-terminais (n-telopeptideos) como diagnóstico de algumas patologias que serão citados, o seu mecanismo de funcionamento no organismo, e os dados estatísticos de sua utilização para homens e mulheres.


O tecido Ósseo:

O tecido ósseo tem como principal função a sustentação do esqueleto e é sujeito a fraturas quando sua resistência sofre colapso frente a uma força maior. As fraturas são passiveis de acontecer em qualquer pessoa, em especial frente a grandes traumas. Entretanto existem situações patológicas em que esta fragilidade é aumentada, como ocorre na osteoporose, no hiperparatiroidismo, osteogênese imperfeita entre outras que serão citadas mais abaixo. A osteoporose é a de maior prevalência na população mundial e, portanto, é a que recebe maior atenção na literatura mundial. (Cotran, Kumar e Collins, 2000)

Os fatores que interferem na formação óssea podem ser dividido em dois grupos: fatores intrínsecos e fatores extrínsecos. Os primeiros incluem fatores hereditários (responsáveis por cerca de 80% do pico final de massa óssea), raça, sexo e fatores hormonais (hormônio do crescimento, fator de crescimento dependente de insulina I, estrógeno e testosterona); os fatores extrínsecos por sua vez, dizem respeito a aspectos nutricionais, fatores mecânicos, hábitos, presença a aspectos nutricionais, presença de doenças crônicas e uso de medicamentos. (Cassidy apud Saraiva e Castro, 2002)

A avaliação dos produtos específicos da degradação da matriz óssea fornece dados sobre o turnover ósseo, ou seja, o índice de metabolismo ósseo. Cerca da 90% da matriz orgânica do tecido ósseo são formados por colágeno tipo 1, uma proteína helicoidal com ligação cruzada no terminais N e C da molécula e que forma a estrutura básica e a resistência do tecido ósseo. Os N-telopeptideos de ligação cruzada com colágeno tipo 1 são um indicador sensível da reabsorção óssea. São o produto final da atividade osteoclástica, encontrados na urina. Níveis elevados de N-telopeptídeo indicam elevada reabsorção óssea. Sua dosagem é importante na osteoporose, em mulheres pós-menopausa, na doença de Paget e para a monitoração de terapêutica anti-reabsortiva. Entretanto, cabe lembrar que, mesmo sendo um bom marcador do metabolismo ósseo, valores normais não afastam de osteoporose nem da necessidade de tratamento (Garnero e Delmas, 1998).


Marcador de reabsorção óssea: N-telopeptídeo(molécula interligadora do colágeno tipo I):

As moléculas interligadoras do colágeno tipo I são, atualmente, os melhores marcadores bioquímicos da reabsorção óssea e, portanto, são mais utilizados mostrando uma boa correlação com estudos histomorfométricos Piridinalina (PYD) e Deoxipiridinolina (DPD),são ligações formadas no espaço extracelular entre a porção não helicoidal (telopeptideos) de uma molécula de colágeno depositada na matriz e resíduos específicos da hélice da molécula vizinha(figura). São produtos de ligações covalentes geradas entre resíduos de lisina e hidroxilisina e são específicos para colágeno e elastina maduras. Essas formações propiciam a estabilização das moléculas de colágeno da matriz óssea.

Durante a reabsorção, pela ação de proteases, são liberadas na circulação nas formas livres (20%), e ligadas ainda a fragmentos terminais (telopeptideos) do colágeno (80%). Parte desses telopeptideos são metabolizados no rim, aumentando a proporção de formas livres na urina para 40%. A PYD difere da DPD apenas pela presença de um grupo hidroxila, sendo que a primeira tem distribuição tecidual ampla, enquanto que a segunda é mais específica do tecido ósseo e correlaciona-se melhor com a cinética do cálcio e histomorfometria óssea.

Ao contrario das PYD livres, a avaliação dos telopeptídeos do colágeno I parecem mostrar maior relação com a dinâmica do osso. Podem ser dosados no sangue e na urina, sendo que uma série de ensaios diferente existe, o que muitas vezes dificulta sua solicitação e interpretação pelo clínico. Na urina podem ser dosadas as formas livres de PYD, DPD, e as formas ainda ligadas a telopeptídeos aminoterminais e carboxiterminais do colágeno tipo I (NTX e CTX, respectivamente).

Os marcadores de reabsorção presentes na urina mostram um ritmo circadiano com pico pela manhã e nadir ao entardecer. A diferença de aproximadamente 100% dos valores entre estes dois pontos mostra a importância da padronização de coleta (pela manhã). Não sofrem, entretanto, influência da dieta.
 

 

Imagem ampliada da estrutura e localização dos interligados do colágeno tipo I:



Baseando-se na fisiologia do processo de remodelação óssea, os marcadores ideais seriam capazes de:

- Diagnosticar osteoporose

- Diferenciar pacientes classificados como perdedores rápidos ( e portanto com maior risco de perda e fratura) dos perdedores lentos, agregando sensibilidade e especificidade à medida de densidade óssea na avaliação de risco de fraturas

- Direcionar a terapêutica, ou seja, identificar que se beneficiaram das medidas anti-reabortivas (perdedores rápidos ou de alto turn over) ou das medidas de aumento de formação óssea (perdedores lentos, ou de baixo turnover).

- Servir de marcadores da resposta à terapêutica

- Monitorar a aderência do paciente à terapia instituída.

Diante dos fatores citados acima relativos aos marcadores bioquimicos, e em especial o N-telopeptídeo, podemos concluir que os marcadores de remodelação óssea trouxeram um grande desenvolvimento no conhecimento da fisiopatologia do tecido ósseo. Porém, a presença de uma ampla variação das concentrações séricas e urinárias devido às características biológicas e analíticas, ainda tornam difíceis à interpretação de seus resultados na vida diária.

Referências Bibliográficas:

- Cotran R.S; Kumar V; Collins T: Robbins – Patologia Estrutural e Funcional. Ed Guanabara Koogan 6 Ed, 2000.

- Garnero P., Delmas P.D. : Biochemical markes of bone turnover – Applications for Osteoporosis; Endocrinol. Metabol. Clin. Am; 1998; 27: 303 – 323.

- Saraiva K.L. Castro M.L: Marcadores Bioquímicos da Remodelação Óssea na Prática Clinica, Arq.Bras.Endocrinol.Metabólica, 2002; 46/1: 72 – 78.

 

Obs.:
- Todo crédito e responsabilidade do conteúdo é de seu autor.
- Publicado em 16/11/06

 


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