Referência  em  FISIOTERAPIA  na  Internet

 www.fisioweb.com.br 


TCC realizado por:
Valesca de Freitas Silva*

valescafisio@hotmail.com
 

Orientadora:

Profª . Luciane Cristina Jóia**

* Acadêmica do Curso de Fisioterapia da Faculdade São Francisco de Barreiras FASB - Ba

** Coordenadora do Curso de Fisioterapia da Faculdade São Francisco de Barreiras FASB - Ba .


ESCOLIOSE EM CRIANÇAS DE 7 A 8 ANOS NAS

 ESCOLAS PRIVADAS NO MUNICÍPIO DE SÃO DESIDÉRIO


RESUMO: 

 

O presente estudo teve como objetivo geral verificar alterações posturais em crianças pertencentes as escolas privadas no Município de São Desidério. O objetivo principal foi identificar as causas das alterações Posturais em Crianças Escolares e Propondo um modelo de prevenção nestas Alterações Posturais. A População escolhida para o presente estudo foi composta por crianças nas faixas de 7 a 8 anos de idade, matriculados nas Escola Privadas no Município de São Desidério e estarem cursando as 1ª e 2ª série do Ensino Fundamental. Foram avaliadas 21 crianças no total da amostra, selecionados por meio de sorteio. O instrumento de coleta de dados constou de um questionário contendo perguntas sobre a presença de dor e hábitos posturais, mais um roteiro para exame físico. Foi observado que 57% dos participantes foram do sexo feminino e 67% referiram dor na coluna; localizada em 24% dos casos referiam dor no ombro, 24% na região lombar, 14% na região torácica e 5% na região cervical. Com relação aos hábitos de vida diária, observou-se que 62% realizavam suas atividades escolares na mesa, seguido de 38% que realizavam suas atividades cadeira de braço. Em relação ao exame físico, obtivemos uma taxa de 57% dos participantes não apresentavam nenhuma alteração postural. Quanto ao local em que conduzem o material, não observamos nenhuma relação significativa, quanto ao lado dominante também não foi observada nenhuma relação com as alterações posturais encontradas, no entanto, necessitava-se de um número maior de participantes sinistros para avaliarmos as relações entre o ângulo da escoliose e o lado dominante.

Palavras chaves: avaliação postural, escolares, desvios da coluna vertebral.

 


ABSTRACT

The present study it had as objective generality to verify posturais alterations in pertaining children the private schools in the City of Are Desidério. The main objective was to identify the causes of the Posturais alterations in Pertaining to school Children and Considering a model of prevention in these Posturais Alterations. The Population chosen for the present study was composed for children in the bands of 7 the 8 years of age, registered in the School Private in the City of They are Desidério and to be attending a course 1ª and 2ª series of Basic Ensino. 21 children in the total of the sample had been evaluated, selected by means of drawing. The instrument of collection of data consisted of a questionnaire contends posturais questions on the pain presence and habits, plus a script for physical examination. It was observed that 57% of the participants had been of the feminine sex and 67% had related pain in the column; located in 24% of the cases they related pain in the shoulder, 24% in the lumbar region, 14% in torácica region and 5% in the cervical region. With relation to the habits of daily life, it was observed that 62% carried through its pertaining to school activities in the table, followed of 38% that they carried through its activities arm chair. In relation to the physical examination, we got a tax of 57% of the participants did not present no postural alteration. How much to the place where they lead the material, we do not observe no significant relation, how much to the dominant side no relation with the found posturais alterations was also not observed, however, it was needed a bigger number of left-hand side participants to evaluate the relations between the angle of escoliose and the dominant side.

Words keys: postural evaluation, pertaining to school, shunting lines of the column vertebral.



LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CIMS - Conselho para Organização Internacional de Ciências Médicas;
FASB – Faculdade São Francisco de Barreiras
IAESB - Instituto Avançado de Ensino Superior de Barreiras
MMSS (membro superior)
MMII (membro inferior)
OMS - Organização Mundial da Saúde



LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Coluna Vertebral – Fonte: http://www.ineb.up.pt/doresnascostas/images/coluna_vertebral.gif
Figura 1-A: Hiperlordose Lombar – Fonte: http://www.doresnascostas.com.br/images/i5.gif
Figura 3 – Escolioses – Fonte: http://www.drgilberto.com/escoliose1.jpg
Figura 4 – Cifose torácica – Fonte: http://mega.ist.utl.pt/~smcm/imagens/deformacoes_fig_1.gif



LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Identificação das crianças quanto ao sexo;
Gráfico 2: Faixa Etária das crianças participantes;
Gráfico 3: Peso correspondente as crianças participantes durante o projeto;
Gráfico 4: Altura correspondente as crianças participantes durante a avaliação;
Gráfico 5: Crianças cursando 1 e 2 série do Ensino Fundamental;
Gráfico 6: Problemas na coluna que podem gerar dor e qual a sua localização;
Gráfico 7: Quais os tipos de carteiras escolar que são utilizadas nas escolas;
Gráfico 8: Como as crianças costuma transportar seu material escolar;
Gráfico 9:Tipos de Bolsa que são usadas pelas crianças para levar seu material escolar;
Gráfico10: Simetria dos ombros nas crianças participantes;
Gráfico 11: Ao exame físico foi feito o teste de Adams para detectar se havia gibosidade ou não;
Gráfico 12: Altura das Cristas Ilíacas ântero-superiores;
Gráfico 13: Alterações no joelho;


 

1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA                    

 

1.1 Considerações Iniciais

 

Segundo Kapanji (1990) a evolução da raça humana pode ser caracteristicamente observada a partir do momento histórico em que houve a passagem da posição quadrúpede, específica dos pré-hominianos, para a posição bípede.

 

Todo esse processo de transição postural humana culminou também na evolução da coluna vertebral, que passou a ser considerada o pisuportel central do tronco tendo cuja rigidez e a elasticidade (duas funcionalidades ambíguas) correlacionavam entre si perfazendo o perfeito mecanismo funcional vertebral.

 

Sendo uma estrutura muito delicada, a coluna vertebral está sujeita as diversas deformações. Essas podem ser congênitas ou adquiridas durante a vida, por diversas causas, como esforço físico, má postura no trabalho, deficiência da musculatura de sustentação, infecções e outras.

 

Os distúrbios da coluna vertebral possuem melhor prognóstico quando diagnosticados e tratados previamente. (MOMESSO, 1997).

 

A modernidade tecnológica tem trazido diversos benefícios para o homem, proporcionando maior agilidade no cumprimento de tarefas, confortos ergonômicos, bem com maior propensão à comodidade e descanço. Em contrapartida, toda essa modernidade ainda permite que diversas agressões sejam feitas à estrutura física humana, tornando-se causadores de conseqüências danosas ao corpo humano, sendo imediata ou a longo prazo, e acometendo na maioria das vezes, as costas.

 

Momesso (1997), observou os problema posturais, denominando-os de males da coluna, como um dos mais significativos distúrbios que assolam os países em desenvolvimento contribuindo de forma significativamente para a diminuição da eficácia de realização das atividades de vida diária da população, comprometendo na maioria das vezes a atividade laboral, interrompendo assim uma existência produtiva e acarretando ônus social para o Estado.

 

 

1.2 Anatomo-fisiologia da coluna vertebral

 

A coluna vertebral apresenta-se como uma estrutura esquelética dorsal, sendo o principal ramo do esqueleto axial. Também denominada de raquis, a coluna pode ser dividida em: cervical, torácica, lombar, sacral e cocigena. De modo geral essa estrutura esquelética é constituída por trinta e três vértebras (MOORE, 1994) e sua extensão da corresponde a quase dois quintos da altura corporal. A propósito, a região cervical da coluna vertebral possui 07 vértebras, a torácica possui 12 vértebras, a lombar 05 vértebras, a sacral 05 vértebras fundidas, e o cóccix possui em trono de 04 vértebras.

 

 

Em suma, pode-se atribuir à coluna vertebral a função equilibrar e manter o apoio longitudinal do corpo em posição estática ou em movimento. Sendo esta um ramo sergimentar e multiarticulada, a sua biomecânica está inteiramente relacionada à combinação e inter-relação de cada constituinte vertebral. A sua disposição anatômica ainda permite estimular transmissão e absorção efetiva de choque. (LIPPERT, 1996).

 

As vértebras que formam a coluna se interpõem e se articulam de maneira que, no centro delas formam-se dois importantes e longos orifícios chamados de canal vertebral e orifício de conjugação respectivamente. Os nervos espinhais passam através do orifício de conjugação, o que permite atribuir uma dor na coluna à uma possível agressão de um nervo neste orifício (CARDIA, 1998).

 

Contudo, as vértebras possuem particularidades anatômicas quanto a seu tamanho e sua forma, o que permite a divisão da coluna em regiões. Na região cervical as vértebras possuem menor tamanho; a vértebra torácica possui um tamanho intermediário; as vértebras da região lombar possuem o maior tamanho (LIPPERT, 1996).

 

A biomecânica da coluna vertebral compreende movimentos de flexão, extensão e hiperextensão no plano sagital, em torno do eixo frontal. A inclinação lateral aparecer no plano frontal em torno do eixo sagital. O movimento de rotação acontecer no plano transversal, em torno do eixo vertical (LIPPERT, 1996).

 

Todo mecanismo de flexibilidade e elasticidade da coluna é submetido às funções ligamentares. O principal ligamento encontrado na coluna é o ligamento amarelo formado de 80% de elastina e 20% de colágeno, o que facilita uma considerável elasticidade (CAILLIET, 2001).

 

Quanto a musculatura dorsal, esta encontra-se dividida em dois grupos principais: o superficial e o profundo. Pode-se, entretanto, desatacar alguns músculos como sendo primordiais para a dinâmica raquidiana, pertencentes ao grupo dos músculos superficiais: Grande dorsal, trapézio e levantador da escápula. Outros músculos ainda podem ser ressaltados, agora na porção profunda: o quadrado lombar, psoas maior e menor, multífidos e o eretor da espinha. (GRAY, 1998).

 

 

1.3 Curvaturas Fisiológicas

 

A coluna vertebral humana, quando observada no perfil sargital, possui curvaturas fisiológicas, as quais além de indispensáveis para efetividade mecânica raquidiana, ainda proporcionam a homeostáse característica e funcional da coluna. Essas curvaturas podem ser anteriorizadas (convexidade voltada para frente) ou posteriorizadas (convexidade voltada para traz).

 

As curvaturas anteriores estão nas regiões cervical e lombar e são denominadas de lordoses. Contudo, podemos entender que a lordose é um fecho provido para denotar curvatura anterior e, quando apresenta – se de forma exarcerbada desenvolve um distúrbio postural hiperlordose.

 

Já as curvas posteriores encontram-se na região torácica e sacral, sendo denominadas de cifoses, na qual consiste em uma excessiva curvatura posterior. (KISNER, 1998).

 

A lordose excessiva (hiperlordose) pode provocar significativas algias posturais, dor facetaria e radiculopatias oriundas da manutenção prolongada de determinada posição funcional (sedestação ou ortostase). Esta hiperlordose modifica o ângulo sacral, gerando além da dor lombar, irradiações para membros inferiores, conforme a inclinação pélvica proveniente da alteração deste ângulo.

 


O que também pode acometer a região lombar é a diminuição da sua lordose fisiológica, desencadeando uma espécie de cifose lombrar, a qual pode provocar a dor oriunda do alongamento dos músculos eretores, tração dos ligamentos espinhais posteriores ou protusão nuclear posterior, do núcleo discal, com alongamento das fibras anulares posteriores, que possibilita o rompimento originando uma herniação.
 


1.4 Desvios na coluna vertebral: caracterização e etiologia

Quando há a acentuação de alguma curvatura fisiológica da coluna vertebral ou ainda quando essa é desviada latero-lateralmente do seu eixo natural logo pode – se concluir que existe um desvio postural. Desta feita, os principais desvios posturais são: a escoliose, hipercifose e a hiperlordose. A origem de tais desvios muitas vezes é desconhecida, o que torna primordial a avaliação e identificação de tais problemas de forma precoce a fim de que se evite distúrbios secundários.

Neste contexto, pode-se identificar como uma das principais causas de deformidades posturais a quebra da homeostase muscular, ou seja, quando um determinado grupo muscular torna-se mais forte ou mais fraco em relação ao grupo antagônico. São diversas as considerações relevantes para etiologia das deformidades da coluna são a más posturas, os fatores psicológicos que podem envolver tanto crianças como adolescentes causando fadiga muscular.

A coluna vertebral também pode apresentar desvios como: compensatória ou oriundas de outros fatores podendo causar por exemplos, uma rigidez seguimentar em extensão, hérnia de disco, paralisias musculares, dentre outros.

Kisner e Colby (1998) definem a escoliose como um desvio no eixo sagital da coluna correspondente a valores maiores que 10º de desvio. Já a hipercifose é conceituada como a exarcebação da curvatura posterior da região torácica e sacral. A hiperlordose consiste no aumento da curvatura anterior correspondente as regiões cervical e lombar. Essas alterações iniciam-se na infância e adolescência podendo acarretar, se não tratada devidamente, em uma instalação definitiva dessa anomalia vertebral. No contexto dos desvios da coluna vertebral Kisner e Colby ainda afirmam:
.
Escoliose, se não detectada e tratada durante os anos de crescimento, pode levar a deformidade grave, afetando drasticamente a aparência e possivelmente encurtando a expectativa de vida. A chave para prevenir curvaturas graves na coluna é a identificação e o tratamento precoce. (KISNER; COLBY apud, 1992, p. 529)

As regiões torácica e lombar ainda podem ser acometidas pelo desvio latero-lateral denominado escoliose. As escolioses são perfeitamente qualificadas quanto a sua apresentação na coluna: podem ser classificadas em S, tipicamente em destros com uma curvatura para direita na região torácica e esquerda na lombar, ou uma leve curvatura em C para esquerda na região toracolombar. Podendo ocorrer há assimetria nos quadris, pelve e membros inferiores. (KISNER e COLBY, 1998).
 


São classificadas como escoliose leve as curvaturas com menos de 20.º, moderada entre 20.º e 50º e grave 40.º, 50.º ou mais. (KISNER & COLBY, 1992). Para estabelecimento do diagnóstico são necessários tanto os exames físicos como os exames complementares, sendo os mesmos analisados minuciosamente. A mensuração do grau da escoliose é realizada através das imagens radiográficas utilizando-se de um método denominado método de Cobb.

Ainda em tempo, a escoliose pode apresentar características estrutural ou funcional. Quando manifesta – se estruturalmente, a exarcebação da curvatura lateral é irreversível com rotação fixa das vértebras, sendo esta no sentido da convexidade da curva da escoliose estrutural. Ferriani et. al. (2000) afirma que o Teste de 1 minuto é indicado para uma avaliação física dessa finalidade, em que o teste é realizado colocando-se o indivíduo em posição de flexão do tronco, observando-se se há saliência das costelas (gibosidade). Esta indica rotação fixa das vértebras. Em contrapartida, a escoliose funcional é reversível e pode ser retificada através de exercícios terapêuticos, corrigindo a discrepância entre o comprimento das pernas, quando presente.

Em consonância aos conceitos até então apresentados Santos (2003), aborda a escoliose com sendo uma deformidade em látero-flexão, de um segmento do eixo raquidiano, acompanhado de uma rotação vertebral para o lado oposto. O componente mais grave da escoliose é a rotação, sendo este o sinal que deve ser estimado numa avaliação clinica.

A postura cifótica (hipercifóse) quando relacionada à região torácica pode ser compreendida também como dorso curvo, em que há protração escapular (ombros curvos) e, geralmente protração da cabeça.

Já a hiperlordose, quando relacionada a região lombar, é qualificada por uma aumento no ângulo lombosacro, acompanhado por uma inclinação pélvica anterior e flexão do quadril. Normalmente a hiperlordose lombar está relacionada com a hipercifose torácica (KISNER & COLBBY, 1998).
 


Vale ressaltar que, se esses desvios posturais forem constatados precocemente o prognóstico terapêutico é melhor, o que, por sua vez, evita que o desenvolvimento de curvas posturais torna-se estruturais, o que pode desencadear contraturas no tecido mole e alguma anomalia óssea (THOMSON, 1994). Com relação à causa da escoliose, KNOPLICH (1982, p. 150), “[...] as causas da escoliose não estão bem determinadas na grande maioria dos casos por isso são chamadas de escolioses idiopáticas (que quer dizer causa desconhecida) [...]”.
 



2 OBJETIVOS DO ESTUDO

O presente estudo tem como objetivo geral verificar alterações posturais em crianças pertencentes as escolas privadas no Município de São Desidério.

Os objetivos específicos para que a realização desta pesquisa pode ser efetivada são:

   Identificar as causas das alterações Posturais em Crianças Escolares;

   Propor um modelo de prevenção nestas Alterações Posturais, em crianças nas escolas privadas no Município de São Desidério – Ba;



3 METODOLOGIA

A População escolhida para o presente estudo foi composta por crianças na faixa de 7 a 8 anos de idade, matriculados nas Escola Privadas no Município de São Desidério e estarem cursando as 1ª e 2ª serie do Ensino Fundamental.

O procedimento de escolha da amostra, foi probabilístico simples, onde os indivíduos foram convidados a participar. A amostra constituiu-se de 21 crianças de 7 a 8 anos.

Os instrumentos de coleta de dados constituíram-se em um questionário estruturado com questões referentes aos hábitos de vida diária, e uma segunda parte, contendo a avaliação postural (anamnese e exame físico).

O material para avaliação postural foi: 21 fichas de avaliação postural, fita métrica e uma balança para verificar o peso e altura.

A coleta de dados teve início no dia 21 de setembro de 2007 e término no dia 23 de setembro do mesmo ano. Antes da realização do estudo foi realizado o levantamento da quantidade de estudantes na faixa etária escolhida para composição da amostra.

A escola contava, no período do estudo, com três turmas de primeira e segunda séries no turno da manhã com 21 alunos de 7 a 8 anos.

Os objetivos da pesquisa foi exposto ao grupo estudo. Na oportunidade foi entregue a autorização aos pais, para que os alunos participassem da pesquisa, uma vez que todos eram menores de idade (APÊNDICE 8.1), sendo este um critério de inclusão, onde os mesmos tinham que comparecer com a autorização dos pais para participar da pesquisa no momento da avaliação.

O sorteio da amostra foi realizado sala a sala através dos diários de classe, após ser sorteado cabia ao estudante aceitar ou não, caso o mesmo não desejasse participar da pesquisa, sorteava-se outro estudante em seu lugar. No decorrer da pesquisa surgiram inúmeras dificuldades, dentre elas, a grande quantidade de alunos que eram sorteados e não compareciam para ser avaliados. Neste caso, outros estudantes da mesma sala eram sorteados.

As avaliações foram realizadas no turno da manhã no mesmo dia em que a acadêmica havia visitado a turma. A realização das avaliações foi na própria escola (sala de aula). A avaliação era realizada individualmente, primeiramente a acadêmica realizou entrevista com o estudante a respeito dos seus hábitos posturais utilizando a primeira parte da ficha de avaliação, solicitava que o (a) estudante ficasse em traje de banho para o exame físico.

Para o exame físico foi utilizada a segunda parte da ficha (Apêndice 8.2). O (a) criança inicialmente ficava de frente para o pesquisador, com os pés alinhados e um pouco afastados da linha média, postura ereta, cabeça em posição neutra, olhar no horizonte. Nesta posição a acadêmica observou os pés, joelhos, cintura pélvica, nivelamento de ombros. Em seguida com o (a) estudante em perfil na mesma postura, foi realizada a medida do comprimento dos MMII (membro inferior) através de uma fita métrica, onde era avaliado o comprimento de cada membro (crista ilíaca ao maléolo interno). Também foi verificada a altura dos participantes.

Após a inspeção o aluno era solicitado a realizar uma inclinação anterior do tronco teste de Admas (teste de 1 minuto) para classificar se havia ou não escoliose estrutural.

Após a avaliação eram prestados alguns esclarecimentos quanto a maneira de carregar o material escolar e a postura a ser adotada na escola.

Como critério de definição de escoliose foi levado em consideração a assimetria do tronco que envolvia a inclinação lateral. Foram considerados casos suspeitos de escoliose todos os participantes que apresentaram desvio lateral da coluna.

Sendo coletados os dados foram comparados, analisados e descritos no programa EXCEL e Propor um modelo de prevenções nestas Alterações Posturais, em crianças nas escolas privadas no Município de São Desidério –Ba;

De acordo com as diretrizes Nacionais e Internacionais para a Pesquisa em Seres Humanos do Conselho para Organização Internacional de Ciências Medicas (CIMS) e da resolução nº196/96 do Conselho Nacional de Saúde (Brasil, 1996) foram observados os seguintes princípios éticos: as pessoas foram informadas sobre o preceito a ser desenvolvido, da preservação da privacidade envolvida e o livre arbítrio dos mesmos a aceitarem ao não participarem. Nos casos positivos, foram requisitos consentimentos formal pós-informação (ANEXO) destas ou representantes devidamente habilitados. Tal metodologia e procedimento foram avaliados e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade São Francisco de Barreiras.



4 ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Perfil sócio-demográfico das crianças

Das 21 crianças avaliadas, com relação ao sexo, observamos que o maior número de participantes foi do sexo masculino com 57% (Gráfico1).

Gráfico 1: Identificação das crianças quanto ao sexo nas escolas privadas de São Desidério no ano de 2007.
 

 


Quanto a distribuição dos estudantes por faixa etária o maior número de participantes tinham 8 anos com 62% da amostra (Gráfico 2).

Gráfico 2: Faixa Etária das crianças participantes nas escolas privadas de São Desidério em 2007.
 

 


Avaliando o peso de cada criança com 27 a 30 kg, correspondeu 33% da amostra (Gráfico 3) e altura 29% equivale 1,25cm a 1,29cm (Gráfico 4).

Gráfico 3: Peso correspondente as crianças participantes durante o projeto em São Desidério de 2007.
 


Gráfico 4: Altura correspondente as crianças participantes durante a avaliação das crianças de São Desidério em 2007.
 



Em relação à série escolar, os estudantes da segunda série representaram mais de 50% da amostra. Todos os participantes estavam matriculados no período da manhã (Gráfico 5).

Gráfico 5: Crianças cursando 1ª e 2ª série do Ensino Fundamental das escolas de São Desidério em 2007.
 




4.2 Presença e características da dor

Com relação a presença da dor, de acordo com a pesquisa, observamos que 67% dos estudantes referiram dor na coluna e 33 % não sentia nem um tipo de dor (Gráfico 6).

Estas dores estavam mais localizadas no ombro (24%) e na região lombar (24%), em relação na região torácica apenas 14% da amostra referia dor e 5% relatava dor na região cervical (Gráfico 6) .

Dos 24% que relatava dor nos ombros estavam dentre aqueles que transportavam o material escolar no ombro.

Gráfico 6: Problemas na coluna que podem gerar dor e qual a sua localização nas crianças de São Desidério em 2007.
 


Bernáldez et.al.(2003), realizaram um pesquisa com o propósito de referir algumas causas de dor na coluna, escolhendo uma amostra de 100 pessoas, com idade de 15 a 75 anos para exploração de um questionário a respeito de dor na coluna. Destes, 49 foi do sexo masculino e 51 do sexo feminino. Em relação ao sexo masculino 44,8% relatavam-se de dor na coluna, quanto aos sexo feminino 62,6% questionava presença de dor, sendo tais proporções aproximadas a encontrada em nosso estudo, embora numa faixa etária diferente.

Knoplich (1997) comenta que o homem passou a empregar em alguns momentos sua coluna como alavanca no levantamento de pesos, no transporte de fardos de um lugar para o outro, isto em nossa civilização “sentada”, é realizado esporadicamente e os músculos não estão preparados para realizarem tal esforço, sabe-se que os músculos estirados, contraídos ou tensos, por si só transmitem dor.
 


4.3 Hábitos posturais relacionados à vida escolar

Questionados os participantes sobre seus hábitos de vida diária e escolar. Observou-se que 62% realizavam suas atividades escolares na mesa, seguido de 38% que realizavam suas atividades cadeira de braço. A mesa seria o local melhor indicado para realizar as tarefas, no entanto somente com uma análise ergonômica poderíamos observar se ela está adequada para cada indivíduo, bem como a posição adotada pelo indivíduo.

Gráfico 7: Quais os tipos de carteiras escolar que são utilizadas nas escolas privadas de São Desidério em 2007.

 


Quanto ao local em que o material escolar é conduzido, observamos que a grande maioria 57% conduz seu material nos ombros e 43% costuma traz seu material nas mãos.

Gráfico 8: Como as crianças costumar transportar seu material escolar em São Desidério em 2007.
 


Gráfico 9:Tipos de Bolsa que são usadas pelas crianças para levar seu material escolar das crianças de São Desidério em 2007
 


Observamos que a maioria das crianças 43% transporta seu material na mochila e 10 % leva seus materiais na bolsa com Alça Longa, na qual esse tipo de bolsa pode ser apoiada num ombro e cruzar o tronco, onde o peso do material ficaria dividido no lado esquerdo e direito.

É considerado correto conduzir o material numa mochila (quando as duas alças estão devidamente nos dois ombros), na bolsa com alça longa, por dividir o peso do material nos dois lados e na bolsa de rodinha com 33% no qual pode livrar o peso do material do tronco do indivíduo. O menos indicado seria trazer o material nas mãos se conduzidos apenas por um dos MMSS (membro superior) o que pode provocar uma inclinação lateral do tronco no qual corresponde 14% das crianças.

Núñez & Vázquez (1988), em estudo com 2000 escolares observaram que 99% deles conduziam seu material numa pasta e apenas 1% em mochila, que, de acordo com os autores seria o mais correto.
 


4.4. Avaliação postural dos escolares

Com relação os ombros estavam sem alterações em 67% das crianças. Em 33% dos participantes foi observado simetria dos ombros (Gráfico 10).

Gráfico10: Assimetria dos ombros nas crianças participantes de São Desidério em 2007.
 


Em relação à prevalência de desvios na coluna ao exame físico no geral escoliose nas crianças 7 a 8 anos das escolas privadas no Município de São Desidério-Ba, obtivemos uma taxa de 57%(Gráfico 11) dos participantes não apresentavam nenhuma alteração postural.

Em estudo semelhante na rede pública de ensino de Ribeirão Preto, Ferriani et. al. (2000) detectaram que 27.8:100 estudantes de 6 a 14 anos tinham algum tipo de alteração na coluna, prevalência menor do que a encontrada na nossa amostra embora a faixa etária não fosse a mesma.

Gráfico 11. Ao exame físico foi feito o teste de Adams para detectar se havia gibosidade ou não. Nas crianças avaliadas em São Desidério de 2007
 


A pelve apresentou-se sem alterações em 57% das crianças (Gráfico 12); os joelhos apresentaram-se de forma normal em 95% dos avaliados (Gráfico 13);

Gráfico 12: Altura das Cristas Ilíacas antero-superiores, apresentadas nas crianças de São Desidério em 2007.
 


Gráfico 13: Alterações no joelho nas crianças de São Desidério em 2007.
 



4.5. Alterações na coluna vertebral e suas relações com sexo, idade e hábitos posturais

Em relação ao sexo observamos que não houve relação significativa com alterações na coluna vertebral no presente estudo. De acordo como estudo de Granado et. al. (1999) na Espanha, com adolescentes entre 10 e 15 anos também não foi observada diferença de prevalência entre os sexo. No entanto, Rocha & Pedreira (2001) observaram em vários estudos realizados no mundo, uma relação entre os sexos de 10/1 (feminino-masculino). Com relação a faixa etária observamos que a maioria dos participantes tinham ente 12 e 13 anos e o fator idade não esteve relacionado com diferenças entre as prevalências.

Com relação ao local em que os adolescentes realizam suas atividades escolares, considerou-se a mesa como local adequado, embora a postura que o indivíduo adota e a adequação do tamanho da mesa ao indivíduo é de fundamental relevância observou-se que o local não apresentou relação significativa no surgimento de alterações na coluna vertebral.

Quanto ao local em que conduzem o material, não observamos nenhuma relação significativa, quanto ao lado dominante também não foi observada nenhuma relação com as alterações posturais encontradas, no entanto, necessitava-se de um número maior de participantes sinistros para avaliarmos as relações entre o ângulo da escoliose e o lado dominante. Não foi encontrado na literatura revisada dados para comparação.

Não foram observadas relações entre a presença de dor, a duração ou freqüência da mesma com alterações na coluna vertebral ao exame físico. Este achado ressalta que a presença de dor no dorso ou região lombar não necessariamente tem relação com desvios na coluna, podendo ser de origem muscular, psicossomática entre outros.

 

 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Observando-se o aumento de livros e cadernos que as crianças transportam à escola nas suas mochilas e considerando-se o uso do mobiliário escolar inadequado, que a criança utiliza desde o Ensino Fundamental até o Médio, é importante buscar subsídios para explicitar os problemas ocasionados à coluna vertebral, decorrentes de hábitos prejudiciais, postos em prática pelas crianças desde a tenra idade.

A mochila escolar, que aparentemente se propõe a auxiliar o transporte do material escolar, na verdade é abusivamente utilizada. Sem o menor critério, aparentando transmitir agilidade e conforto no percurso do domicílio à escola para conduzir o material escolar, atribui a criança e o adolescente a sérios desvios de postura, atingindo diretamente a estrutura da coluna vertebral.

Da exploração acima exposto, relata-se conseqüências maléficas, ocasionadas pelo extremo peso incluindo na mochila escolar, principalmente nas primeiras séries do ensino fundamental, desenvolvendo-se cifose, escoliose e contração dos ombros, situações que, com o passar do tempo, poderá ocorrer problemas na coluna vertebral desses alunos.

Atualmente o mobiliário escolar, permitir que as crianças se curvar-se, flexionando o máximo as costas para frente, inclinando o corpo, permitindo aparentemente o surgimento da cifose e lordose. O fato de uma criança sentar numa cadeira baixa e/ou usar a mochila inadequadamente, ao longo do tempo, provoca alterações posturais e demais conseqüências acima mencionadas.

A maioria das agressões à coluna ocorre na infância e aos poucos se integra ao modo de agir das pessoas, sendo no decorrer do tempo inevitáveis as conseqüências que poderão surgir e preocupar pessoas predispostas e acometidas pelos males da Coluna.



6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BERNÁLDEZ, M.T. et. al. A Propósito de um estudio para determinar algunas de las
variables asociadas al dolor de espalda. Revista de la SEME. Espanha. n.º 53, p. 255-259. 2003.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Diretrizes e bases da Educação Nacional. Brasília, 1996.

BYRD III, J. A. Current theories on the etiology of idiopathic scoliosis. Clinical Orthopaedics and related Research, n. 229, p. 114-119, 1988.

CARDIA, M.C.G. et al. Manual da Escola de Posturas. 2. ed. João Pessoa: Editora
Universitária (UFPB), 1998. 101p.

DICKSON, R. A., LEATHERMAN, K. D. The management of spinal deformities. London: Wright, 1988. p. 1-54.

FERRIANI, M. G. C. et. al. Levantamento epidemiológico dos escolares portadores de
escoliose da rede pública de ensino de 1.º grau no município de Ribeirão Preto. Revista
Eletrônica de Enfermagem (online). V.2, n.1, jan/jun. 2000. Disponível em:
http://www.fen.ufg.br/revista. Acesso em 20 de setembro de 2007.

GARAVELO, Luzia Inês; SILVIA, Maria Lucia da. Teste Prático de Postura. Revista Nova Escola. São Paulo, n. 101. p. 45. abr. 1997;

KAPANDJI, I. A. Fisiologia Articular: esquemas comentados de mecânica humana. V. 3. São Paulo: Manole, 1990.

KISNER. C; COLBY L. A. Exercícios Terapêuticos: fundamentos e técnicas. 2 ed. São Paulo: Manole, 1992. 708p.

KISNER. C; COLBY L. A. Exercícios Terapêuticos: fundamentos e técnicas. 3 ed. São Paulo: Manole, 1998. 746p.

KNOPLICH, J. Viva bem com a coluna que você tem: dores nas costas tratamento e prevenção. 26 ed. São Paulo: IBRASA, 1997. 230p.

LIPPERT, L. Cinesiologia Clínica para Fisioterapeutas. Fátima Palmieri. 2 ed. Rio de
Janeiro: Revinter, 1996. 296p.

MERCÚRIO, Ruy. Dor nas costas nunca mais. 1. ed. São Paulo: Manole, 1997

MOE, J.H. et al, Scoliosis and Other spinal deformities, In: Classification and Terminology, Philadelphia, W. B. Saunders Company, p. 7 - 12, 1978.

MOMESSO, Renato Basílio. Proteja sua coluna. São Paulo: Ícone, 1997

NOGUEIRA, J. G. et al, El Estudio Radiografico en la Escoliosis, Anales de Ortopedia Y Tramatologia, 14(1): 55-62, 1978.

NÚÑEZ, A. R; VÁZQUEZ, O. P. Factores escolares predisponentes en la escoliosis idiopática. Rev. cuba. pediatria;60(5):708-19, sept.-oct. 1988. Disponível em: <http://bases.bireme.br/cgi - bin/ wxislind.exe/iah/online>. Acesso em 25 de setembro de. 2007.

ROCHA, E.S.T; PEDREIRA, A.C.S. Problemas ortopédicos comuns na adolescência. Jornal de Pediatria. Rio de Janeiro, n 77, nov. 2001. Disponível em: <http://bases.bireme.br/cgi - bin/ wxislind.exe/iah/online>. Acesso em 18 set. 2007.

SANTOS, A. Diagnóstico postural precoce. IX Congresso Paranaense de Fisioterapia e I Congresso Paranaense de Fisioterapia Pediátrica. Londrina, 2003.

SMITH, T. J. ; FERNIE, G. R. Functional biomechanics of the spine. Spine, v. 16, n. 10, p. 1197-1203, 1991.

THOMSON, A.; SKINNER, A.; PIERCY, J. Fisioterapia de Tidy. São Paulo: Livraria Santos, 1994, p. 98-105.

THULBOURNE, T., GILLESPIE. R. The hib hump in idiopathic scoliosis: measurement, analysis and response to treatment. The Journal of Bone and Joint Surgery, v. 58-B, n. 1, p. 64-71, 1976.
 

 

Obs.:
- Todo crédito e responsabilidade do conteúdo são de seus autores.
- Publicado em 14/03/2008

 


© 2008 - World Gate Brasil Ltda

Todos os Direitos Reservados