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RESUMO:
Escoliose é uma disfunção na coluna vertebral na qual ocorre um desvio
tridimensional, nos planos sagital, frontal e transversal, caracterizando-a
como estrutural. Já na atitude escoliótica o paciente apresenta sinais
clínicos de uma verdadeira escoliose, mas a curvatura que a acompanha é
totalmente redutível, e seu RX em decúbito dorsal é normal. A angulação é
realizada através de vários métodos, o mais conhecido é o ângulo de Cobb.
Palavras chave: escoliose; postura; atitude escoliótica.
ABSTRACT: Scoliosis is a disfunction in
the vertebral column in the which a threedimensional detour occurs, in the
sagital, frontal and cross flats, it charactere the scoliosis as structural.
Already in the scoliotical attitud the patient presents clinical signs of a
true scoliosis, but the curvature that it follows is totally reductible, and
the XRay in dorsal position is normal. The angle measure is made trough of
several approach. The most known is Cobb’s angle.
Key words: scoliosis; posture; scoliotical attitud.
Introdução
A escoliose é uma deformação morfológica tridimensional da coluna vertebral.
É considerada uma patologia multifatorial, podendo ter várias origens:
situações compensatórias, congênitas, neuromusculares, por posturas
antálgicas ou idiopáticas (1). Segundo BIENFAIT (2), a
escoliose idiopática é uma afecção de crescimento e atinge mais de 20% da
população infantil. As escolioses podem ser classificadas em infantis (até 3
anos), juvenis (de 3 anos à puberdade), do adolescente (após a puberdade) e
do adulto (1).
Por ser multifatorial, a escoliose pode acontecer em decorrência a uma
patologia de base, como por exemplo, uma lombalgia ou mesmo acarretar um
novo problema (3).
As escolioses idiopáticas podem levar a deformidades severas que, além de
prejudicar a estética do indivíduo, podem também afetar os órgãos viscerais
causando sérias complicações, levando em alguns casos, a uma intervenção
cirúrgica.
Segundo SOUCHARD & OLLIER (1), as escolioses idiopáticas não tem
causa aparente, sabe-se que têm origem hereditária e multifatorial. Dentre
os fatores responsáveis pela escoliose idiopática, os autores citam que
estes podem acontecer por distúrbios de propriocepção, distúrbios de
equilíbrio ou até por distúrbios da glândula pineal. Outro fator que pode
estar envolvido diz respeito às anomalias do tecido colágeno, dos discos e
dos corpos vertebrais. A grande incidência da escoliose idiopática feminina
pode ser explicada por fatores hormonais.
Já na atitude escoliótica o paciente apresenta sinais clínicos de uma
verdadeira escoliose, mas a curva que a acompanha não será devido a nenhuma
deformidade estrutural. A diferença entre elas não é sempre tão nítida e uma
atitude pode chegar a “se estruturar” se a causa que a provoca for
permanente, sem, no entanto, adquirir o caráter evolutivo das escolioses
verdadeiras (4).
Este trabalho teve por objetivo descrever os principais fatores etiológicos
das escolioses idiopáticas e diferenciá-las das atitudes escolióticas.
Conceituando a escoliose
Analisando sob o ponto de vista da biomecânica, a nova concepção no estudo
dos problemas de coluna, pode-se definir a escoliose como uma deformidade da
própria vértebra que tem seus constituintes anatômicos assimétricos, assim
como uma posição relativa anormal das vértebras entre si. KNOPLICH (3)
prefere denominar as escolioses pelo seu lado convexo, completando com o
nível vertebral.
Para cada curva, as vértebras mais inclinadas são chamadas de
vértebras-limite; a vértebra situada no meio da curva e que está mais
desviada do eixo vertical, é chamada vértebra-apical (1). Em
geral, não existe, numa coluna vertebral, uma curvatura no plano frontal
isolada, mas existe uma curvatura principal e, como conseqüência, uma
curvatura secundária.
Biomecânica da escoliose
A musculatura da coluna vertebral é responsável por seus movimentos e pela
sua estabilidade (5). A porção anterior do pescoço é
essencialmente flexora da coluna vertebral e da cabeça. Evidentemente a
musculatura posterior do pescoço está envolvida com movimento da extensão da
coluna cervical e da cabeça. O músculo esternocleidomastóideo é um flexor e
um rotador da cabeça e da coluna cervical (6).
No tronco, destacam-se os seguintes músculos: os abdominais anteriores, que
são os músculos flexores; os oblíquos abdominais que são flexo-rotadores do
tronco; o músculo transverso abdominal, responsável pela estabilização do
tronco, no sistema muscular posterior, importante é a musculatura
paravertebral essencialmente extensora da coluna e do tronco (7).
Com relação à fisiologia das fibras musculares estáticas e das fibras
musculares dinâmicas, SOUCHARD & OLLIER (1) e SOUCHARD (8)
concluem que todo desvio postural é fixado por um músculo estático retraído.
No caso da escoliose, os músculos retraídos responsáveis pelo posicionamento
característico da deformidade são os transversos espinhais (sobretudo os
multífidos), cujas inserções sobre o esqueleto deixam claro que são eles os
únicos capazes de produzir rotação para um lado e látero-flexão para o lado
oposto, característica das curvas escolióticas.
Em concordância com os autores supracitados, MIRAMAND (9) afirma
que a deformação óssea estrutural é somente a conseqüência de uma retração
das partes moles posteriores que incide sobre o fenômeno crescimento.
PERDRIOLLE, apud MIRAMAND (9), afirma que o elemento
desencadeante é uma rigidez seguimentar em extensão, inicialmente localizada
a um ou dois seguimentos móveis. Esta rigidez em extensão cria uma
instabilidade anterior vertebral, pois, a partir do tripé estável formado
pelas duas apófises articulares posteriormente e pelos corpos à frente,
passamos a um sistema bipodal instável, em conseqüência da rigidez em
extensão. Esta instabilidade vertebral permite uma inclinação lateral. A
rigidez seria causada somente pelas partes moles posteriores: musculares,
capsulares, ligamentares ou aponeuróticas, e, talvez, todas ao mesmo tempo.
Este fenômeno foi chamado por BARDOT, apud MIRAMAND (9) de
“tenodese” que significa um verdadeiro assincronismo entre o crescimento
anterior dos corpos vertebrais que se encontram em descarga relativa e,
sobretudo, pela retração posterior tornando-se uma verdadeira corda no arco
raquidiano.
KNOPLICH (3), considera que a escoliose seja causada pela
fraqueza e ausência de estruturas anatômicas no lado convexo da curva ou por
uma superatividade de seus antagonistas no lado côncavo. Entretanto,
SOUCHARD & OLLIER (1) descrevem que, seja qual for a causa da
escoliose, seu caráter compensatório, distribuído em níveis, deve-se sempre
a uma retração assimétrica dos músculos espinhais.
Opiniões divergentes são encontradas na literatura. A idéia de que são os
músculos em retração que provocariam a deformidade óssea é combatida por
BIENFAIT (10). Segundo o autor, a escoliose é uma deformidade da
própria vértebra, que tem seus constituintes anatômicos assimétricos, assim
como uma posição relativa anormal das vértebras entre si. sendo assim, a
escoliose provocaria o desequilíbrio muscular e não vice-versa.
De acordo com BIENFAIT & SANTOS (11), três tipos de tecido
estariam envolvidos na evolução da escoliose: ósseo, conjuntivo e muscular.
A causa principal é o crescimento. Estes três tecidos de base estão
intimamente ligados e são inseparáveis na função de locomoção. O crescimento
os modifica, talvez mais que aos outros tecidos humanos. Como os demais
tecidos, independentemente de seu desenvolvimento em força e resistência,
devem crescer em comprimento ao longo dos anos. É na fisiologia deste
crescimento que situa-se a evolução da escoliose, que é diferente para cada
um dos três tecidos, sendo que a dos tecidos conjuntivo e muscular é
dependente do alongamento ósseo.
O crescimento ósseo em comprimento é fisiológico, ocorrendo através das
cartilagens de crescimento ou conjugação. Enquanto existir cartilagem de
conjugação, ela se prolifera e o osso alonga-se. Entretanto, este
crescimento ósseo não é constante e regular, é dito “imprevisível”. As
cartilagens são ativas um certo tempo, depois permanecem em repouso por um
tempo mais ou menos longo enquanto outras ativam-se e assim por diante.
Parece não haver regra fixa para este crescimento. Ocorre por estirões
bruscos que não acontecem na mesma época para todos os indivíduos (11).
Já o alongamento do conjuntivo não é fisiológico, é um fenômeno mecânico. A
estrutura de base deste tecido, o colágeno, é secretada pelos fibroblastos,
cujo fator excitante neste caso é a tensão mecânica. Quando o conjuntivo é
submetido a uma tensão prolongada, os fibroblastos secretam colágeno cujas
moléculas instalam-se em série, alongando desta forma os feixes conjuntivos.
Assim, durante o crescimento, o alongamento ósseo tensiona o conjuntivo, em
especial as aponeuroses que a ele são presas, que alongam-se
proporcionalmente. Nesse mecanismo existe uma oposição de tensão entre
alongamento ósseo e a resistência à tensão do conjuntivo. Normalmente, o
osso é sempre o vencedor e força o conjuntivo a alongar-se. No entanto, na
região da coluna, pode não ser assim. Às vezes o conjuntivo opõe uma
resistência que o crescimento vertebral não pode vencer completamente.
Então, é o elemento ósseo que se deforma e encurva-se durante o crescimento.
O crescimento em comprimento do músculo é sensivelmente paralelo ao do
conjuntivo. Durante os estirões, o alongamento ósseo faz com que todos os
músculos trabalhem sob tensão e alonguem-se, aumentando o número de
sarcômeros (unidade funcional do músculo) em série. O crescimento muscular é
também um crescimento mecânico (11).
Um desequilíbrio segmentar, seja ele causa, ou compensação da deformidade,
cria o que denominamos concavidade, isto é, um encurtamento dos tecidos do
lado deste desequilíbrio. Evidentemente a tensão encontra-se reduzida nesta
concavidade enquanto encontra-se exagerada do lado convexo. Durante todo o
crescimento, o conjuntivo e o músculo alongam-se mais na convexidade e esta
diferença aumenta proporcionalmente ao aumento da deformidade (11).
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL – ATITUDE ESCOLIÓTICA E
ESCOLIOSE ESTRUTURAL
Atitude Escoliótica
Segundo SANTOS (4) na atitude escoliótica o paciente apresenta
sinais clínicos de uma verdadeira escoliose, mas a curva raquidiana que
acompanha é lábil, totalmente redutível na posição de decúbito em inclinação
lateral, isso tanto clínica quanto radiologicamente. Esse desvio não ocorre
por nenhuma deformidade estrutural e isso é evidenciado pela total ausência
de gibosidade no exame clínico ou de sinais de rotação vertebral no exame
radiológico.
Para BIENFAIT (10), em um exame clínico mais apurado se verá que
essa atitude associa-se a problemas em membros inferiores, pelves, cintura
escapular, tronco, membros superiores ou causas de ordem funcional. Para a
maioria dos autores esses desvios não levam a uma verdadeira escoliose, nem
deveriam ser confundidos com ela.
Com freqüência o adolescente em pleno estirão não consegue se manter
adequadamente ereto. Em translação de tronco, em báscula pélvica, em cifose,
com ombro elevado, se cansa facilmente. De inicio consegue-se alinhar
ativamente. Com o passar do tempo não mais o consegue. No entanto, não
apresenta gibosidade e o RX em decúbito é normal. A atitude escoliótica
trata-se de um desequilíbrio, um vício postural que requer longo tratamento
(10).
As principais atitudes que podem passar por escoliose são: látero-flexão
lombar por desequilíbrio frontal pélvico causado por desigualdade de
comprimento do membro inferior, seja ela de origem anatômica ou funcional,
translação de tronco, devido a retrações musculares causadas por atitudes
antálgicas, por problemas discais, tumorais, inflamatórios entre outros.
Nesse caso é frequente e encontra-se maior tensão do ílio-psoas de um lado
em relação ao outro, assim como dos piriformes (10).
Escoliose Estrutural
A escoliose torácica inicia-se por uma lordose, uma inclinação lateral e uma
torção. A escoliose lombar inicia-se por um ângulo ilio-lombar, uma
inclinação lateral, cifose lombo-sacra e uma rotação dos ilíacos. Uma
escoliose de dupla curva equilibrada deve ser considerada como uma escoliose
torácica com uma contra curvatura lombar de reequilibração que se
estruturalizou progressivamente (1).
Segundo FAUVY (12), a escoliose de dupla curva desequilibrada
deve ser considerada como uma escoliose lombar com ângulo ilio-lombar,
acarretando uma contra curvatura torácica de reequilibração que se
estruturalizou progressivamente.
De acordo com seu grau de mobilidade, BIENFAIT (10) apresenta a
seguinte classificação das escolioses:
- Pré escoliose: no exame clinico se constatam indícios de uma escoliose,
porém ao RX em posição ortostática não é confirmado.
- Escoliose de primeiro grau: ao RX em posição ortostática aparece uma leve
flexão lateral sem rotação ou com uma leve rotação vertebral. Ao RX em
decúbito a curva desaparece.
- Escoliose de segundo grau: ao RX em posição ortostática aparece uma
escoliose. Ao RX em decúbito ela se acentua. Ao RX sob tração ela
desaparece.
- Escoliose de terceiro grau: não desaparece mesmo em um RX sob tração.
As escolioses estruturais apresentam Teste de Adams positivo (presença de
gibosidade) e na radiografia a rotação vertebral está presente.
Conclusão
Muito embora a escoliose estrutural e a atitude escoliótica apresentem
etiologias diferentes, devem ser tratadas com o mesmo cuidado,
principalmente pela grande probabilidade de uma atitude escoliótica vir a
tornar-se uma escoliose estrutural, intensificando o problema postural do
indivíduo.
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Idiopática: a tridimensionalidade. São Paulo: Núcleo de Estudos e Pesquisa
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Escoliose Idiopática: a tridimensionalidade. São Paulo: Núcleo de Estudos e
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