Referência  em  FISIOTERAPIA  na  Internet

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Trabalho realizado por:

 Centro de Cirurgia da Coluna
www.cirurgiadacoluna.com.br


TÉCNICAS CIRÚRGICAS


I - Cirurgias Minimamente Invasivas

Procedimentos minimamente invasivos são aqueles em que há uma agressão mínima aos tecidos do corpo, com o manuseio cirúrgico restrito apenas à área doente, preservando as outras estruturas. Na cirurgia minimamente invasiva se visa bons resultados sem as desvantagens de uma cirurgia grande, reduzindo a dor pós-operatória, a permanência no hospital, e acelerando o retorno às atividades normais, ou seja, resolver o problema com um menor sofrimento do paciente. Geralmente os procedimentos minimamente invasivos se valem de recursos tecnológicos avançados para conseguir cumprir seus objetivos, sendo comum o uso dos aparelhos de vídeo-endoscopia, microscopia, e de técnicas percutâneas. O Centro de Cirurgia da Coluna tem a sua filosofia centrada na utilização e desenvolvimento de técnicas minimamente invasivas, através de uma constante atualização com o que acontece nos centros mais desenvolvidos.

 


1) Vídeo-Endoscopias

O vídeo-endoscópio é uma pequena câmera de vídeo, utilizada para visualização do campo cirúrgico, permitindo que se trabalhe usando cortes muito menores que os da cirurgia convencional. O vídeo-endoscópio dá uma visão muito detalhada do campo cirúrgico através de recursos de iluminação e de aproximação da câmera, e, junto com instrumentos cirúrgicos especiais, possibilita o trabalho cirúrgico em espaços muito restritos. Há alguns anos a vídeo-endoscopia tornou-se comum na cirurgia geral, revolucionando os conceitos existentes. Na cirurgia de coluna, essa revolução está apenas começando, mas já é possível a microcirurgia vídeo-endoscópica das hérnias discais, as abordagens da coluna dorsal por vídeo-toracoscopia, e a realização de artrodeses vídeo-assistidas, e a perspectiva é que os aparelhos fiquem cada vez menores e os procedimentos cada vez mais simples.

a. Microcirurgia Vídeo-Endoscópica das Hérnias Discais

Utilizando uma abordagem semelhante à convencional, mas com uma incisão de apenas 1 polegada e o auxílio da vídeo-endoscopia, essa técnica pode ser aplicada no tratamento de todos os tipos de hérnia de disco, com a vantagem de trazer uma redução significativa no trauma cirúrgico quando comparada às técnicas usuais, proporcionando menor permanência hospitalar e recuperação mais rápida dos pacientes. O Centro de Cirurgia da Coluna foi pioneiro na introdução desta técnica no Brasil, tendo iniciado sua realização em 1995, e contando com mais de 200 pacientes operados.

 


b. Cirurgia Torácica Vídeo-Assistida / Vídeo-toracoscopia

Ao invés de uma incisão grande, com afastamento das costelas e corte da musculatura do tórax, usa-se incisões de poucos centímetros associadas a portais de trabalho, pequenos tubos por onde passam a câmera de vídeo e os instrumentos cirúrgicos especiais. Essas técnicas podem ser usadas em casos selecionados de tratamento das hérnias discais dorsais, fraturas, tumores, e deformidades da coluna torácica, para realização de artrodese, bem como o tratamento da hiperidrose. A vídeo-toracoscopia reduz de forma significativa o trauma cirúrgico associado a uma abordagem da coluna torácica, trazendo grande redução nos riscos e no sofrimento associado com esse tipo de cirurgia

c. Artrodese Lombar Vídeo-Assistida

 



Embora de forma mais restrita que na coluna torácica, certos procedimentos de fixação da coluna lombar também podem ser realizados com o auxílio da vídeo-endoscopia, com os mesmos benefícios em termos de redução no tamanho das incisões e do trauma cirúrgico, e maior facilidade na recuperação. Algumas discopatias dolorosas tem sido tratadas unicamente por vídeo-endoscopia retro-peritonial, com resultados animadores. Em outros casos, temos combinado a vídeo-endoscopia com outras técnicas, convencionais, reduzindo o máximo possível a agressão cirúrgica ao paciente.


2) Técnicas Percutâneas

 


Procedimentos percutâneos são procedimentos cirúrgicos realizados sem a necessidade de cortes, feitos através de agulhas ou cânulas posicionadas em pontos específicos, com o auxílio de raios-X, e que podem servir para diagnóstico ou tratamento de uma série de patologias. Esses procedimentos tem como regra geral não necessitar nem de anestesia geral nem de internação hospitalar na maioria dos casos, e apresentar riscos bastante reduzidos. A técnicas percutâneas de cirurgia minimamente invasiva são geralmente utilizadas no manejo das patologias degenerativas da coluna que causam dor, tanto com fim de diagnóstico preciso, como de tratamento. Os principais procedimentos percutâneos que realizamos são:

a. Vertebroplastia Percutânea

A vertebroplastia percutânea é uma técnica que consiste na injeção de cimento ósseo diretamente no corpo de vértebras com lesões provocadas por osteoporose ou tumores. Surgida no meio da década de 90, a técnica vem sendo aplicada pelo Centro de Cirurgia da Coluna desde 1999 como procedimento ambulatorial, com anestesia local, podendo ser realizada mesmo em pacientes bastante idosos e com patologias clínicas significativas. A vertebroplastia é uma técnica segura, que traz resultados excelentes no alívio das dores e na recuperação dos pacientes com lesões de coluna relacionadas à osteoporose avançada.

b. Tratamento Percutâneo das Hérnias Discais - Nucleoplastia por coblação

A Coblação® (cold ablation - ablação a frio) é uma nova tecnologia que utiliza de forma conjunta a dissociação molecular a frio e a coagulação por radiofrequência bipolar. Essa tecnologia possibilitou a criação de uma técnica de tratamento da hérnia de disco chamada nucleoplastia, onde a descompressão da raiz nervosa é feita por uma agulha introduzida no disco. A cirurgia consiste na colocação de uma agulha no disco doente, por onde é introduzida a ponteira de Coblação, que realiza eliminacão e remodelagem do núcleo. É uma técnica percutânea, feita em caráter ambulatorial, com anestesia local, e tem demonstrado resultados muito bons em casos selecionados de hérnia discal, sendo também possível sua aplicação em casos selecionados de dor lombar por degeneração discal. O método obteve aprovação pelo F.D.A. em 2001, e desde lá vem sendo realizado pelo Centro de Cirurgia da Coluna.

c. Tratamento Percutâneo das Discopatias Dolorosas – I.D.E.T.

O I.D.E.T. (Intra Discal Electrothermal Theraphy) é uma técnica de tratamento da dor provocada pelas lesões da camada externa do disco, em certos casos de discopatias dolorosas. Através de uma agulha introduzida no disco, coloca-se um catéter ligado a um gerador externo de calor. Durante o procedimento o catéter eleva as temperaturas em áreas específicas do disco, provocando a coagulação e a destruição de fibras dolorosas de algumas zonas lesionadas. É uma técnica percutânea, feita em caráter ambulatorial, com anestesia local, e tem demonstrado resultados satisfatórios em casos selecionados de dor lombar. O método foi adotado pelo Centro de Cirurgia da Coluna em 2002.

d. Biópsias Percutâneas da Coluna

e. Discografia e Terapias por Injeção Intra-Discal

f. Bloqueio e Denervação das Facetas Articulares

g. Bloqueio Radicular

Estes são procedimentos indicados no manejo de uma série de patologias, geralmente com finalidade de obter diagnósticos de certeza, não conseguidos através de exames normais, ou controle das dores nas doenças da coluna. Essas técnicas percutâneas são realizadas sob anestesia local e sem hospitalização, apresentando riscos muito baixos para os pacientes. O Centro de Cirurgia da Coluna é pioneiro no uso dessas técnicas e atualmente é o único no estado a realizar esses procedimentos na coluna cervical.


II. Artroplastias Espinhais

A artroplastia é um novo tipo de filosofia no tratamento cirúrgico das patologias da coluna, possibilitada pelo avanço tecnológico no desenvolvimento de materiais. Antes dela, as cirurgias de coluna podiam ser classificadas em dois grandes grupos: as descompresões neurais, e as artrodeses. Na descompressão neural, o objetivo da cirurgia era liberar uma estrutura nervosa que estivesse apertada, como nos casos de hérnia de disco ou estenose espinhal. As descompressões são procedimentos destrutivos, pois são retiradas partes de ossos ou articulações no intuito de liberar espaço para os nervos. Na artrodese de coluna é realizada uma fixação das estruturas, com objetivo de trazer a anatomia da coluna para próximo do normal, mas isso é feito às custas da perda da mobilidade de um ou mais segmentos, reduzindo o movimento da coluna e originando conseqüências mecânicas no processo de desgaste espinhal. As artroplastias são procedimentos reconstrutivos em que se utilizam próteses móveis, de alta tecnologia, que reconstituem a anatomia da coluna mantendo o movimento fisiológico, próximo do normal. Diferente das artrodeses, a fixação não implica na perda do movimento, permitindo uma menor limitação pós-operatória e um maior retardo no processo degenerativo. O advento da artroplastia é a mais recente evolução nas técnicas de tratamento cirúrgico das doenças da coluna. As técnicas de artroplastia espinhal vem recebendo cada vez mais atenção do meio médico, e estima-se que virão a aumentar em muito a capacidade de resolução dos problemas de coluna. O Centro de Cirurgia da Coluna foi pioneiro na artroplastia no Rio Grande do Sul, realizando a primeira cirurgia desse tipo no ano 2000, com a colocação de uma prótese de núcleo, e, atualmente, tem a maior experiência gaúcha na utilização da prótese discal total.

1. Prótese de Núcleo - PDN

A prótese de núcleo é uma almofada de hidrogel, revestida por uma capa de teflon. Este material tem características de comportamento mecânico semelhantes às do núcleo pulposo normal, e sua colocação está indicada nas discopatias dolorosas com graus iniciais de degeneração, em que o núcleo perdeu sua capacidade amortecedora, mas o disco mantém uma anatomia próxima da normal. A cirurgia é feita com técnicas minimamente invasivas, como a vídeo-endoscopia, e consiste na retirada do núcleo discal degenerado e colocação das próteses no interior do anel, que é preservado. A permanência no hospital é curta, e a dor pós-cirúrgica bastante reduzida, porém, como o P.D.N. leva alguns meses para se adaptar, é comum que os sintomas da discopatia não cessem imediatamente após a cirurgia.

2. Prótese Discal Total

 


A prótese discal total tem seu uso indicado nas discopatias dolorosas em que já existem alterações maiores, como instabilidade da coluna. Neste procedimento, o disco inteiro é retirado através de uma incisão no abdome, e é substituido por uma prótese de metal e polietileno de alta densidade. A prótese permite que o disco doloroso seja eliminado, e que o espaço discal volte a realizar movimentos dentro dos limites normais, restituindo o balanço mecânico adequado da coluna. A prótese é utilizada em casos em que, antes, só era possível uma artrodese de coluna, procedimento que tem a desvantagem de retirar a mobilidade da coluna no local operado. A prótese pode ser utilizada em pacientes que apresentam discopatias dolorosas e/ou instabilidade da coluna com comprometimento de 1 ou, no máximo, 2 discos, e ainda tem as articulações posteriores da coluna preservadas. Se o desgaste já tiver atingido mais de 2 discos, ou as articulações posteriores, está indicada a artodese de coluna.


III. Cirurgias Convencionais

1. Descompressão Neural

 


A maioria dos problemas espinhais de tratamento cirúrgico envolvem irritação ou compressão de nervos. Com o envelhecimento há uma redução na altura dos discos e um aumento no tamanho das articulações e ligamentos, alterações que levam a uma perda de espaço para os elementos nervosos (estenose espinhal). Além disso, essas estruturas podem ser comprimidas em casos de instabilidade ou deformidades da coluna, trauma, ou tumores. Há uma grande variedade de técnicas de descompressão, embora o objetivo sempre seja liberar os elementos nervosos pela remoção de partes do osso, discos, ligamentos, e/ou articulações. A estratégia cirúrgica a ser utilizada deve ser individualizada para cada paciente, havendo várias técnicas de cirurgia minimamente invasiva que podem facilitar o tratamento. Como a descompressão é uma cirurgia destrutiva, muitas vezes ela se associa a uma artrodese de coluna.

2. Artrodese de Coluna

 


Uma artrodese é uma cirurgia que fixa vértebras vizinhas com uma ponte de osso, mantendo-as alinhadas, estáveis e fortes. A dor espinhal é originada em segmentos da coluna onde exista instabilidade, degeneração dos discos ou articulações, ou irritação de nervos, e a eliminação dos movimentos nestes segmentos pode trazer melhora dos sintomas. Uma artrodese pode ser recomendada em casos de espondilolistese, discopatias dolorosas, ou hérnia discal recidivante, bem como em casos de trauma e tumores. Na maioria das artrodeses é feita colocação de materiais de fixação, como parafusos de titâneo ou espaçadores, para aumentar os índices de sucesso da fusão óssea. Embora a artrodese limite a mobilidade de da coluna, a maioria dos pacientes consegue realizar todos os movimentos necessários no dia a dia. Hoje em dia, pode-se utilizar em alguns casos uma técnica de artroplastia, uma cirurgia que apresenta a vantagem de preservar os movimentos da coluna.
 

 

Obs.:
- Todo crédito e responsabilidade do conteúdo é de seu autor.
- Publicado em 13/09/04

 


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