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Trabalho realizado por:
► José Alexandre Caramez Berteges ¹ ► José Roberto Prado Junior ² ► MSc Henrique M. C. Baumgarth ³
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1. Ft. Esp. em Fisioterapia Traumatológica, Ortopédica e Desportiva pelo INSPIRAR - Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Saúde /CESUMAR - Centro Universitário de Maringá – Curitiba/PR. 2. Ft. Prof. do Centro Universitário INSPIRAR – Curitiba/PR 3. MSc Prof. Educação Física (UGF). Ft (IBMR). Esp. em Psicomotricidade (ESTÁCIO). Esp.em Osteopatia (FELUMA). Mestre em educação (ESTÁCIO). Prof. titular da Estácio (RJ). Prof. titular da USS (Vassouras). Prof. adj. do IOR (SP). Presidente da Associação Brasileira de Crochetagem. |
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ESPIROMETRIA NA MANIPULAÇÃO DE COSTELA |
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A biomecânica
da caixa torácica, na respiração, realiza dois movimentos: o de
“Alça de balde” e o de “alavanca de bomba”. O Movimento em “alça de
balde” funciona como “dobradiça”, onde durante a inspiração a
costela sobe e realiza uma inversão e na expiração ela promove o
contrário, a costela desce e realiza uma eversão. Estes movimentos
são permitidos pela deformação da costela e da cartilagem costal, e
pelo deslizamento das facetas articulares. Os movimentos
em “alavanca de bomba” ou “braço de bomba” ocorrem em um eixo quase
frontal. Durante a inspiração se movimenta para cima e para trás e,
na expiração, o contrário, ela desce e se anterioriza2. As 1a e 2a
costelas funcionam unicamente como “braço de bomba”; as 3a, 4a, 5a e
6a costelas possuem dupla função, a de “alça de balde” e de “braço
de bomba”; e as 7a, 8a, 9a e 10a costelas funcionam somente como
“alça de balde”. As costelas são
anatomicamente ligadas às vértebras torácicas pela articulação
costotransversal e pela cabeça da costela, com isso todo movimento
de tronco repercutirá sobre as costelas. Durante o movimento de
flexão de tronco a costela recua no sentido ântero-posterior e
durante a extensão elas avançam no sentido póstero-anterior. Na
rotação de tronco, onde ocorre à maioria das lesões costais, a
costela recua do lado da rotação mobilizada devido ao processo
transverso que se posterioriza. Do lado oposto a costela avança
impulsionada pelo processo transverso que se anterioriza2. A dor costal,
característica da lesão em costela, é atribuída à distensão
ligamentar, ocasionada pela protrusão do disco intervertebral na
articulação da cabeça da costela. Esta lesão se inicia após um
trauma (direto ou indireto) ou um esforço (como ao levantar da cama
ou no ato de dirigir) no qual gera uma disfunção dos ligamentos da
costela a nível da articulação costoesternal ou costovertebral ou
costocondral2,3. Nas lesões de
inspiração a costela sobe, porém não desce, com isso ela fica
desalinhada em relação à costela do lado contralateral. Durante a
inspiração essa defasagem desaparece e os sintomas diminuem ou
cessam, e durante a expiração a costela fica mais aparente e os
sintomas se exacerbam. Nas lesões expiratórias acontece o inverso,
ou seja, a costela não sobe durante a inspiração, mas desce durante
a expiração. O desajuste só aparece durante a inspiração quando os
sintomas ficam mais fortes, já na expiração nenhum sintoma é
notado4,5,6. As disfunções
das costelas como rigidez e microluxação podem causar dor e
limitação de movimentos, prejudicando as AVD’s, podendo provocar
também dor irradiada e sendo confundida com outras patologias.
Quando a manipulação costal é indicada, promove uma melhora da
biomecânica, concomitantemente com a melhora da expansão da caixa
torácica. A força a ser empregada na aplicação da manobra deve ser
ajustada conforme a fisiologia de cada paciente7,8,9,10,11,12,13,14. De acordo com
Beffa e Mathews (2004), ao realizar o TM, sons poderão ser
auscultados ou não durante a manipulação (thrust), sendo totalmente
fisiológico. O presente
estudo teve como objetivo verificar o efeito da manipulação de
costela(s) microluxada(s) na função pulmonar e na expansibilidade
torácica, sendo utilizado como método de avaliação: a palpação
costal16; a espirometria, que permite medir o FEmáx., antes e após o
TM17; e a mensuração da dor através do NRPS – modificado (Nurse
Reported Pain Score). Utilizou-se como forma de tratamento técnicas
fisioterapeuticas baseadas na osteopatia e quiropraxia1618,19,20,21. METODOLOGIA
Este trabalho
foi uma pesquisa de campo, um ensaio clínico, de caráter
quantitativo, com delineamento longitudinal, não controlado,
experimental e contemporâneo, tendo como análise de dados a forma
descritiva, sendo a amostra de ambos os gêneros, com idade entre 20
a 37 anos, onde foi utilizada a espirometria como forma de medição,
quantitativamente, do fluxo expiratório máximo anteriormente e
posteriormente a manipulação de costela.
CARACTERIZAÇÕES
DA AMOSTRA A seleção da
amostra foi feita através de participantes voluntários que seguiram
critérios de inclusão e exclusão. A pesquisa atingiu um N de 24
participantes (14 homens e 10 mulheres), dentre os quais 3
participantes (2 mulheres e 1 homem) foram excluídos, perfazendo um
total de 21 voluntários incluídos a pesquisa. Nesta pesquisa
não houve participação de grupo controle ou placebo.
CRITÉRIOS DE
INCLUSÃO E EXCLUSÃO A pesquisa
obteve como critério de inclusão pessoas de ambos os gêneros, com
idade mínima de 18 anos e máxima de 45 anos que relataram queixa de
dor costal ao movimento ou parado ou ao respirar e que apresentassem
costela(s) microluxada(s) a palpação. Foram excluídos da pesquisa
todos que apresentavam gripe ou que relataram outra doença pulmonar
nos últimos 7 dias, quem tivesse trabalhado em ambientes com alta
concentração de pó por um ano ou mais, todos que usam ou usaram a
menos de 10 anos cigarro ou aqueles que tivessem contato com
fumantes em lugares fechados ou pouco ventilados por um longo
período de tempo, que apresenta-se qualquer pneumopatia, portadores
de qualquer comprometimento neuromusculoesquelético que
impossibilita-se a utilização da técnica, presença de qualquer tipo
de câncer que impossibilita-se a aplicação da técnica, presença de
angina recente e hipertensão arterial sistêmica não controlada.
MATERIAIS E
EQUIPAMENTOS O trabalho teve
como instrumento de mensuração o espirômetro da marca PROPPER
(Figura 01) contendo marcação mínima de 1000ml e máxima de 7000ml
(Figura 01).
PREPARAÇÃO E
MENSURAÇÃO Os valores dos
fluxos expiratórios foram definidos através da média dos valores,
verificando se houve diferença entre ambos. Para efetuar as
medições dos picos expiratórios, foi assegurado e certificado, de
que o leitor do espirômetro estivesse zerado, o paciente acomodado
na posição sentado com a cabeça na posição neutra, sem flexão de
pescoço. Não se fez necessário o uso do clipe nasal devido à
coordenação motora dos participantes, logo foi instruído que
inspirasse o mais fundo possível (puxando o ar pela boca), segurando
o ar por até 3 segundos, colocou-se o espirômetro (medidor do FEmáx.)
na boca cerrando os lábios em torno do bocal do aparelho, foi pedido
então, para que o participante expirasse de forma longa e contínua
por um tempo igual ou maior que 6 segundos, não podendo ser
interrompido por tosse ou bloqueio da língua no bocal do aparelho,
ou ainda expirar de forma inconstante durante o procedimento (Figura
02). O procedimento
foi realizado duas vezes antes da manobra manipulativa e duas vezes
após a manobra manipulativa, tendo um intervalo entre 5 a 10 minutos
entre as avaliações22,23,24.
A variação de
idade da amostra da pesquisa ficou entre 20 e 37 anos de idade,
tendo-se uma média de 25 anos (aproximadamente) e a princípio,
pode-se constatar o maior número de amostras entre 20 e 25 anos
(>50%). O gráfico 01
demonstra a distribuição da amostra quanto ao gênero. Pode-se notar
que o número de indivíduos do sexo masculino é maior que o do sexo
feminino, correspondente a 58,82% masculino e 41,18% feminino
(Figura 02). O Gráfico 02
demonstra a relação do tempo de dor sintomática das costelas, onde
se constatou que 57,14% da amostra possuíam dor durante as suas
AVD’s, enquanto 42,86% da amostra não possuíam dor (apenas um
desconforto em suas AVD’s), apresentando dor somente após teste
provocativo, já que o desajuste costal estava presente (Figura 02). No gráfico 03
podemos analisar o tempo de dor dos 57,14% da amostra, ou 12
participantes, que possuíam dor em suas AVD’s. Vale ressaltar que o
grupo de 42,86% possuía o desajuste, mas estava assintomático.
Pode-se notar que 50% dos sintomáticos apresentavam dor em um
período de 1 a 4 semanas; 33,34% possuíam a dor de 1 a 6 meses; e
apenas 16,66% possuíam dor por mais de 6 meses (Figura 02). No gráfico 04
se descreve as diferentes intensidades de dor a palpação antes da
manipulação costal. Os dados foram coletados utilizando a escala de
dor NRPS - modificado (Nurse Reported Pain Score), onde se avaliou a
intensidade da dor, seu local e o tipo de dor (pontada, irradiada,
agulhada, etc.). Sua escala varia de 0 (sem dor) a 10 (extremamente
intenso). Tivemos como resultado que 28,5% relataram dor de
intensidade 4; 43% relataram intensidade 5; 9,5% relataram
intensidade 6; 14,2% relataram intensidade 7; e 4,8% relataram
intensidade 9 (Figura 02). O gráfico 05
demonstra a relação dos pacientes que realizaram tratamento
fisioterapêutico. Observa-se que dos 21 participantes, apenas 6 ou
28,6% da amostra, realizaram algum tipo de tratamento
fisioterapêutico, e quando questionados sobre qual tipo de
tratamento receberam foi constatado eletroterapia e cinesioterapia. No Gráfico 06
observa-se a porcentagem da melhora do FEmáx. dentre a amostra dos
21 participantes. Concluiu-se que os 76,2% da amostra obtiveram
melhora significante no FEmáx.; 19,04% não obtiveram nenhuma melhora
e 4,76% obtiveram uma pequena melhora (<50ml) no FEmáx..
O Gráfico 08
demonstra a melhora (em porcentagem) da queixa álgica após a
manipulação costal, medido através do NRPS – modificado. O nível de
melhora da dor foi de 100% em 6 participantes; 90% em 7
participantes; 80% em 5 participantes; e 70% em 3 participantes.
Este trabalho
foi desenvolvido com base na verificação dos efeitos que a correção
do desajuste costal, através do tratamento manipulativo, exerce no
fluxo expiratório máximo e na biomecânica torácica, paralelamente
foram coletados os níveis de dor antes e após o tratamento. O
questionamento central baseou-se na possibilidade de uma alteração
do FEmáx. devido à limitação da caixa torácica causada por uma
microluxação(s) ou desajuste(s) de costela(s). A espirometria
foi utilizada para mensuração do FEmáx., pois esse método é
considerado por alguns autores como sendo o melhor parâmetro para
este tipo de avaliação, de maneira que auxilia no estudo dos volumes
corrente, o volume de reserva inspiratório e de reserva
expiratório6,24. Para avaliação
do FEmáx. foram realizadas seis mensurações, três antes e três após
o tratamento manipulativo. Durante as aferições foi constatado que
houve uma variação irregular nos valores dos FEmáx. antes da
realização da manipulação, porém após a correção do desajuste houve
um aumento no FEmáx. e os valores se tornaram constantes. A amostra total
foi composta por 21 voluntários, na qual 3 não obtiveram melhora no
fluxo expiratório máximo e apenas 1 obteve uma melhora muito
pequena. Nesta amostra observou-se que o local, o tipo de dor e a
posição do desajuste de costela(s) foram muito variados, não
seguindo nenhum padrão, sendo também relevante afirmar que as
microluxações encontradas não foram iguais. Ao longo da
pesquisa foi constatado um aumento significativo no fluxo
expiratório máximo e uma melhora expressiva da dor referida,
condizendo com o trabalho de Costa e Silva (2008), onde foi feito o
mesmo tipo de trabalho, mas com a utilização o peak flow meter para
mensuração da FEmáx.. A utilização da
OM, em pacientes idosos hospitalizados com pneumopatia, obteve uma
redução do tempo de administração de antibiótico e do tempo de
permanência no hospital11. Reforçando a importância e o benefício na
melhora da função pulmonar através da manipulação utilizada na
recuperação de determinados pacientes. Em um estudo
com crianças asmáticas, utilizando técnicas de manipulação
osteopática (OM), constatou que podem ser usadas para aumentar à
capacidade vital e a mobilidade da caixa torácica, melhorando a
função diafragmática e maximinizando a eficácia do ciclo
respiratório25. Bockenhauer,
Julliard, Lo, Hunag e Sheth (2002), realizaram uma pesquisa para
determinar se a técnica de OM obtém melhora no fluxo expiratório
máximo em pacientes com asma crônica. Embora relatem à necessidade
de um estudo mais profundo e com uma amostra maior, obtiveram uma
resposta positiva na sua pesquisa, sustentando a sua hipótese. Durante a
realização da pesquisa foi notado que alguns pacientes
encontravam-se com dor irradiada para abdome, alguns para ombro e
outros para cervical, onde os mesmos a confundiam com outros
problemas, e ao se realizar o tratamento manipulativo e corrigido o
desajuste constatou-se o desaparecimento da dor. Alguns autores,
relatam que em um desajuste de costelas superiores pode desencadear
uma dor característica de angina e a correção do mesmo promoveu um
alivio imediato e total da dor referida27. Santos, Tejón,
Llaneza e Castaño (2007), relatam à necessidade de se explorar as
costelas em casos de dor abdominal em crianças, pois uma costela em
desajuste pode causar do abdominal irradiada. Confirmando a hipótese
de que uma microluxação de costela pode acarretar em um tipo de dor
irradiada. O tratamento do
desajuste costal se mostrou eficiente quanto ao aumento do FEmáx.,
na diminuição ou abolição da queixa álgica e o aumento da
expansibilidade torácica pela liberação da(s) costela(s). Com base em
estudos realizados em adultos e crianças com pneumopatia já havia
sido constatado que promoviam uma melhora na FEmáx. e uma melhora na
qualidade de vida. Comparativamente, esta pesquisa foi realizada com
pacientes que não possuíam qualquer pneumopatia, apenas queixas
álgica costal. Estudos como
este e de Costa e Silva (2008), devem ser mais estudados já que é
notório a sua eficácia. Contudo, são poucos os trabalhos científicos
publicados com essa temática, tendo elaborações com abordagens
restritas a pacientes pneumopatas. Existe uma deficiência nas
publicações no que se refere ao estudo do fluxo expiratório máximo e
suas variações em pacientes com desajustes ortopédicos. CONCLUSÃO
Mesmo este tipo
de manobra sendo eficaz, com resultados rápidos e satisfatórios,
deve-se levar em consideração a manutenção deste tipo de
procedimento. A manipulação promove o ajuste mecânico da costela,
porém mudanças nas AVD’s e correção postural são fundamentais para
que estas microluxações não aconteçam novamente28. A terapia
manual manipulativa vem conquistando cada vez mais reconhecimento na
Europa e nos Estados Unidos, mas ainda se faz necessário a
publicação e o desenvolvimento de novas pesquisas científicas, a fim
de se obter mais reconhecimento científico no Brasil. Mesmo este
trabalho tendo um número de amostra relativamente pequeno, pode-se
chegar a uma conclusão positiva, contudo se faz necessário ressaltar
que há a necessidade de um estudo com uma amostra ainda maior. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS |
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