Trabalho realizado por:

 

Eddy Krueger ¹

eddy_krueger@hotmail.com

 

Júlio César de Andrade Chinelato ²

juliochinelato@hotmail.com

 

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RELATO DE CASO COMPARANDO OS EFEITOS DA UTILIZAÇÃO DE TERAPIA HÍBRIDA (MICROCORRENTES E LASER) COM LASERTERAPIA EM TECIDOS BIOLÓGICOS ULCERADOS

 


Resumo

 

Lesões que acometem ao tecido tegumentar, na sua maioria envolvem processos de ulceração, secundários a patologias arteriovenosas, ou ligadas a etiologias traumáticas, como acidentes ou queimaduras. A intervenção fisioterápica vem como alicerce para uma cicatrização eficaz, utilizando de bom grado da eletrotermoterapia, essa que proporciona variadas técnicas de tratamento, fazendo com que torne possível uma mescla de aparelhos, tendo como axioma acelerar o processo regenerativo. Em paciente com ulcera venosa buscou-se fazer um trabalho hibrido com o uso de microcorrentes e laserterapia, e compara-lo com o uso da laserterapia em membro isolado.


Introdução

Ao que concerne à estrutura heterogênea tissular, constituindo cerca de 10% da massa corpórea, revestindo aproximadamente 2m² de tecido tegumentar, com aproximadamente 2mm de espessura, considerado o maior órgão do corpo humano, apresenta uma estrutura multifuncional formada por duas camadas principais, epiderme, derme e uma camada de gordura subcutânea. Tais camadas possuem funções e estruturas distintas, que, atuam mutuamente para manter a homeostase do tegumento, servindo como barreira física contra agentes exógenos, além de funções vitais importantes na termorregulação e na síntese de vitamina D. 1-2-3
 

A camada mais externa é denominada epiderme, formada por cinco subcamadas distintas: estrato córneo (mais externo), estrato lúcido, estrato granuloso, estrato espinhoso e o estrato germinativo (camada mais interna) que mantém a morfologia epidérmica à medida que suas células lábeis amadurecem e migram para a superfície em torno de catorze dias. Composta histologicamente por tecido epitelial pobre em material extracelular, pouco espessa, porém, bem organizada. Obtém sua nutrição e vascularização através da lâmina basal, estrutura formada principalmente por colágeno do tipo IV, que aumenta a aderência ao tecido conjuntivo, do qual, são provenientes todas as moléculas necessárias para que a epiderme mantenha o ciclo de renovação. 4
 

Feridas de tecido tegumentar se definem por três tipos principais: de primeira intenção de leve acometimento e de rápida recuperação; de segunda intenção se caracteriza por feridas crônicas como úlcera de pressão, com um tempo maior para cicatrização; terceira intenção possui um alto índice de infecção e longo tempo de regeneração. Devido este retardo cronológico na cicatrização por segunda intenção, é necessário adotar medidas terapêuticas para acelerar o reparo tecidual. 3-5-2
 

Os músculos do tríceps sural trabalham em uníssono com as válvulas do sistema venoso superficial e profundo como um mecanismo de bomba, que, devido à contração muscular, impulsiona o sangue das extremidades dos membros inferiores em direção ao coração, colaborando com a diminuição da pressão no sistema venoso profundo. Porém, alguns indivíduos apresentam um sistema de bomba insuficiente, formando-se um regime hipertensivo crônico venoso que, transmitido ao leito arteriocapilar, influencia na baixa troca de metabólicos locais sendo deletério aos tecidos próximos se alguma medida terapêutica não for adotada. 6-1-2
 


Objetivos

Nos últimos anos tem se destacado o uso de microcorrentes dentro da Fisioterapia, onde o mesmo se baseia na aplicação de correntes elétricas de baixíssima intensidade elétricas, não atingindo nem mesmo o umbral sensitivo do paciente. Baseada em aumento da produtividade maquinaria celular responsável pela geração de ATP (mitocôndrias), onde o mesmo chega a ter um acréscimo de até 500%. 7-8
 

O LASER utilizado na fisioterapia possui intensidade média, sendo um procedimento atermico, tendo como principio a ativação metabólica por meio de radiação, e como nas microcorrentes o seu mecanismo de ação e sobre a produção de ATP. 9
 

As canetas usadas na laserterapia diferenciam-se por seu nível de aplicação: ortopédica (mais profunda) e dermatológica (mais superficial), parâmetros como freqüência podem ser alterados em apenas algumas canetas, alem de parâmetros que variam dependendo do fabricante. 10
 

O uso de ambos tem-se demonstrado eficaz na Fisioterapia, mas a aplicação hibrida de ambos ainda se é inconclusa, tendo-se em mãos um paciente que apresenta a mesma alteração somática em ambos os membros, torna-se mais viável a corroboração do emprego de microcorrentes e de laserterapia como método hibrido viável.
 


Metodologia

Paciente 49 anos de idade, do sexo feminino, natural do estado do Paraná residindo atualmente na cidade de Pato Branco.
 

Há 15 anos sofre úlceras venosas, e, as mesmas, foram tratadas com os seguintes fármacos: TRENTOFIL®, COLAGENASE®, PARACETAMOL® e antibióticoterapia sem obter cura das úlceras, indivídua possuía hanseníase no qual a moléstia foi sanada pelo uso de fármacos.
 

Ao exame físico realizado dia 09/08/2007 apresentou próximo aos maléolos dos MMII atrofia muscular moderada, acompanhada de tumefação com tonalidades violáceas ao redor das úlceras sem alteração da temperatura e intenso quadro álgico. Seus pés apresentaram deformidades como dedos sobrepostos acarretando em um marcha curta (raio-x em anexo figura 01), e analise de exames laboratoriais realizado 08/12/04 presença do germe Staphylococus Aureus.
 

Pé ou pododáctilos direito com a presença de osteólise metatarsofalangeana bilateral. Suposta osteomielite crônica do hálux direito e no quinto metatarso esquerdo (Figura-01).
 

Figura-01: Edema de MI e deformidades ortopédicas.


Iniciou tratamento fisioterapêutico no dia 09/08/2007 dia apresentando duas úlceras, uma delas localizada no MID próximo ao maléolo lateral e ao membro contralateral, próximo ao maléolo medial.


Durante a avaliação paquimétrica foi constatado dimensões das ulcerações esboçados na tabela-01.
 

Tabela-01: Mensuração paquimétrica de ambas as feridas.

 

Crânio - caudal

Antero - posterior

MIE-maléolo medial

2,6cm

3,8cm

MID-maléolo lateral

2,1cm

3,2cm


No processo de intervenção fisiotêrapeutica foi realizado laserterapia nas ulcerações com a caneta de Alumínio-Gálio-Indio-Fósforo (AlGaInP) com um comprimento de onda de 670nm, a uma intensidade de 6J/cm² contínua, além de procedimentos de assepsia das ulcerações.
 

Durante a as primeiras sessões, a conduta foi mantida, entretanto, na décima sessão, foi alterada a emissão de 6J/cm² contínua, para, 6J/cm² pulsado 1Khz. Foi utilizado somente no MIE, o emprego de microcorrentes, método bipolar, para ser analisado o processo de evolução cicatricial, comparando com o membro contralateral, o qual foi empregado somente a laserterapia (tabela-02). 7
 

Tabela-02: Parâmetros utilizados MC

Freqüência

Intensidade

Tempo

10 Hz

50 μA

5 minutos

100 Hz

50 μA

5 minutos

10 Hz

200 μA

5 minutos


Na décima - quinta sessão a conduta foi mantida, entretanto, aplicou-se o laser Gálio-Alumínio-Arseneto (AsGaAl) 830nm 15J/cm² na borda de ambas as úlceras para destruir fibrose. Na trigésima sessão se manteve o protocolo de atendimento iniciado desde a décima quinta sessão.
 


RESULTADOS

Durante a avaliação paquimétrica na décima quinta sessão houve uma redução singela das úlceras e não foi observada diferença na evolução cicatricial entre ambas como esboça a tabela-03 e nas figuras 02-03.
 

Tabela-03: Dimensões das feridas durante a décima - quinta sessão.

 

Crânio-caudal

 Antero-posterior

MIE-maléolo medial

2,5cm

3,7cm

MID-maléolo lateral

2,0cm

3,0cm


Figura-02: MID-maléolo lateral sinais flogísticos evidentes, como edema, presença de exsudato inflamatório e tecido de granulação (décima - quinta sessão).

 



Figura-03: MIE-maléolo medial sinais flogísticos evidentes, com edema, presença de exsudato inflamatório e tecido de granulação (décima - quinta sessão).
 


Na trigésima sessão mantendo-se os recursos para o atendimento, demonstrando-se uma diminuição significativa em MIE, como demonstra a tabela-04 e nas figuras-04-05.
 

Tabela-04: Resultados paquimétricos na trigésima sessão

 

Crânio-caudal

Antero-posterior

MIE-maléolo medial

2,3cm

3,5cm

MID-maléolo lateral

1,8cm

2,9cm


Figura-04: MID-maléolo lateral sinais evidentes de processo inflamatório, porém, reduzidos (trigésima sessão).

 



Figura-05: MIE-maléolo medial sinais de processo inflamatório atenuado (trigésima sessão).
 



Discussão

Ulceras venosas que envolvem pacientes com transtornos dermatológicos, infelizmente a cicatrização é morosa e muitas vezes um processo continuo e irreversível se o paciente não tomar medidas de profilaxia com de tratamento, farmacológico na maioria das vezes e associado a fisioterapia. A análise da contração das feridas no estudo de caso em questão, procedeu de forma eficaz no que compete a cicatrização tissular, mas, da primeira sessão a trigésima, demonstrou uma cinética similar entre ambas as técnicas analisadas, tanto na laserterapia isolada, como na hibrida. Havendo redução de 3mm de diâmetro ao todo em cada dimensão das ulcerações, tanto na ferida tratada com somente laserterapia, como a tratada com a terapia hibrida.
 


Conclusão

Com uma redução praticamente simétrica de 3mm em ambas as feridas, em virtude desses achados, não foi evidenciada diferença entre a terapia híbrida (MC e LASER) com a o membro que se utilizou apenas de laserterapia. Esboçando que o experimento utilizou-se de apenas um paciente, e que por se comparar uma técnica em um membro isolado com o membro contralateral, também terá uma melhora mesmo não sendo estimulado, a isso denominamos metabolismo colateral, possivelmente mascarando uma conclusão mais fidedigna ao experimento. 11
 


Referências:

1 - IRION, L., G. Feridas, Novas Abordagens : Manejo Clínico e Atlas em Cores. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

2 - HESS, T., C. Tratamento de Feridas e Úlceras, - Rio de Janeiro: 4ª edição, editora Reichmann e Affonso, 2002.

3 - PORTH, M. C. Fisiopatologia, - Rio de Janeiro: 6 ª edição, Guanabara Koogan, 2004.

4 - JUNQUEIRA, L.C; CARNEIRO, JOSÉ. Histologia básica, - Rio de Janeiro : 9ª edição, Editora Guanabara Koogan, 1999.

5 - ROBBINS, L.S; COTRAN, S.R; KUMAR, V. Patologia Básica, - Rio de Janeiro: 5ª edição, Guanabara Koogan, 1994.

6 - SAMAPAIO, SEBATIAO A. P; RIVITTI, EVANDRO A. Dermatologia - 2ª edição – São Paulo: Artes Médicas, 2001.

7 - AGNE, JONES E. Eletroterapia: teoria e prática. Santa Maria : Orium, 2005.

8 - ALBERTS, BRUCE. Fundamentos da biologia celular: uma introdução à biologia molecular da célula, tradução de Carlos Termignoni – Porto Alegre : Artes Médicas Sul, 1999.

9 - KAHN J. Princípios e Pratica de Eletroterapia, tradução por Márcio Innocentini Guaratini e Carlos Eduardo dos Santos Castro – 4ª edição – São Paulo : Santos, 2001.

10 - KITCHEN S; BAZIN S. Eletroterapia de Clauyton, tradução por Fernando Gomes do Nascimento – 10ª edição – São Paulo : Manole, 1998.

11 - POWERS S. K; HOWLEY E. T. Fisiologia do Exercício, tradução por Marcos Ikeda – 3ª edição – São Paulo : Manole, 2000.
 



1- Bacharel em Fisioterapia e ex-monitor das matérias de Eletrotermoterapia e de Neuroanatomia do curso de Fisioterapia da Faculdade de Pato Branco – FADEP : eddy_krueger@hotmail.com


2- Aluno e Monitor da matéria de Eletrotermoterapia do curso de Fisioterapia da Faculdade de Pato Branco – FADEP : juliochinelato@hotmail.com

 

 

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Obs.:
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- Publicado em 19/03/2009

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