Trabalho realizado por:

 

Elielma Costa de Andrade ¹

elielma_jp@yahoo.com.br
 

Dayse Costa Urtiga ²

 

Fabíola Mariana Rolim de Lima  ³

 

 

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Pesquisa personalizada

CONTROLE POSTURAL

 


INTRODUÇÃO

Postura é a atitude assumida pelo ser humano na posição sentada ou em pé, que vem a influenciar todos os aspectos musculoesqueléticos. Esta atitude pode ocorrer através de apoio, durante a inatividade muscular, por meio de ação coordenada de músculos trabalhando para manter estabilidade, ou ainda para formar uma base essencial, que está sendo constantemente adaptada ao movimento que se opõe a ela (CAILLET, 1999).


O controle da postura em humanos consiste em um processo sofisticado que envolve a manutenção de várias articulações e grupos musculares em relação geométrica uns com os outros e com o ambiente (BALASUBRAMANIAM, WING, 2002).
 

Informações visuais, vestibulares e proprioceptivas são utilizadas, no processo de controle da postura, desde a detecção de variações da posição de segmentos corporais e das pistas do ambiente, ao ajuste fino dos movimentos da musculatura axial e proximal, com vistas à manutenção do equilíbrio (RODRIGUES et al., 2003).
 

A velocidade do desenvolvimento motor é influenciada, principalmente durante os primeiros 12 e 18 meses de vida, pela maneira com que os pais manuseiam o lactente. Além disso, as condições socioeconômicas da família e a interação entre a mãe e o lactente são fatores que podem influenciar no desenvolvimento motor (SHEPHERD, 1998).
 

Existem dois objetivos comportamentais do sistema de controle postural, a orientação e o equilíbrio corporal. A orientação postural está relacionada à manutenção da posição dos segmentos corporais com relacionados aos outros segmentos corporais e com ao meio ambiente. O equilíbrio postural está relacionado ao equilíbrio das forças internas e externas que agem no corpo durante as ações motoras (HORAK, MACPHERSON, 1996).
 

Esta pesquisa tem por objetivos, investigar, a partir da pesquisa bibliográfica, e informar aos profissionais da área de saúde, sobre alguns aspectos do desenvolvimento motor e controle postural, mostrando sua importância na manutenção de uma boa qualidade de vida.
 

Foi realizada uma pesquisa bibliográfica, do tipo exploratória, apresentando como método de abordagem o dedutivo, e como técnica de pesquisa a documentação indireta.
 


EVOLUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO CONTROLE POSTURAL

A postura ereta, que distingue o homem de todos os outros animais, é o produto de, talvez, 350.000.000 de anos de evolução. Através de milênios, produziram-se certas alterações na forma do corpo, adaptando-se assim, para a vida como animais braquiados. Os membros inferiores estendiam-se em linha com o corpo que assumia uma posição vertical. A braquiação requeria grande mobilidade na cintura escapular e nas articulações dos ombros, prolongando e fortalecendo os membros superiores, e aumentando a potência de pronação e supinação, assim como o desenvolvimento da mão preensível. O tórax tornou-se aplainado antero-posteriormente, deslocando o centro de gravidade para trás e simplificando o problema da posição ereta. A escápula deslocou-se posteriormente, onde a inserção do peitoral menor transladou-se do úmero para o processo coracóide. A função do serrátil anterior foi alterada para produzir a elevação do braço acima do ângulo reto. (RASCH & BURKE, 1977)
 

Foram necessárias outras alterações estruturais para que o homem pudesse suportar, efetivamente, as tensões do peso corporal, que estariam se concentrando nos membros inferiores. O pé perdeu a sua maior parte das suas propriedades de preensão, tornando-se especializado na locomoção bípede. A perna se prolongou e se retificou. O tamanho do glúteo máximo é peculiar ao homem, já que tem um tamanho relativamente grande. Sendo contrabalançado, o tamanho do glúteo máximo, pelo aumento correspondente do quadríceps femoral, o qual tende a impedir que o joelho se dobre como conseqüência do impulso do centro de gravidade para frente quando o pé entra em contato com o solo.
 

Nem todas essas modificações estruturais são satisfatórias. As extremidades inferiores tem sido profundamente modificadas, embora a pelve, que se une a coluna vertebral, tenha sido conservada essencialmente como a morfologia do quadrúpede.
 

Considerada do ponto de vista mecânico, a coluna vertebral representa uma coluna. Sob pressão, a essa se deforma, desenvolvendo curvaturas. Na própria coluna vertebral, tem havido comparativamente uma escassa às demandas da postura ereta, a não ser o desenvolvimento de uma convexidade cervical para frente, de uma concavidade torácica e de uma convexidade lombar. (RASCH & BURKE, 1977)
 

Durante muitos anos, o desenvolvimento foi descrito com base na Teoria Neuromaturacional. Acreditava-se que as mudanças de comportamento resultavam da crescente mielinização do SNC e simultânea inibição dos núcleos subcorticais, a partir do aumento funcional do córtex cerebral (THELEN, 1995). Graças aos processos maturativos, que se ajustam às leis e aos estímulos que a criança vai recebendo por parte daqueles que a cercam, um controle postural ajustado aos seguintes marcos: 1-Controle da cabeça: a sustentação da cabeça em linha de prolongação como tronco ocorre em torno dos 3 a 4 meses; 2-Coordenação olho-mão: a coordenação viso-manual vai se afinando, estando bem estabelecida em torno dos 3 a 4 meses; 3- Posição sentada: bebês de 4 a 5 meses mantêm-se sentados com apoio, e até os 6, 7 meses mantêm-se sentados sem ajuda; 4- Locomoção antes de andar: estando sentados, utilizam as mãos como remos e deslizam sobre o chão as extremidades inferiores; locomovem-se através do engatinhar, apoiando-se nas mãos, joelhos e pés, esses movimentos ocorrem por volta dos 8 meses; 5- Manter-se em pé e caminhar: em torno dos 9, 10 meses, a criança é capaz de manter-se de pé apoiando-se em algo e sem apoio, por volta dos 12 meses. Só é capaz de andar em algum momento em torno dos 12, 14 meses. Até os 18 meses, corre, sendo capaz de dar pequenos saltos dois ou três meses depois.
 

Também é importante ressaltar que, resultados sobrevém à medida que uma criança abandona a posição quadrúpede para assumir a posição ereta, tais como, alterações no sistema muscular, como resultado da transferência do peso do corpo para os membros inferiores gerando um aumento da potência e da força dos músculos extensores e das porções inferiores do tronco, como os músculos antigravitacionais. Alterações na coordenação, ao ocorrer o desenvolvimento dos reflexos relacionados com o equilíbrio e a coordenação.
 

Alterações no sistema respiratório, com a posição ereta, os músculos inspiratórios têm que vencer a influência da força gravitacional, elevando a parede torácica. Alterações no sistema circulatório, havendo uma alteração hemodinâmica, sendo necessárias contrações musculares repetidas para melhorar o retorno venoso, evitando assim que o sangue venha a se acumular nos espaços intracelulares, nas cavidades dos órgãos.
 


ESTRUTURAS ANATÔMICAS IMPORTANTES NA MANUTENÇÃO DA POSTURA

A manutenção da postura é feita graças a um conjunto de estruturas anatômicas, que são:


- PÉS: Sua estabilidade é garantida pelo perfeito equilíbrio osteo-mio-ligamentar, associado a uma pequena tensão muscular. Na postura ereta, a sobrecarga do peso corporal deve ser distribuída uniformemente do retropé para antepé, ou seja, entre os seguintes pontos calcâneo, cabeça do 1º metatarsiano e cabeça do 5º metatarsiano.
 

- PERNAS e JOELHOS: A posição correta dos membros inferiores pode ser explicada, imaginando a patela alinhada na direção de uma linha imaginaria traçada longitudinalmente desde o calcanhar ate o centro do pé.
 

- PELVE: Estrutura chave para o bom alinhamento postural. O desvio de sua posição normal se reflete em todo comprimento da postura.
 

- COLUNA VERTEBRAL: Numa visão póstero-anterior apresenta-se alinhada com a linha gravitacional. Na visão de perfil encontra-se normal quando as curvaturas fisiológicas encontram-se equilibradas.
 

- MUSCULOS ABDOMINAIS: Esses músculos intervêm nos reflexos da postura e da respiração. O aspecto mais importante está relacionado à sustentação da correção pélvica, no movimento de retroversão o qual proporciona o equilíbrio com a lordose lombar.
 

- CINTURA ESCAPULAR: Estruturas importantes para um perfeito funcionamento do aparelho respiratório. Deve estar equilibrada e simétrica.
 

- TÒRAX: Deve apresentar uma excursão do gradil costal entre a inspiração completa e a expiração forçada.
 

- CABEÇA: Deve-se manter equilibrada, sem apresentar retração, inclinação, rotação e propulsão.
 


ASPECTOS ANÁTOMO-FISIOLÓGICOS DOS CENTROS REGULADORES DO CONTROLE POSTURAL

O controle da postura é um grande desafio para o corpo humano. O sistema do controle postural deve ser capaz de regular o equilíbrio em situações instáveis e por outro lado, deve ser suficientemente versátil para permitir a rápida iniciação do movimento.
 

A aquisição e manutenção da postura e do movimento dependem do aprendizado e da repetição das atividades. Nesse sentido, o desenvolvimento do controle postural tem início por volta do 3º mês, quando o lactente começa a estabilizar a cabeça. A seguir, verifica-se um aprimoramento no controle postural, sendo que entre o 6.º e 7.º mês muitos lactentes já são capazes de sentar por breves períodos com apoio dos braços. (CAMPOS, SANTOS, 2005)
 

O mecanismo regulador da postura está diretamente relacionado com as informações provenientes das estruturas exteroceptivas e interoceptivas. É importante lembrar que, o Sistema Nervoso Central (SNC) é o responsável pela determinação dos movimentos através de esquemas motores de tal forma que as estruturas do sistema ósteo-mio-articular são responsáveis pela mecânica do movimento, controlado pelo mecanismo neurofisiológico. Assim, para determinação do padrão motor postural a pessoa ao movimentar, interage com o meio ambiente, efetua a modulação das estruturas aferentes exteroceptivas (receptores cutâneos e retina) e proprioceptivas (fuso muscular, OTG, labirinto e corpúsculos articulares) com a capacidade de organizar e estruturar novos esquemas motores. (GAGEY; WEBER, 2000)
 

A maturação da motricidade permite que o SNC controle a postura e o movimento através de várias informações táteis sinestésica e sensoriais. A postura desejada é registrada nos centros motores cerebrais sob a forma de esquema modelo, no qual, a partir deste, surge o controle automático da estabilidade postural estática e dinâmica. O mecanismo regulador da estabilidade postural ocorre através dos centros superiores que compreende o cérebro, cerebelo e o tronco encefálico. Esses recebem informações dos fusos neuromusculares, órgão tendinoso de golgi, retina, pele e labirinto.
 

Na medula espinhal, estão presentes o motoneurônio alfa que é responsável pela inervação das fibras extrafusais nos músculos, através da sua excitação regulam a força e velocidade de contração muscular e o motoneurônio gama que são sensores de alongamento. As fibras intrafusais determinam a contração das fibras contidas nas partes distais dos fusos neuromusculares que conduzirão à excitação do fuso muscular e, por conseguinte as fibras musculares extrafusais.
 

As estruturas de tecido contrátil responsáveis pela força gerada e pelo controle da carga suportada são os músculos, que dão a estabilidade postural e são chamados de grupos musculares posturais antigravitacionais. Tais músculos são: tibial anterior, quadríceps, ílipsoas, abdominais, flexores do pescoço, extensores espinhais, glúteo máximo, ísquios tibiais e tríceps sural.
 


MECANISMO NEUROFISIOLÓGICO DA INTER-RELAÇÃO DOS CIRCUITOS À NÍVEL DO TRONCO CEREBRAL, E A FISIOLOGIA DOS PROPRIOCEPTORES E EXTEROCEPTORES

- FUSO MUSCULAR: Situado no interior do músculo. Devido sua disposição em paralelo com as fibras musculares extrafusais detectam o alongamento e a velocidade da contração muscular.


- ORGÃO TENDINOSO DE GOLGI: Situado na junção miotendinosa do músculo é responsável pela identificação da intensidade da contração muscular. Quando a força de contração ultrapassa a capacidade muscular, ocorre sua ativação e através do estímulo dos interneurônios ocorre a inibição do motoneurônio musculares relaxado o músculo ou diminuindo sua contração.
 

- LABIRINTO (SISTEMA VESTIBULAR): Estruturas proprioceptivas localizadas no osso temporal sendo responsável pelo equilíbrio. È representado pelo nervo vestibular, cujas fibras neuronais transmitem os estímulos provocados nas estruturas auditivas internas, chega ao bulbo e faz ligação com os núcleos dorsal medial, espinhal e lateral. Através do núcleo espinal saem os fascículos ascendentes (fascículos vestíbulo-espinal, fascículo espino-vertebral e fascículo cerebral). É responsável pela orientação espacial, para controlar o tônus postural necessário na manutenção da correta posição dos olhos durante a movimentação da cabeça.
 

- RETINA: O estímulo visual é recebido pelas células (cones e bastonetes) que constituem o estado retínico profundo, transmitido as informações aos centros cerebrais.
 

- PELE OU RECEPTORES CUTÂNEOS: Durante o processo de aquisição de uma determinada postura as estruturas nervosas de identificação do tato, temperatura, pressão e nociceptivas, também enviam impulsos nervosos ao SNC que podem interferir na manutenção do padrão postural desenvolvido.
 

- PROPRIOCEPTORES ARTICULARES: São estruturas articulares responsáveis também pela sinestesia, que se caracterizam pela percepção da posição ou do movimento das estruturas do corpo no espaço, bem como, da percepção das tensões internas e externas que tendem a mover ou estabilizar as articulações.
 


TIPOS DE POSTURAS A SEREM ADOTADAS

Posturas Inativas

São atitudes adotadas para descansar ou dormir, e serve melhor a esta finalidade quando toda atividade muscular essencial necessária para manter a vida é reduzida a um mínimo. Essas posturas causam demandas mínimas aos músculos responsáveis pela manutenção das funções corporais essenciais, tias como a respiração e a circulação. As posturas ou posições usadas para o treinamento do relaxamento geral preenchem essas condições, permitindo liberdade de movimento respiratório e o mínimo possível de trabalho para o músculo cardíaco.

Posturas Ativas

A ação integrada de muitos músculos se faz necessária para que se mantenham posturas ativas, que por sua vez, podem ser estáticas ou dinâmicas.
 

As posturas estáticas são observadas quando um padrão constante de postura é mantido através da interação de grupos de músculos, que trabalham de maneira mais ou menos estática para que as articulações se mantenham estáveis e opostas à gravidade ou a outras forças. Nas posturas eretas há uma preservação do estado de equilíbrio.
 

A postura dinâmica é necessária para formar uma base eficiente para o movimento. O padrão da postura modifica-se constantemente e ajusta-se para ir de encontro às circunstâncias mutáveis que surgem como resultado do movimento.
 


ALTERAÇÕES POSTURAIS COMUNS

Há uma inter-relação entre cabeça, pescoço, tórax, coluna lombar e pelve, onde desvios em uma região levam á alterações em outras áreas.
 


REGIÃO PÉLVICA E LOMBAR:

- Postura Cifolordótica: Comumente a alteração de postura nessas regiões caracteriza-se por um aumento no ângulo lombossacral, da lordose lombar, da inclinação pélvica anterior e da flexão do quadril. Isso é visto com freqüência como um aumento da cifose torácica e anteriorização da cabeça. Suas causas podem ser: má postura sustentada, gestação, obesidade e músculos abdominais fracos.


Fontes potenciais de dor: Sobrecarga no ligamento longitudinal anterior; estreitamento do espaço posterior do disco e do forame intervertebral, o que pode comprimir a dura-máter e os vasos sanguíneos da raiz nervosa, relacionada, ou a própria raiz nervosa, especialmente se houver alterações degenerativas nas vértebras ou no disco; Aproximação das facetas articulares, que passam a sustentar o peso, levando a irritação sinovial e inflamação articular.
 

Comprometimentos musculares potenciais: Diminuição da flexibilidade nos músculos flexores do quadril (iliopsoas, tensor da fáscia lata, reto femoral) e extensores lombares (eretor da espinha); Músculos abdominais alongados e fracos (reto do abdome, oblíquo interno e externo do abdome e transverso do abdome).

- Postura Relaxada ou Desleixada: Essa postura é também chamada de dorso curvo. A quantidade de inclinação pélvica é variável, mas em geral há um desvio anterior de todo o segmento pélvico, resultando em extensão do quadril e um desvio do segmento torácico posteriormente, causando flexão do tórax na coluna lombar alta. Isso causa aumento da lordose na região lombar baixa e da cifose na região torácica, e geralmente uma anteriorização da cabeça. A posição da coluna lombar média e alta depende da quantidade de deslocamento do tórax. Ao ficar em pé por períodos prolongados, a pessoa em geral assume um apoio assimétrico, no qual a maior parte do peso é sustentada por um membro inferior, ocorrendo queda da pelve (inclinação lateral) e abdução do quadril no lado que não está apoiado o peso, o que afeta a simetria no plano frontal. Suas causas mais comuns são: a entrega do indivíduo completamente aos efeitos da gravidade e apenas as estruturas passivas no final na amplitude de movimentos de cada articulação (como ligamentos, cápsulas articulares e aproximação óssea) proporcionam estabilidade. As causas podem ser a atitude (a pessoa sente-se confortável quando desleixada), a fadiga (o que se vê quando é necessário ficar em pé períodos prolongados) ou a franqueza muscular (ela pode ser a causa ou o efeito da postura). Um programa de exercícios mal elaborados que enfatize a flexão torácica sem equilibrar a força com outros exercícios apropriados e treinamento postural, pode perpetuar esses comprometimentos.
 

Fontes potenciais de dor: Sobrecarga nos ligamentos iliofemorais, no ligamento longitudinal anterior da coluna lombar inferior e no ligamento longitudinal posterior da coluna lombar superior e torácica. Com posturas assimétricas há também sobrecarga da banda iliotibial no lado em que o quadril está elevado. O estreitamento do forame interventricular na coluna lombar inferior pode comprimir os vasos sanguíneos, a dura máter e as raízes nervosas, especialmente em condições artríticas.
 

Comprometimentos musculares potenciais: Diminuição da flexibilidade nos músculos abdominais altos (segmentos superiores do reto abdominal e dos oblíquos do abdome), intercostais internos, extensores do quadril e músculos extensores lombares inferiores e fáscias relacionadas; Músculos abdominais inferiores alongados e fracos (segmentos inferiores do reto abdominal e dos oblíquos do abdome).

- Postura de Achatamento Lombar: Essa postura é caracterizada por uma diminuição no ângulo lombossacral, uma diminuição da lordose lombar, extensão do quadril e inclinação posterior da pelve. É causada por ficar continuamente relaxado ou flexionado nas posturas sentadas e em pé, ou por dar ênfase excessiva em exercícios de flexão.
 

Fontes potenciais de dor: A falta de uma curvatura lombar fisiológica reduz o efeito absorvedor de choque da região lombar e pré-dispõe a pessoa à lesão e sobrecarga no ligamento longitudinal posterior; aumento no espaço posterior para os discos, o que permite ao núcleo pulposo, sob certas circunstancias, sofrer um prolápso posterior ao ser tentada a extensão.
Comprometimentos musculares potenciais: Diminuição da flexibilidade nos músculos flexores do tronco (reto do abdome e intercostais) e extensores do quadril; Músculos extensores lombares e possivelmente flexores do quadril podem estar alongados e fracos.


REGIÃO TORÁCICA:

- Dorso Curvo ou Cifose Aumentada: Caracterizada por aumento da curvatura torácica e escápulas protraídas (ombros curvos) em geral essa postura é acompanhada de uma posição anteriorizada da cabeça. Suas causas são similares as da postura lombar relaxada ou da postura de achatamento lombar.

Fontes potenciais de dor: Sobrecarga no ligamento longitudinal posterior; Fadiga do músculo eretor da espinha torácica e dos que fazem retração da escápula; Síndrome do desfiladeiro; Síndrome posturais cervicais.
 

Comprometimentos musculares potenciais: Perda de flexibilidade e diminuição dos músculos do tórax anterior (intercostais), nos músculos do membro superior originados no tórax da coluna cervical e da cabeça inseridos na escápula (levantador da escápula e trapézio superior) e nos da região cervical; Músculos eretores da espinha torácica e retratores da escápula alongados e enfraquecidos (rombóides e trapézio médio).

- Dorso planar: Essa postura é caracterizada por diminuição na curvatura torácica, escápulas e clavículas deprimidas, e postura de retificação cervical. Está associada a uma postura militar exagerada, ou seja, o exagero na postura ereta, porém não é um desvio postural comum.
 

Fontes potenciais de dor: Fadiga dos músculos usados para manter a postura; Comprometimento do feixe neurovascular no desfiladeiro torácico entre a clavícula e as costelas.
 

Comprometimento musculares potenciais: Diminuição da flexibilidade dos eretores da espinha torácica e dos músculos que causam a retração da escápula, e potencial restrição dos movimentos escapulares, o que diminui a liberdade de elevar o ombro; Fraqueza dos músculos que fazem a protração da escápula e dos intercostais no tórax anterior.

- Escoliose: A escoliose, em geral, envolve as regiões torácica e lombar. Tipicamente, em indivíduos destros há uma leve curva em S, torácica direita e lombar esquerda, ou uma leve curva em C toraco-lombar. Pode haver assimetria nos quadris, na pelve e nos membros inferiores.
 

Uma escoliose estrutural envolve uma curvatura lateral irreversível com rotação fixa das vértebras. A rotação dos corpos vertebrais é em direção à convexidade da curva. Na coluna torácica, as costelas rodam com as vértebras, de modo que haja uma proeminência posterior das costelas no lado da convexidade vertebral e uma anterior no lado da concavidade. Durante a inclinação para frente em uma escoliose estrutural detecta-se uma giba nas costelas posteriores. Uma escoliose não estrutural é reversível e pode ser alterada com inclinação para frente ou para o lado e em mudanças de posição como decúbito dorsal, realinhamento da pelve pela correção da discrepância no comprimento das pernas ou com contrações musculares. É também chamada de Escoliose Funcional ou Postural.
 

Causas da Escoliose Estrutural: Doenças ou distúrbios neuromusculares (como paralisia cerebral, lesão medular ou doenças neurológicas ou musculares progressivas), distúrbios osteopáticos (como hemivértebra, osteomalacia, raquitismo ou fratura) e idiopáticos, nos quais a causa é desconhecida.
 

Causas da Escoliose Não-Estrutural: Discrepância no comprimento da pernas, estrutural ou funcional; defesa ou espasmo muscular devido a estímulos dolorosos na coluna e no pescoço; e posturas habituais ou assimétricas.
 

Fontes potenciais de dor: Fadiga muscular e distensão ligamentar no lado da convexidade; Irritação de raiz nervosa no lado da concavidade; Desequilíbrios musculares potenciais; Diminuição da flexibilidade na musculatura do lado côncavo da curva; Musculatura alongada e fraca no lado convexo da curva.

 

REGIÃO CERVICAL

- Postura de cabeça anteriorizada: Essa postura é caracterizada por aumento da flexão da região da coluna cervical baixa e torácica alta, aumento da extensão do occipto sobre a primeira vértebra cervical e da extensão das vértebras cervicais superiores. Pode ainda haver disfunção da articulação têmporomandibular com a mandíbula sendo empurrada para trás. Posturas ocupacionais ou funcionais que requerem uma postura curvada para frente ou inclinando a cabeça para trás por longos períodos, posturas inadequadas, como ao trabalhar com uma tela de computador má posicionada; posturas relaxadas ou o resultado final de uma má postura da pelve e da coluna lombar, podem causar esse tipo de desvio.


Fontes potenciais de dor: Sobrecarga do ligamento longitudinal anterior na coluna cervical alta e do ligamento longitudinal posterior na coluna cervical baixa e torácica alta; Tensão ou fadiga muscular; Irritação das articulações facetárias na coluna cervical alta; Compressão do plexo cervical, conseqüentemente ao encurtamento do músculo levantador da escápula, e dos nervos occipitais maiores devido a um músculo trapézio superior encurtado ou tenso, o que pode levar a cefaléias por tensão; Lesões dos discos cervicais inferiores devido à má postura flexionada.
 

Comprometimentos musculares potenciais: Diminuição da flexibilidade dos músculos levantador da escápula, esternocleidomastóideo, escaleno e suboccipital.Se as escápulas estiverem elevadas, também pode haver músculos trapézios superiores encurtados.Com sintomas articul trapézio médio).ares temporo-mandibulares, os músculos da mastigação podem ficar tensionados; Músculos anteriores da garganta alongados e enfraquecidos(o hióideo torna-se fixo devido à posição alongada)e, também, os músculos eretores da espinha cervicais inferiores e torácicos superiores.

- Postura de retificação cervical: Essa postura é caracterizada por lordose cervical diminuída e flexão aumentada do occipto sobre o atlas. O exagero da postura por longos períodos é a causa comum da postura de retificação cervical, sendo rara.
 

Fontes potenciais de dor: Dor na articulação têmporomandibular e alterações oclusivas; Diminuição da função absorvedora de choque da curvatura lordótica, o que pode predispor à lesão cervical; Sobrecarga do ligamento da nuca.
 

Potencias comprometimentos musculares: Diminuição da flexibilidade dos músculos anteriores do pescoço; Teoricamente, os músculos levantadores das escápulas, esternocleidomastóideo e escalenos tornam-se mais alongados e enfraquecidos.
 


DESVIOS NO PLANO FRONTAL EM RAZÃO DE ASSIMETRIAS DOS MEMBROS INFERIORES

Qualquer desigualdade entre os membros inferiores terá um efeito sobre a pelve que, por sua vez, afetará a coluna vertebral e as estruturas que a suportam. Ao lidar com postura da coluna, é essencial avaliar o alinhamento dos membros inferiores, a simetria, a postura dos pés, a amplitude de movimento, a flexibilidade muscular e a força. Os desvios no plano frontal podem também ser vistos com maus hábitos posturais, como ficar em pé muito tempo com a pelve caída para um lado, como se costuma ver em posturas desleixadas. Isso pode resultar em desequilíbrios musculares no quadril e na coluna e em uma aparente discrepância entre o comprimento das forças.
 


DESVIOS CARACTERÍSTICOS QUANDO EM PÉ COM O PESO DESIGUALMENTE DISTRIBUÍDOS ENTRE OS MEMBROS INFERIORES

O ílio elevado no lado da perna mais longa (PL) e abaixado no lado da perna mais curta (PC) é o desvio característico. Isso coloca a PL em abdução do quadril com maior sobrecarga de atrito, e a PC em abdução do quadril com maior sobrecarga de compressão. A articulação sacrilíaca (SI) no lado da PL fica mais vertical com maior sobrecarga de atrito; no lado da PC fica mais horizontal com maior sobrecarga de compressão. A inclinação lateral da coluna lombar para o lado da PL, junto com a rotação no sentido oposto, comprime o disco intervertebral no lado da PL e separa o disco no lado da PC, além de causar uma sobrecarga de torção. Há extensão e compressão das facetas lombares no lado da PL (porção côncava da curvatura) e flexão e separação das facetas lombares no lado da PC (porção convexa da curvatura), além de um estreitamento do forame intervertebral no lado da PL. A coluna torácica tem uma escoliose compensatória no sentido oposto.
 

A assimetria nos membros inferiores pode dever-se a desvios estruturais ou funcionais no quadril, joelho, tornozelo ou pé. Problemas funcionais comuns incluem pé plano unilateral e desequilíbrios na flexibilidade dos músculos. As forças de reação do solo assimétrica resultante transmitida para a pelve e a coluna podem levar ao colapso dos tecidos e uso excessivo, particularmente se a pessoa envelhecer, ficar acima do peso ou estiver com descondicionamento geral devido à inatividade.
 

Potenciais fontes de dor: Ocorrem maiores forças de atrito nas articulações do quadril da PL, o que aumenta a sobrecarga nos ligamentos de suporte e diminui a superfície de apoio dentro da articulação; A estenose no forame interventricular lombar no lado da PL pode causar congestão vascular ou irritação de raiz nervosa; Compressão das facetas lombares e irritação no lado oposto da PL; Colapso do disco com força de torção e assimétricas; Tensão, fadiga ou espasmo muscular em resposta à carga; Síndromes de uso excessivo dos membros inferiores.
 

Potenciais comprometimentos musculares: Diminuição da flexibilidade nos adutores do quadril no lado da PL e nos abdutores no lado da PC; Há diferenças assimétricas nos músculos iliopsoas, quadrado lombar, piriforme e eretor da espinha; Os músculos adutores do quadril no lado da PC, os abdutores no lado da PL e, em geral, os músculos no lado convexo da curvatura acham-se alongados e enfraquecidos.
 


MÉTODOS DE AVALIAÇÃO POSTURAL

Os métodos de avaliação postural são classificados em critérios quantitativos e qualitativos. Essa avaliação deve ser criteriosa, a fim de que sejam detectados todas as alterações posturais e seja traçado o melhor tratamento para cada indivíduo. (O’SULLIVAN; SCHMITZ, 1993)

Observação de pontos anatômicos

A avaliação qualitativa procura investigar as alterações posturais através do processo avaliativo de inspeção. Consiste na avaliação da postura estática, podendo ser realizado através do uso de instrumentos, como: quadros, telas, simetrógrafos, máquinas fotográficas, filmadora.

Avaliação através de modelos pré-determinados

Trata-se do procedimento metodológico para análise quantitativa de atitudes posturais, onde é possível investigar as cargas que correspondem às forças musculo-esqueléticas, através do cálculo da compressão máxima do esforço correspondente, a cada articulação vertebral.

Quantificação da freqüência e ocorrência temporal de posturas em uma situação

Neste caso há a filmagem do indivíduo, estudado com filmadoras ou máquinas fotográficas, onde selecionam-se as posturas, e quantificam-se a freqüência e a ocorrência temporal destas posturas. Pode-se medir a duração do tempo de ocorrência de cada uma.

Avaliação das cargas compressivas posturais correspondentes

A configuração da coluna vertebral nas posturas é demonstrada através de um robô virtual, em três dimensões. O programa permite executar a análise de pontos de estresse de compressão estática da coluna.

Eletromiografia (processamento de sinais biológicos)

A eletromiografia é o método para estudar os fenômenos eletroquímicos do músculo associado à contração muscular, para quantificar o estudo do movimento humano.

Simetria

Consiste em um conjunto de métodos que busca medir parâmetros cinemáticos dos movimentos à partir da aquisição de dados como: posição, orientação, velocidade e aceleração, através da aquisição de imagens do corpo ou de seus seguimentos.
 

Podemos considerá-la como método qualitativo, a partir das observações das imagens, porém quando analisamos as grandezas cinemáticas, referentes à velocidade de deslocamento ou sua aceleração linear ou angular, pode considerá-la como método quantitativo.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O controle postural depende de uma série de estruturas corporais de forma alinhada como: pés, pernas e joelhos, pelve, coluna vertebral, músculos abdominais, cintura escapular, tórax e cabeça.


Portanto, é fundamental se ter uma postura correta, pois dessa maneira teremos boas respostas aos estímulos internos e externos, adequando o funcionamento dos sistemas neuropsicomotor, cardiocirculatório e respiratório, melhorando a qualidade de vida e prevenindo o estresse.
 

Observou-se que a maturação do SNC é um elemento de grande importância para a evolução motora. No entanto, a percepção, a cognição, a experiência e o ambiente também devem ser reconhecidos como fatores determinantes para o desenvolvimento motor.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BALASUBRAMANIAM, R.; WING, A. The dynamics of standing balance. Trends Cognitive Science 2002 ;6(12):531-6.

CAILLIET, R. Dor, mecanismos e tratamentos. Porto Alegre: Artmed, 1999.

CAMPOS, D.; SANTOS, D. C. C. Controle postural e motricidade apendicular nos primeiros anos de vida. Fisioterapia em Movimento, Curitiba, v.18, n.3, p. 71-77, jul./set., 2005.

RASCH, P. J.; BURKE, R. K. Cinesiologia e Anatomia Aplicada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1977.

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¹ Ft., Graduada em Fisioterapia pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba FCM-PB; Pós- Graduanda em Fisioterapia em Geriatria e Gerontologia pela FCM-PB;


² Ft., Graduada em Fisioterapia pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba FCM-PB;


³ Ft., Graduada em Fisioterapia pelo Centro Universitário UNIPÊ-PB; Pós-Graduada em Fisioterapia em UTI pela Faculdade Redentor-RJ;
Exerce a função de Fisioterapeuta no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (HETSHL); e de professora da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, do curso de Fisioterapia na cadeira de Estágio Supervisionado II.
 

 

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- Publicado em 24/04/2009

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