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Referência em FISIOTERAPIA na Internet |
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Trabalho realizado por: - Giselle Pessoa Cruz (1) - Heloísa Silva Guerra (2) - Ruth Losada de Menezes (3) - Valéria Rodrigues C. de Oliveira (4) E-mail: hsgfisioterapia@ig.com.br |
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RELAÇÃO ENTRE
QUALIDADE DE VIDA E |
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INTRODUÇÃO A possível relação entre saúde, envelhecimento, exercícios físicos e qualidade de vida têm sido objeto de estudo de inúmeros trabalhos científicos atuais. O objetivo de vários pesquisadores é integrar todas essas variáveis a fim de encontrar o segredo de um envelhecimento saudável. A qualidade de vida na terceira idade tem sido motivo de amplas discussões em todo o mundo, pois existe atualmente uma grande preocupação em preservar a saúde e o bem-estar global dessa parcela da população para que tenham um envelhecer com dignidade. O conceito de qualidade de vida é bastante complexo e envolve dimensões como bem-estar físico, familiar e emocional, habilidade funcional, espiritualidade, função social, sexualidade e função ocupacional, que quando integradas mantém o indivíduo em equilíbrio consigo mesmo e com o mundo ao seu redor1. O Estatuto do Idoso2, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2004, têm por função assegurar todas as oportunidades e facilidades para preservação da saúde física e mental dos indivíduos idosos. Apesar de não incentivar explicitamente a prática de exercícios físicos, dispõe em seu artigo 15 sobre a atenção integral à saúde do idoso, com ações e serviços para prevenção, promoção, proteção e recuperação de sua saúde. Ainda em seu artigo 15, § 1º, inciso III, o Estatuto do Idoso afirma que a prevenção e manutenção da saúde do idoso serão efetivadas por meio de unidades geriátricas de referência, com pessoal especializado nas áreas de geriatria e gerontologia. Por fim o artigo 25 cita que o Poder Público apoiará a criação de universidades abertas à terceira idade e incentivará a publicação de livros e periódicos adequados ao idoso. Segundo Clarck e Siebens3, o envelhecimento é acompanhado por alterações fisiológicas graduais, porém progressivas, e num aumento da prevalência de enfermidades agudas e crônicas. É comum ocorrerem distúrbios musculoesqueléticos, endócrinos, cardiovasculares, pulmonares, neurológicos, psiquiátricos, entre outros, que podem resultar em perda da função, que sem intervenção adequada e em tempo hábil causa a institucionalização precoce dos idosos4. A perda da força muscular é a principal responsável pela deterioração na mobilidade e na capacidade funcional do indivíduo que está envelhecendo5. Muitas alterações fisiológicas atribuídas ao envelhecimento são semelhantes àquelas induzidas pela inatividade imposta e provavelmente podem ser atenuadas ou até mesmo revertidas pelo exercício6. Matsudo7 define exercício físico como uma subcategoria da atividade física que é planejada, estruturada e repetitiva; que resulta na melhora ou manutenção de uma ou mais variáveis da aptidão física. O exercício físico na terceira idade pode trazer benefícios tanto físicos, como sociais e psicológicos contribuindo para um estilo de vida mais saudável dos indivíduos que a praticam8. De acordo com Santarém9 alguns dos efeitos salutares da atividade física são: o aumento do HDL-colesterol, redução da pressão arterial, redução da gordura corporal, aumento da massa muscular, além de funcionar como um estímulo hormonal e imunológico. Sendo assim, a prática de exercícios físicos atua na profilaxia de doenças melhorando os fatores de risco para o desenvolvimento de diversas patologias. Na terceira idade os exercícios que atuam revertendo perdas como a da massa muscular e massa óssea, são os mais eficazes, já que contribuem para uma maior autonomia funcional9. O posicionamento da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME) e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG)10 é que o exercício físico regular melhora a qualidade e expectativa de vida do idoso, beneficiando-o em vários aspectos principalmente na prevenção de doenças que podem levar a incapacidades10. A fisioterapia, cujo objeto de estudo é principalmente o movimento humano, vem colaborar lançando mão de conhecimentos e recursos fisioterapêuticos, com o intuito de melhor compreender os fatores que possam acarretar perda ou diminuição da qualidade de vida e bem-estar nos idosos11; podendo o fisioterapeuta contribuir, além da reabilitação, na conscientização da população idosa quanto à importância da prática regular de exercícios físicos, exercendo seu papel de agente promotor de saúde e colaborando para o envelhecimento bem sucedido. Este estudo buscou investigar o perfil das mulheres freqüentadoras da Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade Católica de Goiás em relação à adesão em programas de exercício físico e sua possível relação com a qualidade de vida.
Material e Métodos
Este estudo foi realizado com 50 mulheres, com idade acima de 60 anos, freqüentadoras da UNATI (Universidade Aberta à Terceira Idade) da Universidade Católica de Goiás, no primeiro semestre de 2004, na cidade de Goiânia. Os dados foram coletados em abril de 2004, através da aplicação de um questionário com perguntas objetivas composto de duas partes: a primeira com 20 perguntas onde as mulheres foram indagadas a respeito de sua vida pessoal, nível de escolaridade, profissão, se é portadora de alguma doença, se pratica exercícios físicos, que tipo de exercício, qual a regularidade da prática e se não pratica quais os motivos; a segunda, composta de uma adaptação da Escala de Qualidade de Vida de Flanagan12, um instrumento auto-aplicável, que conceitualiza a qualidade de vida a partir de cinco dimensões: bem-estar físico e material, relações com outras pessoas, atividades sociais, comunitárias e cívicas, desenvolvimento pessoal e realização, e recreação. Essas dimensões são mensuradas através de quinze itens onde o entrevistado tem sete opções de resposta, que vai de “muito insatisfeito” (escore 1) até “muito satisfeito” (escore 7). A pontuação máxima alcançada é de 105 pontos e a mínima de 15 pontos, que refletem a mais alta e a mais baixa qualidade de vida respectivamente. Esta escala, versão em português, tem sua confiabilidade calculada, refletindo o coeficiente alfa de Cronbach de 0,90, e o teste das metades (dados dos itens pares X itens ímpares) o índice de 0,86 13. Em relação à validade do construto, esta já foi conferida pelo autor ao construir o instrumento indutivamente, a partir dos resultados da análise fatorial efetuada 14. Os questionários foram entregues a um total de 74 mulheres matriculadas no primeiro semestre de 2004 , e após o recolhimento dos mesmos somente 50 aceitaram participar da pesquisa. A participação de cada indivíduo foi voluntária e todas as participantes concederam autorização por escrito e assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Católica de Goiás. Para a análise estatística as participantes foram divididas em três grupos: grupo A (mulheres que praticam exercícios físicos 3 vezes ou mais por semana) com idade média de 68,571 anos, grupo B (mulheres que praticam exercícios de 1 a 2 vezes por semana) com idade média de 69,714 anos e grupo C (mulheres que não praticam exercício físico) e com idade média de 73 anos. Nos resultados onde se obteve quantias utilizou-se o teste de Qui-Quadrado e nos resultados de medidas utilizou-se a Análise de Variância. O nível de significância adotado nestes testes estatísticos foi de p<0,05. Utilizou-se ainda o Teste Kruskal Wallis.
Resultados e Discussão No que diz respeito aos dados sóciodemográficos (Tabela I) não foi identificada diferença significativa entre os três grupos. Nota-se um predomínio de viúvas na população estudada, o que já foi constatado em outros estudos relacionados com idosos 13,15,16. Outro aspecto interessante é o número de idosas que moram sozinhas (42%) o que segundo Chamowicz apud Santos16 é explicado não somente pela menor longevidade dos homens, mas, também, pela maior freqüência de recasamento dos homens, após a viuvez, e maior tendência destes se casarem com mulheres mais jovens. Uma consideração importante diz respeito ao nível de escolaridade das participantes da amostra, onde 42% relataram possuir apenas o nível primário, dado bem abaixo da média de 80% encontrada no Brasil 15. A maioria das idosas da amostra é aposentada e não recebe pensão. Quanto à situação atual, 35 delas não trabalham, embora um número significativo (15) ainda continua exercendo alguma atividade remunerada como forma de complementar o orçamento familiar. Tabela I - Perfil sóciodemográfico das mulheres maiores de 60 anos freqüentadoras da Unati/UCG da cidade de Goiânia-GO, 2004.
Segundo a SBME e SBGG, o programa ideal de exercícios físicos para os idosos deve durar de 30 a 90 minutos, se possível todos os dias da semana, incluindo exercícios aeróbicos, de força muscular, de flexibilidade e equilíbrio10. De acordo com essa recomendação somente 46% das idosas da Unati/UCG praticam exercícios da forma ideal. O restante, 54%, ou praticam exercício uma ou duas vezes por semana ou não o fazem. (Tabela II) Os exercícios mais praticados pelas idosas são a caminhada e a hidroginástica, ou seja, a maioria ainda não segue um programa de exercícios de acordo com a proposta da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
Tabela II – Exercícios Físicos
Entre as doenças mais comuns encontradas na amostra estudada destacam-se as doenças músculoesqueléticas e cardíacas, o que corrobora com vários trabalhos atuais que citam a perda de massa muscular, massa óssea e força muscular como as responsáveis pelas grandes perdas funcionais advindas do envelhecimento 3,5,9. Esse talvez seja o principal motivo para que as mulheres se tornem adeptas de programas bem orientados de exercícios físicos pois estes constituem uma medida eficaz para minimizar os efeitos das alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento11; contribuindo para um estilo de vida mais saudável dos indivíduos que os praticam 8. Apesar do exercício físico fazer parte da programação que a Unati/UCG oferece uma vez por semana às idosas, nota-se que 16% delas não aderiram ao programa. De acordo com a Tabela III os motivos pelos quais as idosas não aderem à prática regular de exercícios físicos são: acomodação, falta de estímulo, falta de local apropriado, falta de tempo por cuidados com os filhos e com a casa. Essas barreiras poderiam ser transpostas com programas orientados por Fisioterapeutas sobre a importância do exercício físico para a promoção da saúde do idoso.
Tabela III – Motivos de não praticar exercícios físicos
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